quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Johnny Cash - At Folsom Prison

Country | Folk | ÉPICO

1 - Folsom Prison Blues
2 - Busted
3 - Dark As The Dungeon
4 - I Still Miss Someone
5 - Cocaine Blues
6 - 25 Minutes To Go
7 - Orange Blossom Special
8 - The Long Black Veil
9 - Send A Picture Of Mother
10 - The Wall
11 - Dirty Old Egg-Suckin' Dog
12 - Flushed From The Bathroom Of Your Heart
13 - Joe Bean
14 - Jackson (With June Carter)
15 - Give My Love To Rose (With June Carter Cash)
16 - I Got Stripes
17 - The Legend Of John Henry's Hammer
18 - Green, Green Grass Of Home
19 - Greystone Chapel


      Tô a umas duas semanas ouvindo uma pancada de bandas instrumentais (ou não) japonesas. Ouvi Toe até cansar meu last.fm e ficar entediado por ter de ouvir apenas dois discos deles. Ouvi também uma tonelada de coisas e, de uma hora pra outra, percebi que, MAGICAMENTE, meu At Folsom Prison tinha sumido dos meus arquivos e fiquei com uma cara de tacho porque não ouvia aquele disco fazia muito tempo. Corri e fiquei possuído por uma satisfação tão grande ao ouvir a clássica frase no começo de todo show.

      "Hello. I'm Johnny Cash".

      Antes de Dylan arrancar um sól na sua velha Hohner, Cash já tinha sido preso N vezes, virado sherife de Davidson County no Tennesse e, claro, "atirado em um homem em Reno só para assistir ele morrer". Simplesmente uma lenda, tocou com Elvis, Dylan, Willie Nelson e, principalmente, June Carter.


      At Folsom Prison é um épico. Imagina: Você É Johnny Cash. Você faz letras sobre matar homens sem ter motivo, dar uma cheirada, ficar a vida inteira numa prisão, morrer na cadeira elétrica, ser jogado "pela privada do banheiro do seu coração" de sua mulher e seu companheiro de sela ser seu melhor amigo. Agora, imagina: Você tá tocando na prisão mais segura do Tennesse para presos que tem, em sua maioria, uma sentençazinha de 50 anos a, talvez, uma cadeirinha que estará ligada na tomada. Meio épico, não?

      Cash se consagrou com os shows em Folsom e San Quentin, ambas prisões de segurança máxima. Na época, o agente do "Homem de Preto" quase deu um tiro em seu próprio joelho por causa da decisão de tocar em prisões e foi com o papo de que o público de Cash não eram assassinos condenados à prisão perpétua e que ele ficaria com a imagem queimada e blá blá blá e ele disse: Ei, relaxa, sou Johnny Cash. Se eu não tocar com homens que fizeram o que eu teria feito em vários momentos da minha vida, pra quem vou tocar? Pra minha mãe?

Ele é Johnny Cash. Você não.


      Não tenho nem o que dizer sobre esse disco, sinceramente. É lindo, cômico e, por mais incrível que pareça, comovente. Canções sobre nunca mais sair para as ruas, ver a família ou então, simplesmente não poder ir na padaria comprar o cigarro de cada dia. Até assassinos choraram no show. Além disso, se você entende inglês e consegue acompanhar todas as palavras de Johhny, saberá o quão engraçado é. A quantidade de piadas de baixo nível e a intimidade criada instantâneamente entre Cash e os presos são incríveis. Se não consegue entender, basta as risadas de todos os homens e uma imaginação pra recriar uma prisão com o ator principal do country na frente de centenas de presidiários serelepes e felizes como nunca que terão aquele como o melhor momento de todas as suas vidas.

      Com a participação da incrível June Carter nas décima quarta e décima quinta faixas, Cash consagra sua fama de Homem De Preto nesse disco. É absurdamente genial. Você pode até achar meio chato pelo ritmo ser praticamente o mesmo durante todas muitas músicas, mas aí tu repara nas letras e pensa: Porra, mas esse cara tinha culhões. Letras realmente incríveis, filosóficas e, ao mesmo tempo, extremamente escrotas como em "Dirty Old Egg-Suckin' Dog", "Flushed From The Bathroom Of Your Heart" e a quase inacreditável "Cocaine Blues". Cara, não tem nem como destacar algumas músicas, praticamente todas são incríveis em algo. A voz sepulcral de Cash e seu ritmo característico levam a essência do country e do folk pra essa gravação em Folsom. Só destacaria mesmo a primeira faixa por ela possuir a costumeira frase de entrada de todos os shows de Johnny, mas terá de ouvir todas e chegar à conclusão de que se existe um músico de cadeias, ele é Cash.




      Bem, se nunca ouviu este épico, taí sua chance. Tô com um puta saco pra resenhar aqui e, melhor do que isso, enquanto (magicamente) chove aqui em BH desde uns 130 dias atras , a melhor coisa a fazer é aumentar o volume de "The Long Black Veil" ao máximo, ir pra janela ver essa chuva e dar uma rezadinha para que Johnny esteja bem lá no além, se matar mais ninguém em Reno, rs. Bom proveito!

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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

sgt. - Stylus Fantasticus


Post Rock | Instrumental | Experimental | Outros japas fdps

1 - すばらしき光
2 - 囚人達のジレンマゲーム
3 - 白夜
4 - 声を出して考える方法
5 - 再生と密室
6 - 記憶の島の月
7 - 銀河を壊して発電所を創れ
8 - ムノユラギ


Acho que não adiantou muito colocar a setlist, não é? Bem, deixa pra lá. Vamos ao som! Comentei sobre sgt. no último post sobre a (também japonesa) banda 3nd. Comentei também sobre seu incrível violino. Então aqui vai um discozinho com uma pequena grande amostra com o incrível trabalho desse quarteto. Todos os membros da banda são multi-instrumentistas, fazendo com que suas atuações no palco sejam totalmente inusitadas ao trocarem de instrumentos quase toda hora e, é claro, possuírem a presença feminina na liderança da banda.

sgt. é uma das veteranas no "underground" do post rock japonês. Em 2005 lançaram seu primeiro disco, Perception Of Casualty, com o auxílio de integrantes da instrumental Toe. Abriram dezenas de shows, incluindo a germânica CAN em seu tour pelo Japão. Com inúmeros splits envolvendo bandas mais recentes de Tokyo como 3nd, good music, OVUM, Boredoms, ROVO e ONJI, sgt. é uma das maiores referências da música instrumental mundial, inovando com sua mistura do clássico ao jazz e com a inserção de um belíssimo violino em suas composições.


O grupo possui uma quase onipresença no Japão, principalmente na capital. Tocando por quase uma década com a formação original, detonam críticas a cada lançamento, seja de compactos ou singles. Em 2005 deslocaram todo o foco para si ao lançarem seu primeiro disco e, em 2008, com o lançamento de Stylus Fantasticus, alcançou supremacia musical ao ser classificado pela Hear Japan como melhor disco do ano, superando For Long Tomorrow, do Toe.

Todos os trabalhos da banda possuem foco no violino, mas também um excelente trabalho, principalmente, na guitarra. Bateria monstruosa e baixo bem executado também. Porém sua singularidade é dada simplesmente pela presença de arranjos do violino que conseguem mesclar o clássico, o jazz e o post rock em uma só mistura. Stylus Fantasticus se consagrou muito, tornando um álbum com uma produção impecável e algo que, teoricamente, é impossível de ser tocado por apenas quatro pessoas. A única resposta possível para esta situação é que eles, simplesmente, são japoneses, rs.


O disco, em si, é belíssimo. Varia de faixa para faixa e não segue, exatamente, aquela progressão típica do post rock. Possui arranjos eletrônicos, samples de outras músicas e a inserção de outros instrumentos como trompete, vibrafone e outros. Algumas músicas possuem efeitos pesados enquanto outras seguem apenas guiadas pelo violino, dando, assim, uma variabilidade imensa à obra do compacto, levando o ouvinte a inúmeras atmosferas diferentes. Particularmente, não gosto da segunda faixa, onde o efeito pesado demais dá um contraste imenso com o resto do disco e não tem nada a ver com a estética do trabalho, no geral. Mas opinião é sempre um saco e aí vem aquela célebre frase de The Big Lebowski: Yeah, well, you know, that's just, like, your opinion, man.

Sem querer desmerecer, mas o crédito de todo o disco ficou com a sétima faixa, 銀河を壊して発電所を創れ (adiantou bastante, né?), que é simplesmente uma das melhores experiências musicais já feitas e que eu ouvi. É simplesmente linda. Mais do que linda, uma obra de arte de tamanho épico. Com quase dezessete minutos de música, ela vai progredindo ao som de um violino impecavelmente executado em cima de uma melodia digna de merecer um lugar no meu pódio das cinquenta melhores músicas que já ouvi. Mas gosto é algo indiscutivel e, enquanto eu estou viajando horrores nessa música enquanto escrevo sobre ela, você pode não gostar por simplesmente ser uma faixa um pouco longa (quero ver quanto postar Godspeed You! Black Emperror com suas músicas de meia hora). Bem, você só vai concluir se gosta ou não quando ouvir, mas é uma das melhores dicas pra quem gosta de música instrumental e post rock com uma pitada de um clássico violino.




Coloquei a primeira parte da música pra vocês conferirem, para ouvir o resto pode ir lá no nosso amigo youtube e ouvir, ou então simplesmente baixar no link que vou colocar aqui em baixo. Acho que essa invasão musical do Japão que estou tendo vai passar logo e daqui a pouco vou voltar a postar coisas mais convencionais (not). Bom proveito!

Myspace - sgt.

Hear Japan - sgt.

Download 81MB

domingo, 26 de setembro de 2010

3nd - View From Here

Instrumental | Post Rock | Math Rock | Japoneses fdps

1 - Clockworker
2 - Augustline
3 - Season
4 - Haruoto
5 - Walk in brown
6 - Into the water ~ water

      Quando eu comecei a ouvir Toe, deixei por aquilo mesmo. Uma banda daquela conseguia suprir minhas necessidades naquela época. Até que num belo dia fui fuçar os artistas relacionados a Toe através no nosso amigo Last.fm. Acabei conhecendo vários grupos insanos, como por exemplo Mouse On The Keys, que possúi um extraordinário piano, Mudy On The 昨晩, com suas incríveis três guitarras, a belíssima sgt. que possúi violino e, é claro, 3nd com um baixista simplesmente insano. Houveram outras, mas essas se destacaram por possuir singularidades. Então lá fui eu, todo serelepe, ouvir essa banda aqui. No começo da primeira faixa eu já fiquei assombrado com o baixo, pior ainda no final da música. Uma banda que tem um baixista que não usa pedais e consegue levar o som pra frente acima das duas guitarras cheias de efeitos não é nada mole. É realmente incrível o arranjo feito entre o baixo e as duas guitarras, algo singular e totalmente inovador. As guitarras são OK, possuem todo a sua beleza, a bateria também (mas nem se compara a Takashi de Toe) porém o baixo é realmente incrível. Não somente ele, mas a composição em que ele está e a atmosfera que a união dos quatro instrumentos emanam.


      3nd foi formada em 2007 e, até agora, com dois álbuns e alguns singles, slipts e EPs, vem seguindo a linha da nova geração musical do Japão e reforçando o movimento da música instrumental em Tokyo. Mantendo a formação original até hoje, até nos shows ao vivo, os caras fazem um som bem dançante, diferente de outros caras como sgt. e Toe, devido, em grande parte, ao seu baixista, Yamamoto. O nome dá banda dá muitas controvérsias e, em uma entrevista ao site Hear Japan, os caras disseram que a pronúncia certa é "Three N D".

      O som é afinado e sincronizado aos milisegundos, possuindo uma característica muito ligada ao Math Rock, aproximando-os de bandas como LITE, porém suas guitarras possuem efeitos clássicos que lembram o post rock de bandas americanas (tanto é que neste exato momento, eles devem estar tocando em algum lugar dos EUA em turnê). O som deles lembra, em parte, a banda americana And So I Watch You From Afar, de onde eles tiram bastante influência. Bem, é chato ficar dando classificações à música dos caras, mas se tem algo que é, é um instrumental foda pra caralho. E só.


Um salutar desjejum: Café e cigarros.

      Esse foi o disco de estreia deles, lançado em setembro de 2007, ganhando ótimas críticas dentro da capital japonesa devido aos seus excelentes arranjos, composições inusitadas e, claro, à grande complexidade de seu contra-baixo. É realmente um disco dançante, animado, com uma bateria veloz e um ritmo que assusta de tantas mudanças. A primeira faixa já dá um puta susto com a entrada, em slaps, do baixo. Melhor: Ele dobra o tempo no final da musica, inclusive as guitarras! "Augustline" já é uma música bem mais fragmentada, com os intrumentos levados unicamente e um grito de animação, talvez, é dado pelos membros lá pela metade da música. Realmente revigorante, rs.

      Outra linha de baixo ignorante fica em "Haruoto". Simplesmente incrível. Depois desta, "Walk In Brown" é a mais variada do disco (e minha predileta), com belas combinações entre as guitarras e um ritmo que vai do lento para o extremo do dançante. Totalmente empolgante. A última faixa fica marcada pelo delay das guitarras, que dão um echo durante toda a música e terminam o disco de uma modo quase épico.




      Esse foi o único vídeo que achei dos caras, não é desde disco mas sim de um single composto antes da banda ser lançada e que veio a ser gravado no ano passado. Achei o clipe horrível, mas o instrumental é que vale, dando ênfase em TODOS os intrumentos (pire no baixo). Bem, dá pra conferir algo através dele, mas deixarei alguns links para conferirem o som antes de baixarem. Postarei mais algumas bandas instrumentais vindas do Japão, todas com as suas peculiaridades. Bom proveito!

3nd - Hear Japan

3nd - Myspace

Download - 40mb

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Ray LaMontagne - Trouble

Folk | Indie Folk | Indie | Voz Super Bacanildes

  1. Trouble
  2. Shelter
  3. Hold You In My Arms
  4. Narrow Escape
  5. Burn
  6. Forever my Friend
  7. Hannah
  8. How Come
  9. Jolene
  10. All The Wild Horses
      Ray LaMontagne, Cantor folk nascido em New Hampshire, um cara totalmente normal, com seus problemas e dificuldades normais, que um dia, voltando do trabalho na fábrica de sapatos, teve a idéia de se tornar um cantor folk. O cara tem uma criatividade absurda, e uma voz fodissima. Como é um cara envergonhado, prefere fazer seus shows no escuro e bem próximo ao público, pra melhor interação destes.


      O Disco é basicamente todo feito por ele, em seus mínimos detalhes. Esse é só o primeiro trabalho dele, que já tem atualmente 3 discos, e faz o próximo enquanto aproveita sua vida no campo. Destaque na música-nome do cd "Trouble" é coisa linda de deus.



Toe - Songs, Ideas We Forgot

Post Rock | Math Rock | Instrumental | DEUS EM UMA BANDA

1 - Leave word
2 - I Dance Alone
3 - 1,2,3,4
4 - Path
5 - Yoru ha akeru


      Já falei que vou postar tudo possível de Toe aqui no blog. Os caras são gênios e nem tem como falar mais deles depois da MONOGRAFIA escrita aqui em baixo. Reforçando apenas a qualidade da obra dos japas, eu tinha postado o áudio ripado do ao vivo RGBDVD porque, particularmente, eu prefiro o som dos caras nos shows, que é algo muito mais natural, fluido e belo. Bem, deixando de lado isso, tem certas músicas que eles não tocam no RGB e que ficam nos EPs e Splits que eles fizeram ao longo desses dez anos na estrada. Uma parte dessas músicas fica nesse discozinho aqui.

      O primeiro trabalho de estúdio dos caras já começa sinistro. Lançado três anos após a estreia da banda, foi dito com o melhor EP de 2003 em todo o Japão e deu inspiração a inúmeros outros caras seguirem adiante com o projeto de música instrumental que estava se instalando na ilha. Não é um disco muito bem trabalhado em questões de qualidade musical, tanto é que você perceberá a diferença quando ouvir e comparar ao RGBDVD, mas mesmo assim continua sendo um cd ÉPICO.


      Acho que a grande maravilha deste disco é ter as duas faixas que seriam as grandes frentes nos próximos trabalhos de Toe, principalmente nos shows, pois "I Dance Alone" é uma das faixas com o instrumental mais bem trabalhado (que fica muito, mas muito melhor ainda ao vivo) e que é tocada no RGB e no CUT_DVD, que citei na última postagem. Além disto, "Path" sempre é a última faixa executada nos shows, terminando ou com um apagão na arena, guitarristas gritando ou uma Fender Telecaster estatelando no chão (consultar CUT_DVD), rs. É uma das músicas mais incríveis dos caras, juntamente com "I Dance Alone", mostrando a maturidade de um disco que precisou ser fermentado durante três anos de ensaios, colocando os membros em um estado de quase telepatia, para sair com grandes músicas como as lançadas nesse disco... O vídeo abaixo é de uma edição em cores de um ao vivo que fizeram, não incluso no RGBDVD (passei muito tempo tentando achar, infelizmente não o encontrei). Veja-o imaginando que é um dos membros da banda, sentindo o som fluir do teu instrumento e sair nos amplificadores. Imaginando a luz, as pessoas escoradas na grade da arena e aí você vai entender o que é que se passa após os dois minutos de vídeo: um estado de total sincronia com a música, o ato de estar fazendo uma das melhores coisas do mundo, estar satisfeito com isso e saber que está fazendo tudo de um jeito único e profissional. Não se assuste com os caras levantando a cabeça e gritando, não é uma corrente elétrica que está passando por eles. É simplesmente música.




      Das outras três faixas minha preferida fica com "1,2,3,4", uma das pouquíssimas faixas bem animadas da banda, com um instrumental realmente empolgante e riffs de guitarra incríveis: rápidos e precisos. A presença de uma saravaida de palmas também contribui para a sonoridade da faixa. "Leave Word", meio puxada para uma bossa nova, abre o disco com a guitarra guiando e continua seguindo até o seu final, mostrando-se extremamente bem trabalhada para o primeiro EP da banda. É tocada também no RGBDVD, contendo, de brinde, um belo grito de Takashi quando este se empolga na bateria.

      Não colocarei os links do site oficial e do myspace porque já estão aí na postagem de baixo, ok? Bem, agora é só baixar e sair ouvindo por aí, sem precisar decorar letras! Bom proveito!


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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Toe - RGBDVD

Math Rock | Instrumental | Post Rock | Japoneses fdps | Ao vivo

1 - Interlude 1
2 - Hangyaku Suru Fuukei
3 - Kodoku no Hatsumei
4 - Tremolo+Delay
5 - Interlude 2
6 - C
7 - I Dance Alone
8 - Leave Word
9 - Interlude 3
10 - All I Understand Is That I Don't Understand
11 - I Do Still Wrong
12 - Interlude 4
13 - Mukoukishi ga Shiru Yume
14 - Past and Language
15 - Interlude 5
16 - Metronome


      Essa foi minha terceira postagem na Taverna. O porém é que naquela época eu não dei valor suficiente para a grandeza dessa banda e fiz uma resenha muita xôxa. Então deletei aquele post e estou refazendo uma postagem digna da qualidade do som deles.

      Vou resumir a banda em uma frase: A melhor banda instrumental do planeta. É, isso aí, meu caro... A maior de todas. O incrível é que são apenas quatro seres humanos que fazem parte da divindade musical que sai de cada nota tocada por eles. A música é simplesmente tocante, bela, complexa, bem feita, muito bem feita, profunda e madura. Se eu precisasse dar uma nota para a banda seria 11, se possível, e olhe que eu sou chato pra cacete para considerar bandas realmente incríveis. Ouso coloca-la no mesmo patamar de um gigante como o Radiohead ou até, digo, Pink Floyd.


      Toe foi formado em 2000 e mantém a formação original até hoje, com duas guitarras, baixo e sua incrível (incrível mesmo) bateria. Possuem dois trabalhos de estúdio, dois DVDs ao vivo, dois splits e inúmeras participações com outros artistas, incluindo Pele, Mono e a ex-cantora do Cymbals, Tori Asako. Os caras são uma febre no Japão, fazendo shows a toda hora e são, em grande parte, um dos responsáveis para a mistificação da música japonesa (porque ninguém aguentava mais J-Rock e J-Pop).

      Para falar da banda é preciso falar do baterista. Kashikura Takashi é um OGRO. Realmente, em toda minha vida, nunca tinha visto um baterista tão profissional como este cara. As batidas rápidas, precisas e, em grande parte, inusitadas, são apenas cartas do grande leque de técnicas desse gênio. É de assustar, cara. A bateria permanece em viradas durante toda a música, não existe essa de manter o ritmo simples como 99,9% fazem. Isso é fichinha perto da capacidade musical do sujeito. Apesar disso, Takashi não é o líder da banda, nem um dos outros três são. Simplesmente pelo fato de não possuírem vocalista, a importância do som é feita por todos os quatro membros, que são igualmente competentes e possuem mais do que uma aparente amizade, mas uma possível telepatia para fazerem um som desses.

Satoshi (Baixo), Mino Takaaki (Guitarra), Takashi (Bateria) e Hirokazu (Guitarra)


      Falando sobre o som: Uma da grande diferença de Toe para outras bandas de post ou math rock é devido, em grande parte, à harmonia entre os instrumentos. A falta de efeitos de drive e distorção nas guitarras e o uso (em peso) de outros efeitos como delay, tremolo, reverb e chorus, dão uma sonoridade muito limpa aos instrumentos, dando a impressão de que as guitarras estão ligadas diretamente aos amplificadores. Mas não... Os caras tem milhões de pedais para usar um pouco de cada e deixar o som extremamente suave, limpo e leve. O mesmo com o baixo: Nenhum efeito pesado, apenas a dança dos dedos de Satoshi em seu Fender. Além disso, os caras possuem uma interação incrível. Músicas com o tempo complicadíssimo são executadas facilmente por eles (o que, em grande parte, se deve à grande técnica de Takashi), tudo sem ao menos um sinal verbal. O mesmo funciona com as guitarras: Nada de guitarra base ou guitarra solo, ambas possuem sua devida função em cada música, trabalhando unidas e mesclando todo som em apenas um, dando um efeito ambiente incrível.

      Estou repostando o RGBDVD pois, como disse na primeira vez, era um disco que abordava muitas músicas, inclusive de vários discos. Eu estava errado. Esse ao vivo é uma compilação de, principalmente, músicas de seu primeiro disco, Toe: The Book About My Idle Plot On A Vague Anxiety, onde existe apenas a instrumentação dos quatro membros. A exemplo, o RGBDVD é tocado apenas pelos quatro e foi lançado no segundo semestre de 2006, enquanto no início desse ano Toe lançou o CUT_DVD, onde possúi músicas bem mais elaboradas que contam com a participação de teclado, percussão, voz e até metais. Para resumir, este será o primeiro disco da banda aqui. Um trabalho mais simples, de fácil digestão e gostoso de ouvir.


      Chega de enrolação e vamos ao disco! Como é o áudio de um ao vivo ripado, perdemos muita da estética do show. Feito todo em cores desbotadas com uma leve tendência ao cinza, RGBDVD é um trabalho incrível. Foi gravado numa arena circular de, aproximadamente, menos de dez metros quadrados por pedido da banda, para que todos os membros conseguissem ficar perto um do outro e não precisar de retornos no som. As seis câmeras foram dispostas nas bordas dessa arena (já que não cabia mais merda nenhuma lá dentro) e gravadas por fora. Realmente é uma façanha e tanto. Além da simplicidade do local, o som feito durante os 49 minutos de show foi algo transcendental: milimetricamente organizado, regido pela bateria de Takashi e levado ao sons dos instrumentos de corda.

      O disco possúi cinco interlúdios que, durante o DVD, mostram a banda percorrendo o Japão numa van e se preparando para inúmeros shows em vários lugares. Esses intelúdios são incríveis, quebram a rotina do disco com apenas o som de um violão lento e cansado, fazendo com que você esqueça que está ouvindo uma banda inteira. Quando acabam, volta novamente o ritmo característico de Toe. Incrível mesmo é ouvir os caras da banda gritando por simplesmente estar tocando algo tão único como aquilo. Gritos de empolgação e satisfação. Separarei algumas faixas que merecem seu devido respeito. "Kodoku no Hatsumei" começa como a primeira música do disco e abre com chave de ouro. As guitarras sincronizadas, a batida ritmada e o ambiente musical limpo já dão uma ideia de como será o resto do disco. Logo, se você gostar desta, ficará mais satisfeito ainda com as próximas faixas. "Tremolo+Delay" é simplesmente o nome dos efeitos utilizados por Hirozaku e Takaaki em suas guitarras. Não é só por isso que será uma faixa simples, pelo contrário: a gama de efeitos de eco preenchem o vazio do vazio e te levam a outro lugar, um lugar bem distante mas que parece familiar... Mas, opa, aí vem um interlúdio que destrói o seu pensamento e te leva diretamente à belíssima "C", igualmente bem elaborada como as outras mas com, é claro, sua singularidade. Quase no final fica "Past and Language", uma linda música com guitarras unidas em som e alma, um timbre único, singular e agradável. A linha do baixo vai dando o ritmo junto à bateria. Mas, pessoalmente, a estrela do disco fica com "I Dance Alone". Resumirei nisso: CARALHO, QUE MÚSICA!




      Bem, vou parar por aqui porque empolguei e, provavelmente, pouca gente lerá isso tudo e alguém me ameaçará depois que eu disser que Toe é a melhor banda da década. Lembrando que esse será um dos vários trabalhos deles que postarei aqui (e que só vão melhorando com o tempo). Agora baixe o RGBDVD, sente na tua cadeira, aumente o volume e, simplesmente, feche os olhos e tente sentir o ambiente que essa música nos trás. Afinal, sempre existirão japoneses que fazem coisas incríveis, seja no youtube ou num estúdio. Bom proveito!

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Toe - Myspace

Toe - Site Oficial

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Nick Cave & The Bad Seeds - The Boatman's Call

Alternative | Post - Punk? | DEPRESSÃO INSTANTÂNEA

1 - Into My Arms
2 - Lime Tree Arbour
3 - People Ain't No Good
4 - Brompton Oratory
5 - There Is a Kingdom
6 - (Are You) The One That I've Been Waiting For?
7 - Where Do We Go Now But Nowhere?
8 - West Country Girl
9 - Black Hair
10 - Idiot Prayer
11 - Far From Me
12 - Green Eyes

Tenho quase certeza que esse foi o primeiro disco que ouvi do Nick Cave. Com um vasto trabalho com os Bad Seeds, no Grinderman, The Boys Next Door, no The Birthday Party e em sua carreira solo, Cave é um dos grandes nomes da música alternativa, sendo uma passagem obrigatória para quem quer conhecer seu trabalho, principalmente na década de oitenta, onde foi fortemente influenciado pelo post-punk. Cave é cantor, pianista, guitarrista, compositor, roteirista, escritor e, de quebra, ator.

A maior parte de seu trabalho está neste grupo. O Nick Cave & The Bad Seeds está na ativa desde 1983, tornando-se muito conhecido com seus 14 discos de estúdio e, não apenas por isso, pelo grande nome que é Nick Cave. Sua densa voz unida às letras sobre morte, amor, violência e, principalmente, a religião, transformam cada música em uma reflexão sobre algo que ninguém deseja discutir, trazendo algo de perturbador ao ouvinte.

Eis uma foto que acho épica.


Cave é um homem extremamente criativo. Atuando em áreas como a música, literatura, cinema e outras, ele possúi várias histórias bizarras. Uma delas ocorreu no final da década de 80, quando ele se afundava na heroina, buscando algo para os Bad Seeds, e foi visto no metrô de Londres, magérrimo, escrevendo uma carta (ou quem sabe uma nova composição?) usando uma seringa cheia do seu próprio sangue... OK. O abuso de drogas o levou a constantes períodos de depressão que, por sua vez, o levaram a um intenso questionamento sobre vida, morte e religião. Estes são os focos de suas composições desde a década de oitenta. E, cara, ele é um deus pra compor sobre isso.

Este disco, diferentemente de outros lançados, deixa de lado a violência e a morte, e tenta colocar, de forma única, toda sua beleza nas composições de Cave sobre o amor, a saudade e a religião. Uma forma de protesto sobre todas as verossimidades do mundo e a falta de fé das pessoas na própria humanidade, que procuram a religião como forma de escape da realidade. Como um aviso, se você entende inglês fluentemente e é um católico cego, é preferível não ouvir o disco ou então, apenas ouvir a intensa voz de Nick e ignorar suas letras, mas fazer isso é como cortar a cabeça para poupar o barbear, então abra um pouco a cabeça e deixe, de forma suave, a beleza desse disco o seduzir.



Vamos ao álbum! Arranjos em piano, violino e órgão dão uma atmosfera pesada ao clima do disco. Diferente dos outros, este se foca nas letras, deixando de lado a imagem de homens maus que os Bad Seeds têm e passando a imagem humana de seu som. Simples, belo, tocante e, é claro, incrível. Algumas músicas merecem seu devido destaque. "Into My Arms" ficou como a mais famosa do disco. Arranjos apenas no piano e na voz de Cave, uma letra pesada demais para se suportar. É diferente das demais, focando na singelidade da composição e dos arranjos, que são totalmente simples. Toda a infelicidade de Nick é solta em "People Ain't No Good", reclamando de toda a injustiça que as pessoas fazem com as outras e a desvalorização do amor, belo de um jeito original e extremamente melódico... Uma de minhas preferidas acaba sendo "Idiot Prayer", que aborda as pessoas que correm cegamente atrás da igreja e fecham os olhos para a razão, contando com uma harmonia típica dos Bad Seeds contida em sua execução e composição. Fugindo um pouco da religião, fica "Far From Me", em sua única beleza que é só ouvindo mesmo.




Bem, se estiver afim de uma bela depressão, deleite-se com The Boatman's Call , de preferência bêbado e quando precisar lembrar daquele amor que não deu certo ou de sua falta de fé em algum deus. Isso tudo ajuda a entrar na atmosfera desse grande disco deste grande nome que é Nick Cave. Enjoy!


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Myspace - Nick Cave & The Bad Seeds

Site Oficial - Nick Cave
Site Oficial - Nick Cave & The Bad Seeds

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Tom Waits - Alice

Experimental | Folk | GÊNIO | CANDIDATO A DEUS

1 - Alice
2 - Everything You Can Think
3 - Flower's Grave
4 - No One Knows I'm Gone
5 - Kommienezuspadt
6 - Poor Edward
7 - Table Top Joe
8 - Lost In The Harbour
9 - We're All Mad Here
10 - Watch Her Disappear
11 - Reeperbahn
12 - I'm Still Here
13 - Fish & Bird
14 - Barcarolle
15 - Fawn


      Waits é meu artista predileto. Sua influência é gigantesca, possuindo mais de 50 participações diretas como ator, inúmeras em construções de trilhas sonoras e milhões de indicações e prêmios, incluindo dois Grammys. Ele, em minha humilde opinião, tem a melhor voz da história da música. Seu tom grave, rouco e sinistro é algo único, ainda mais quando é unido às suas belíssimas (e intrigantes) composições, mostrando ser um dos artistas mais pesados em categoria.

      Sua imensa genialidade abrange inúmeras áreas, não apenas a música, mas sua atuação no palco é algo único, as roupas no melhor estilo "doende irlandês bêbado", o cigarro sempre aceso e os ambientes sombrios... Tudo para dar a imagem que, para mim, não consegue acompanhar sua capacidade musical. As músicas extremamente criativas e inovadoras são apenas um reflexo de um homem que também é ator, literário e compositor.


      Foi o Matheus que me apresentou este gênio pelo Rain Dogs e, após gostar um pouco, conheci o Mule Variations. Bem, após muito tempo curtindo a fase experimental de Tom, parti para seus primeiros discos, que ficam bascaimente no jazz, focado no piano tocado por ele mesmo. Interessante e belo da mesma maneira, mas possúi diferenças peculiares. Waits pode ser dividido em três fases, uma de "Jazz" que foi de 1973 até 1980, gravando apenas pela Asylum e possuindo uma estética mais focada no som de seu piano. De 1982, já na gravadora Island, com o lançamento de Swordfishtrombones, Tom se fixa em uma fase estritamente experimental até seu primeiro ano após a saída do estúdio e migrar para a ANTI- Records, passando para uma fase mista, relembrando fases de seu piano e de suas tomadas experimentais.

      Um dos melhores exemplos dessa última fase é este disco. Lançado em 2002, Alice possúi os arranjos em orquetra vistos no final de seu trabalho na Asylum e composições mais calmas vistas no começo de sua carreira, como no disco Closing Time: basicamente em piano e voz. Por outro lado, Alice também é incluida de tomadas musicais vistas em Bone Machine, Rain Dogs e, principalmente, Mule Variations, porém é um trabalho desvirtuado de suas fases estritamente experimentais e ligadas ao jazz.


      Com uma das trilhas mais geniais que já vi, o disco, em sua maioria, foi feito para a peça Alice, baseada no amor proibido entre Lewis Carroll e Alice Liddel. Apesar disso, as composições fogem bastante da ideologia da peça e, esta, até contribuindo com o fator estético do cd, já que Waits também é ator e participou com trabalhos junto de Robert Wilson (que dirigiu a adaptação de Alice). O disco foi co-liberado junto com Blood Money, do mesmo ano, também de uma adaptação do diretor de teatro.

      Indo direto ao ponto: Alice é uma mistura de duas ótimas épocas de Tom Waits e não deixa nada a perder. Pelo contrário, para quem tem preguiça de conhecer artistas a fundo (o que é uma pena, tratando de Tom Waits) Alice é um disco bem completo, possuindo suavidade de seu jazz em faixas como "Poor Edward", com uma letra incrível e impecável, a belíssima "I'm Still Here", com menos de dois minutos e uma melodia tão sincera quanto a letra. Sua fase experimental é clara em "Kommienezuspadt", a mais insana do disco, com sons de britadeira saindo pelo estéreo. Também na cômica "Table Top Joe", Waits mostra que seu tom rouco também é algo a ser tocado em um local onde ébrios são muito bem vindos.




      Bem, já é a terceira postagem de Waits aqui e ainda acho que não é suficiente. Seu vasto legado de cerca de trinta discos é gigantesco perto deste mínimo aqui, mas é um grande começo para quem deseja conhecer o gênio que é Tom, que devia ser candidato à presidência, haha. Se mais rodeios, fica aí esse excelente álbum que te mostrará que um artista não precisa se focar em um só âmbito, mas também migrar do jazz para o experimental e voltar aos dois ao mesmo tempo em um só disco (apesar de'u classificar seu som como inclassificável, mas tudo isso é apenas uma referência para que você não fique perdido na mente desse insano). Alice é dos melhores exemplos da competência musical deste grande nome.

Bom proveito!


My Space - Tom Waits

Tom Waits Site Oficial

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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

The Raconteurs - Broken Boy Soldiers

Garage rock | Revival rock | Rock Alternativo | Jack White

  1. Steady, As She Goes
  2. Hands
  3. Broken Boy Soldier
  4. Intimate Secretary
  5. Together
  6. Level
  7. Store Bought Bones
  8. Yellow Sun
  9. Call It A Day
  10. Blue Veins
JACK WHITE, um cara foda da atualidade. Tudo que o cara toca vira ouro, e esse projeto num deixou de ser assim.O cara fundou junto com sua "irmã" a dupla de Garage Blues Rock, The White Stripes, que fez fama pelo mundo inteiro. Ele não achou o suficiente. Fundou o The Raconteurs. Não foi o suficiente. Fundo o grupo The Dead Wheater. Não foi o suficiente. Agora abriu uma Label em sua cidade natal (Nashville, Tenesse) e começou a produzir e vender discos lá mesmo. A Third Man Records inova cada vez mais, lança artistas novos em formatos interessantes, como LPs que brilham no escuro, ou que tem cheiro. Acho que ainda num é o suficiente pra ele, daqui a pouco ele aparece com outra.
Ele fundou o The Raconteurs durante uma pausa do The White Stripes e começou junto com Brendan Benson a fazer músicas. Daí nasceu o hit "Steady, As She Goes" e disso a idéia desembolou.


A Banda The Raconteurs produz um som bem bacana, puxado pra influências totalmente roqueiras como The Who (em "Hands") e Led Zeppelin (quase todas as outras) e mostra que dá pra fazer música com um OLD style. Gosto bastante desse projeto, eles já pararam de fazer shows, mas eu ainda espero por um terceiro disco. Sendo que esse é o primeiro e que eles já tem um segundo que também é muito bom (Consolers Of The Lonely).


Taí um blues bacana da banda.

Curiosidade: O nome da banda, "raconteurs", em francês, menciona os contadores de história da Idade Média: as letras -- por vezes, adolescentes -- sempre narram a trajetória de um homem que não sabe se quer crescer e vive em busca de sua maturidade, seu amor e equilíbrio. Parecem sugerir uma analogia com a essência da própria banda -- em que seus integrantes buscam a criatividade em um contexto diferente ao de suas experiências anteriores.

É isso. Eu fico por aqui, aproveitem esse ótimo álbum.

Mediafire: Broken Boy Soldiers - The Raconteurs

Frank Zappa - Hot Rats

Experimental | Progressivo | Avant-Garde | INCLASSIFICÁVEL | GÊNIO

1 - Peaches En Regalia
2 - Willie The Pimp
3 - Son Of Mr. Green Genes
4 - Little Umbrellas
5 - The Gumbo Variations
6 - It Must Be A Camel


      Amigo, não tenho nem o que falar dele pra vocês. Pra facilitar, vou colocar uma lista de pequenos atributos que ele possuiu:

      Multi-Instrumentista [o que inclui: Guitarra. Bateria. Piano. Baixo. Vibrafone. Sintetizador. Percussão. Synclavier. Harmônica. Escaleta. ETC]. Compositor. Cantor. Produtor musical. Diretor de cinema. Maestro. Arranjador de trilha sonora de filme. Fundador do selo DiscReet Records. Político. Candidato à presidência dos EUA. Consultor de assuntos comerciais, culturais e turísticos para a porra da Tchecoslováquia. E, ah... Ele gravou 59 discos.


      Irreverente ao extremo. Sua polêmica visão política, cultural e religiosa. Composições de extrema complexidade e letras que fogem totalmente do que as pessoas estão acostumadas, Zappa foi um dos músicos mais influentes de toda a história. Pioneiro na fusão do jazz com a música clássica, usava de recursos estéticos até letras cômicas para a atuação no palco que, grande parte dela, se baseavam em improvisações individuais ou em grupo, tudo comandado por sinas que Frank fazia apenas com as mãos.

      Infelizmente este gênio morreu em 1993 devido a um câncer de próstata terminal. Em seu legado, ficaram 59 discos produzidos por ele, sua banda The Mothers Of Invention ou gravações junto com seu amigo íntimo que foi Don Van Vliet (Captain Beefheart). Mais vinte e uma compilações de singles e coletâneas, o que gera um número incrível de fucking OITENTA discos em seu nome (mais até que Dylan). Sua influência passou por grandes nomes como Black Sabbath, John Frusciante e System Of A Down, chegando a considerar Steve Vai como um pupilo seu.


      O cara simplesmente passou por tudo possível nessa vida. Sua influência como guitarrista também é muito vista, já que começou a tocar desde 1957, com 17 anos, e assumiu o instrumento como uma arma principal unida às suas composições (tanto musicais como letrísticas). Revolucionário em todos os sentidos, Frank Zappa abordou de temas religiosos até científicos, fazendo uma baita crítica a tudo quanto é coisa. Porém, nesse álbum a coisa se baseia apenas na música, sendo praticamente instrumental.

      Contendo a ÉPICA "Peaches En Regalia" abrindo o disco, Zappa mostra toda sua capacidade de composição. Sendo o primeiro disco feito após o fim do Mothers Of Invention e levando apenas o seu nome, Zappa detonou padrões musicais e enfiou na cabeça de seus fãs de que seu som era mais do que insano. Era complexo, elaborado, louco. Sua música tinha paixão. Colocar tudo quanto é instrumento que quisesse e tirar algum som dele (fator pelo qual ele LOUVOU o Synclavier em 1984, lançando cinco álbuns só nesse ano). Além desta, minha preferida também fica com "Son Of Mr. Green Genes", possuindo arranjos empolgantes na guitarra e uma composição digníssima.



      Nem vou definir o resto do disco. Para os amantes de músicos que tem parafusos a menos, Zappa é um dos melhores exemplos e não deixa nada a faltar. Competência de um grande auto-didata e revolucionário musical que apesar do baixo rendimento de seus investimentos em música no início da carreira, ele meteu o narigão pra cima e continuou fazendo o melhor que podia, sendo no Mothers Of Invention, sozinho, ou na parceria incrível com Captain Beefheart.


Bom proveito!

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Anexo do Wikipedia - Discografia do Zappa

Site Oficial - Zappa.com

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Constantina - Constantina

Instrumental | Experimental | Post Rock | Brasil

1 - Porque Sim
2 - Treinando Para Ser Chuva
3 - Depois da Euforia
4 - Magnólia
5 - O Que o Momento Não Diz?
6 - Santa Rosalia
7 - Tudo Possui um Lugar
8 - Ele já Atravessou Todos os Oceanos do Mundo


      Como conheci isso? Não lembro muito, sinceramente. Meio que, durante aquela época que até comentei aqui, fui procurando as bandas estritamente ligadas ao instrumental nacional e independente (precisamente ao Hurtmold) e achei uns caras como esses. Fiquei realmente surpreso com a qualidade do som dos sujeitos e até cheguei a ir num show deles junto com Ruído/mm (que você pode conferir a resenha aqui) e, velho, que sonzeira os caras fizeram.

      No palco tinham uns sete caras. No final do show eles chamaram os caras do Ruidão pra subir e eram uns doze tocando TUDO, literalmente: Bateria, baixo, guitarras, escaleta, vibrafone, sintetizador, trompete, tarol, percussão, triângulo, conchas, molho de chaves, ralo de pia (é sério). Além da incrível capacidade de improviso dos caras, a qualidade sonora era incrível. A relação dos músicos com a música era quase como amor. Tudo milimetricamente ajustado e afinado. Incrível.


      Os caras são daqui de BH, precisamente de bandas extintas que já rodavam por aqui faz muito tempo: Ana, Retórica, Moan e Filit. Com uma bagagem musical pesada e com iniciativa de sobra, Constantina lança esse álbum homônimo em 2005, sendo o primeiro trabalho em estúdio dos seis juntos. Levando o selo da própria banda, La Petite Chambre, Constantina mostra uma intríseca relação com o post rock, colocando as guitarras como principal arma, mostrando cuidado, também, na linguagem estética da capa do disco e nos títulos das músicas.

      Quando ouvi isso, foi uma surpresa, confesso. O arranjo extremamente simples e belo das guitarras faz com que esse disco seja mais do que fiel ao que promete, mas também uma sugestão de tempo de prazer em apenas escutar música. Não é algo para se ouvir enquanto estiver ocupado, porque ele vai te distrair. Ouça-o na cama, na rua, na Praça da Liberdade (fazendo jus ao nome de uma banda belorizontina) e simplesmente entre na atmosfera que ele transmite.

      O som é uma viagem instrumental. Diversificação no som e nos arranjos, só isso. Uma liberdade musical tão incrível que, durante o show que eu fui, os caras trocavam de instrumento toda hora, mostrando que são ótimos instrumentistas. Além disso, a criatividade é outra coisa assustadora. Pegar chaves e colocar em ralo de pia para usar de percussão não é nada comum, saiba, rs. O disco é quase como uma música, seguindo uma linha e progredindo até uma mensagem final, típica relação no post rock, mas é só ouvindo mesmo pra concluir que, apesar de não vermos por aí direto, essa cidade ainda tem música que salva.

      As belíssimas guitarras em uníssino se unindo com o singular tom da escaleta ficam claros na primeira faixa, "Porque Sim", abrindo o disco com uma atmosfera incrível que continua por todo o resto do álbum. Também presentes em "Treinando Para Ser Chuva", mostrando-se mais harmônica ainda em conjunto com o vibrafone e o som de, é claro, chuva. Mais evidente na ultima faixa, "Ele já Atravessou Todos os Oceanos do Mundo", que além de ter um nome bem sugestivo ela te faz quase sentir o cheiro de sal de mar (e sabe-se lá por que). Minha predileta ainda é "Santa Rosalia", que fica resumida em uma palavra: Infância. O som de crianças correndo e jogando bola e gritando dão um toque mais do que perfeito para a singelidade da música.


[Vídeo do Pequenas Sessões aqui em BH (único que achei)]

      Bem, a coisa fica só escutando mesmo. Fica também a felicidade de se ter sons desses por aqui, dando um pouco de esperança aos que ainda tem lucidez para correr atrás do seu próprio som, mesmo que seja feito em um estúdio caseiro como este aqui. Seja instrumental ou não, Constantina é uma ótima sugestão pra começar nessa segunda feira monótona (como todas as outras). Bom proveito!

Site Oficial Constantina

My Space - Constantina

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domingo, 12 de setembro de 2010

B Fachada - B Fachada

Folk | Portugal | Música para ouvir em dias de chuva

1 - Responso para Maridos Transviados
2 - Cantiga de Amigo
3 - O Desamor
4 - A Velha Europa
5 - Tempo pra Cantar
6 - Estar à Espera ou Procurar
7 - Setembro
8 - O Teu Azar
9 - A Bela Helena
10 - Só te Falta Seres Mulher
11 - Kit de Prestidigitação


      Aviso para os que odeiam o sotaque português: não baixe isso.

      Eu tenho uma tia que sempre viaja para Portugal e, recentemente, acabou de voltar de lá. Um tempo atrás uma conhecida dela, da Ilha da Madeira, veio junto da viagem e, cara, eu passava mal só de ouvir aquela mulher falar. Um sotaque extremamente puxado e quase agressivo. Muito, muito estranho e de cara criei asco contra o sotaque lusitano. Por incrível coincidência fui recomendado para ouvir essa cara (tenho quase toda certeza que foi o Matheus) e pensei: Porra, português? Que merda, nem vou gostar.

      Ouvi o disco a primeira vez, achei uma merda e dei péssimas críticas pra cima dele. Apesar de tudo, os arranjos instrumentais são ótimos. O que ferrava mesmo era o sotaque. Depois de umas semanas eu voltei a ouvir o disco lentamente, principalmente pela terceira faixa, "O Desamor", que era incrivelmente calma, me agradando muito e, a partir disso, comecei a acostumar com a língua deles.


      Antecipadamente, para quem irá ouvir as músicas que postarei, já aviso: B Fachada não é exatamente um cantor. É um artista. A música é uma questão estética, poética e, às vezes, cômica. Se eu quisesse um cantor assistiria Ídolos e me ficava por ali, mas o que coloco aqui tem uma textura diferente devido, principalmente, ao charminho do sotaque português. O grande problema é se acostumar com isso já que somos um povo que temos asco pelo costume vocal de pessoas de estados diferentes... Imagina então do país que nos colonizou. Não é mole.

      Lembrando que ele faz parte do FlorCaveira que, além de ser um dos ícones da revolução musical portuguesa, é uma editora musical independente formada em 2002 e dirigida pelo também músico Tiago Guillul, que deu espaço aos nomes que mais crescem em Portugal como Samuel Úria, João Coração e o próprio B Fachada. Para quem não conhece, a música portuguesa é essencialmente folclórica e erudita, muito ligada ao classicismo lírico que acompanha a nação desde a idade média. B Fachada denomina o seu som como um "folque(lore) muito erudito", sendo irônico em unir as duas características da antiga música portuguesa em seu nome.

      Vejo esse álbum como um para ouvir em dias chuvosos, né? Mas só algumas músicas. Eu separo, em destaque, a última faixa "Kit de Prestidigitação" sendo como uma das mais genias, falando do desejo de posse das coisas que as mulheres tem, principalmente as que estão apaixonadas. Também fica a belíssima "Tempo para Cantar", com acordeon, viola braguesa e uma letra incrívelmente singela. Minha preferida ainda é "O Desamor", que passa uma tranquilidade imensa pela sua melodia, o piano, a composição sobre viagem para a Escócia e, é claro, o charme (que você terá que acostumar a ouvir) do timbre português.



      E, ah.. Uma sugestão: Talvez eu tenha desgostado de cara por causa da primeira faixa, "Responso para Maridos Transviados", que tem uns arranjos bem estranhos e um vocal extremamente puxado que me fez quase chorar de dor. Então, pule para a segunda faixa para ouvir a primeira depois de ter acostumado um pouquinho, fechado?

      Não digo que você vai gostar, mas deixar de conferir essa coisa aí é um pecado. Então vou deixar o link do myspace e do blog do FlorCaveira para vocês darem uma conferida antes de baixar, para depois que conferirem e gostarem, venham aqui e baixem. Bom proveito!

Myspace - B Fachada

Blog FlorCaveira

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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Arnaldo Baptista - Singin' Alone

Psicodélico | Experimental | Brazilian | GÊNIO

1 - I fell in love one day
2 - O Sol
3 - Bomba H sobre São Paulo
4 - Hoje de manhã eu acordei
5 - Jesus, come back to earth
6 - The Cowboy
7 - Sitting on the road side
8 - Ciborg
9 - Corta Jaca
10 - Coming through the waves of science
11 - Young blood
12 - Train
13 - Balada do louco

      Vejo Arnaldo como um gênio que nosso país teve e foi desfalcado por, infelizmente, grandes e seguidas catástrofes. O revolucionário som feito pelos Mutantes era composto, basicamente por ele e seu irmão mais novo, Sérgio Dias, e deixando de ser imparcial: não apenas pela grandiosidade da mente de Arnaldo mas por várias coisas, toda a imagem dos Mutantes ia para a propaganda que era Rita Lee. Esse é apenas o começo para um asco que tenho pra com essa mulher.

      A maioria das composições do psicodelismo feito pelos três era construída essencialmente por Arnaldo, inclusive os arranjos instrumentais, já que era um excelente pianista, baixista e compositor. Casou-se com Rita ainda na época do grupo e tudo parecia mil maravilhas. Até que durante uma turnê na Europa, Arnaldo e Sérgio se envolveram com o rock progressivo (e o LSD) e após a volta, Rita Lee saiu da banda pois, segundo os dois, não possuía virtuosidade suficiente para tocar, dando fim, também, ao casamento com Arnaldo, sendo que até hoje as causas do término do relacionamento são muito contraditórias e imprecisas. Em 73, Arnaldo saia dos Mutantes.

Shakespeare para as vidas


      Durante muito tempo Arnaldo sofreu uma intensa depressão e vício pelo LSD, passando por um péssimo tempo como produtor musical, o que o motiva a tentar a carreira solo. Em 74 ele lança Lóki?, considerado um dos melhores discos nacionais e seu melhor trabalho. O problema de Loki? era sua relação intensa com o término dos Mutantes e a construção do disco por, praticamente, somente ele.

      Em 77, recebe um convite de seu irmão para remontar os Mutantes, mas recusa e forma o Patrulha do Espaço, que durou apenas um ano, se mostrando mais um insucesso na sua vida. Um longo período de tempo Arnaldo se submerge nas drogas e tem uma iluminação criativa em 81, começando a gravar o Singin' Alone, que é lançado em 1982. No mesmo ano, como em outras cinco oportunidades, Arnaldo é internado numa clínica psiquiátrica e, devido sua agressividade pela falta de drogas e pelo aprisionamento, tenta suicídio pulando do terceiro andar do prédio no dia do reveillon, fraturando a base do crânio. Um acidente que deixou sequelas na sua vida até hoje e comprometeu, em muito, sua capacidade musical. Ele ficou mais de quatro meses em coma, acordou milagrosamente e andou a pé até sua casa...


      Esse disco é simplesmente um "Loki? 2", uma última recordação da capacidade criativa de Arnaldo, mostrando e vomitando todas suas mágoas, dores e decepções em uma viagem musical muito difícil de entender e fora de padrões de compreensão. Coisa de louco. Um disco genial, totalmente arranjado por ele, com letras incríveis, depressivas e fortemente marcada pelas cicatrizes que ficaram ao longo de nove anos passados do término dos Mutantes. Definições para esse disco seria: Absoluto e lindo, somente isso e nada mais. O reflexo de uma vida nada fácil misturada com a mente de um gênio perturbado. Lembrando também que todos os instrumentos tocados em todo o disco, exceto na última faixa, são tocados somente por ele, mostrando o exímio instrumentista que era.

      Cada faixa melhor que a outra, algumas dançantes, outras calmas enquanto existem algumas psicodélicas. Arranjos belíssimos de piano e apenas composições dele, simplesmente uma passagem de sentimentos em palavras em faixas como "I fell in love one day", solenemente acompanhada pelo piano e pela singela voz (quando consegue) de Arnaldo em inglês. "O Sol" é uma viagem psicodélica, acompanhada pelo orgão e uma letra intrigante, seguida por suaves "ba-ba-tchuba ba-ba-tchuba yeah". O troféu do disco fica, em minha opinião, nas mãos de "Bomba H sobre São Paulo", uma das músicas mais lindas que já ouvi. Cristais daqueles que colocamos na porta de casa tocados durante a música, guiada basicamente pelo dedilhado da guitarra e uma das letras mais tocantes que já vi, singela e linda. Só ouvindo mesmo para falar.



      As mais animadas ficam com a excelente "Train", ritmo incrível e cantada ora em português, ora em inglês. A psicodelíssima "Ciborg", uma das músicas com a letra mais intrigante de todas, relacionando uma carona num carro com "espirais da elipse curta do abismo material", como ele mesmo diz, haha! Um excelente remake de "Balada do louco", também composta por ele e adicionada ao disco em uma revisão posterior. Clássica! Sem contar as incríveis outras faixas que você tirará sua conclusão apenas ouvido.

      Bem, eis um disco importantíssimo para quem quer conhecer o melhor do psicodelismo nacional que, apesar de ter perdido força na década de oitenta, continua sendo um marco na história musical brasileira. É um trabalho de difícil digestão e que deve ser ouvido com calma para se entender as entrelinhas das composições e conseguir compreender a verdadeira mensagem por esse mestre que é Arnaldo. Bom proveito!





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Tom Waits - Mule Variations

Folk | Experimental | Alternative | Tom Waits | DEUS


01. Big In Japan
02. Lowside of the Road
03. Hold On
04. Get Behind The Mule
05. House Where Nobody Lives
06. Cold Water
07. Pony
08. What's He Building?
09. Black Market Baby
10. Eyeball Kid
11. Picture in a Frame
12. Chocolate Jesus
13. Georgia Lee
14. Filipino Box Spring Hog
15. Take it with Me
16. Come On Up to the House




A genialidade, a voz e a extrema beleza desse álbum fazem com que tudo faça mais sentido, Tom Waits é ao meu ver um dos maiores cantores do mundo, e esse álbum mostra bem o porque disso.






Mediafire: Tom Waits - Mules Variations

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dave Brubeck Quartet - Time Out

Jazz | Cool Jazz | Instrumental | JENHO

1 - Blue Rondo A La Turk
2 - Strange Meadow Lark
3 - Take Five
4 - Three To Get Ready
5 - Kathy's Waltz
6 - Everybody's Jumpin'
7 - Pick Up Sticks

      Estranhamente eu tinha conhecido Dave Brubeck como solista em piano a uns anos, aleatoriamente. Depois procurei conhecer o quarteto no qual ele tocava e gostei. Acontece que, assim como tudo que você ouve muito, eu enjoei. Fortuitamente, encontrei um JENHO que fez um mashup de Five Steps, do Radiohead e Take Five, do Dave Brubeck Quartet. A coisa foi tão incrível que voltei a reouvir.

YORKE, BRUBECK, SEUS LINDOS.

      Depois da euforia de "re-ouvi-lo" compulsivamente, fui descobrir que Dave Brubeck foi um dos mais influentes pianistas da década de cinquenta, sendo que esse álbum foi o lançamento mais vendido do ano de 1959. Além disso, o disco entrou em centenas de lista, inclusive algumas da Rolling Stone. Existem pessoas que dizem, até, que Time Out empata com o épico Kind Of Blues do Miles ou o homérico Giant Steps de Coltrane. E suponho que eu seja uma delas, rs...

      Não é de se surpreender. Brubeck tinha uma quase telepatia com o saxofonista Paul Desmond que, apesar do grupo ter o nome do pianista, era basicamente quem levava o som, juntamente com o altamente relaxado (e, digo, estiloso) baterista Joe Morello e com o groove pesado de Gene Wright no baixo. O resultado disso tudo é um disco limpo, suave, no melhor estilo do Cool Jazz, pra acender um cigarro e apenas se deleitar ao som do levante sax e ritmo.


      O disco com sete faixas incríveis foi aplaudido no mundo todo por, principalmente, Take Five, composta por Paul Desmond, que fez com que o disco chegasse à quinta posição na Billboard de compactos, notória por sua melodia distinta, o solo de bateria de Morello e seu inusitado compasso de 5/4, de onde se origina o nome da composição (apesar de ter ficado famosa, não foi a primeira composição americana em 5/4, mas foi uma das únicas que atingiu o público com relevância).

      Além de Take Five, faixas como "Blue Rondo A La Turk", que abre o disco, com ritmo único, compasso marcado pelo piano e tocada no clarinete por Desmond, deixando o sax de lado. Além desta, o longo tempo de "Strange Meadow Lark", sua introdução pelo piano de Brubeck e a suavidade de sua composição, lembrando até Vince Guaraldi, aumentam a prestigiosidade da obra. Interessante lembrar também "Pick Up Sticks", que recebeu este nome porque, nos ensaios, Joe Morello tentava arremessar as baquetas por trás das costas e pega-las pela frente, mas sempre caiam. Noob.

Take Five, em toda sua beleza.

      Enfim, ligue o som bem alto, prepare um café e acenda o seu cigarro pelo lado de fora da janela e simplesmente entre na belíssima obra desse quarteto. Bom proveito!

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Them Crooked Vultures - Them Crooked Vultures

Hard Rock | Rock do Bom | Supergrupo | Melhor Álbum/Banda de 2009

  1. No One Loves Me & Neither Do I
  2. Mind Eraser, No Chaser
  3. New Fang
  4. Dead End Friends
  5. Elephants
  6. Scumbag Blues
  7. Bandoliers
  8. Reptiles
  9. Interlude With Ludes
  10. Warsaw Or The First Breath You Take After You Give Up
  11. Caligulove
  12. Gunman
  13. Spinning In The Daffodils

A Idéia foi o seguinte. Dave Grohl (Ex-Baterista do Nirvana, Ex-Guitarrista e Vocalistado Foo Fighters e Músico em geral) ao fazer sua festinha de 40 anos, foi fumar um baseado e começou a olhar pro seu passado e ver o que ele realmente fez de bom na música. E na mesma Bad Trip surgiu uma idéia maneiriça de se juntar com Josh Homme (Ex-Guitarra e Vocal do Kyuss, QotSA) e com o mestre John Paul Jones (Ex-Baixista do Led Zeppelin). Mas a idéia só começou a sair do papel, uns 4 anos depois do fato.

No Inicio de 2009, a mulher de Josh Homme, Brody Dalle, anunciou que tinha ouvido o som que os caras estavam produzindo, e que a coisa tava ficando um som pesado e dançante, algo novo e muito incrível. A curiosidade tava começando a aumentar.
A jogada dos caras foi surpreendente. Seguraram qualquer amostra do som o POSSÍVEL. Anunciavam e anuciavam secretamente, mas sem mostrar nem uma fotinha nem vídeo do que faziam. Ai anunciaram seu primeiro show. Dia 09 de agosto, em chicago. Na estação de metro, e botaram essa imagem espalhada pela internet e pela cidade.




Mistérios a parte, depois de um tempo lançaram seu primeiro single: "New Fang" que mostra com o força o poderoso Hard Rock criado na mistura da guitarra de Josh Homme com a Bateria de Dave Grohl, mas ainda não mostrava o espiritualismo e a misticidade do baixo e do teclado de Jonesy. Até que em um maravilhoso dia de outubro, decidiram por fim lançar o cd, que estava com data marcada, mas nem mesmo os tiozinhos estavam com paciência pra esperar a lançar.
Mandaram um Link na Internet, com todo o CD para download e escrito "FUCK PATIENCE, LET'S DANCE!".

E aí começou o reinado. Durante 2009 e 2010 fizeram turnê por todo o mundo, mostrando o que 3 putas músicos conseguem fazer se reunir suas idéias de forma sucinta. Durante esse tempo também saiu de interessante, um vídeo do Baterista Dave Grohl contando como seu vício por cafeína o interrompeu de continuar no estúdio pra tocar, o cara já tava ficando agitadão e nem conseguia durmir. Vale a pena ver o vídeo pra dar umas risadas. Aqui está o link do vídeo.
FRESH POOOOOOOTS!!!



O Som dos caras sofre muitas influências do Stoner Rock e do Hard Rock criado pelo Led Zeppelin, mas as letras são viagens pesadas. Guitarras pesadas, com riffs graves, bateria poderosa e com muitos grooves dançantes, e uma linha de baixo alucinante. (Mesmo que em cada música Jonesy usou um instrumento diferente pra gravar. Desde baixo de mais de 8.000 cordas ao Piano Clássico). Josh Homme sentou no estúdio com JPJ e os dois ficaram desembolando pensamentos, críticas, e coisas obscuras de suas mentes pra refletí-las nas músicas. Diz o próprio JPJ que via Josh escrevendo, e começava a jogar idéias mais obscuras ainda, pra mostrar o interior do consciente. As letras variam de Amor até Imigração. Vale a pena conferir.


Não tem como dar destaque à umas músicas à outras não. Pra mim. Na MINHA OPINIÃO, esse disco foi o que o ROCK tava precisando mesmo, tem tempos que não se ouvia um som com uma qualidade dessa. Se pudesse dar uma nota, eu daria nota 10 mesmo. Me desculpa se você não gostou, mas esse albúm é essencial pra sobreviver nessa década. E a promessa de que próximos discos virão é eminente, logo, mal posso esperar pro segundo sair. E aposto que eles conseguem fazer algo até melhor que esse.



Sem Link, pois o disco está a venda no mercado brasileiro, ele é facilmente achado pra comprar por aí.
Digo que vale a pena.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Silverchair - Freak Show



Grunge | Alternative | Silverchair | Adolescente JENHO



01. Slave
02. Freak
03. Abuse Me
04. Lie to Me
05. No Association
06. Cemetery
07. The Door
08. Pop Song for Us Rejects
09. Learn to Hate
10. Petrol & Chlorine
11. Roses
12. Nobody Came
13. The Closing


Agora eu vou falar de um dos meus álbuns favoritos dos 90's, o Freak Show do Silverchair, o precursor da genialidade de Daniel Johns com sua pouca idade e grande experiência musical e emocional, que consegue trazer a carga de violência e belas melodias num único álbum, as melhores faixas do álbum pra mim são: Slave, Freak, Abuse Me e Cemetery.
Algumas com uma pegada mais pop alternativa e outras com uma pegada grunge violentíssima.



Acho que o tempo fez bem pra eles, hein?




Agora coloco um vídeo deles ao vivo tocando Slave na Argentina.


Mediafire: Silverchair - Freak Show (1997)

domingo, 5 de setembro de 2010

Joy Division - Unknown Pleasures

Post Punk | New Wave | DEPRESSÃO PROFUNDA

1 - Disorder
2 - Day Of The Lords
3 - Candidate
4 - Insight
5 - New Dawn Fades
6 - She's Lost Control
7 - Shadowplay
8 - Wilderness
9 - Interzone
10 - I Remember Nothing

      A "década perdida" do rock não existe. Tudo se refaz e novos conceitos surgem das cinzas, trazendo material novo (e aparentemente inesgotável) para suprir os buracos dos dentes da história da música. Acontece que a década de oitenta foi totalmente desvirtuada da década anterior, que possuiu muita relação com a antecedente, os 60s. Durante os anos setenta, grandes gigantes ainda caminhavam, como o Led Zeppelin, The Who e Pink Floyd, mas outras também cresciam como, por exemplo, o AC/DC, mantendo muita relação com a década passada. O foda foi que nos 80 a coisa mudou totalmente. A explosão de caras na linha de Smiths, Cure e Joy Division foi incrível.

      Bem, esse aí é, precisamente, um dos melhores discos que já ouvi. Depressivo além da conta. Totalmente blasé e é um dos que precisavam de mais faixas do tipo pra ficarem perfeitos. Até pensei em adicionar a ÉPICA Love Will Tear Us Apart , mas já é tão batida e conhecida que eu preferi deixar o cd pronto e todo pra download, porque, meu amigo, esse aí é uma obra de arte.


      A capa do álbum não são montanhas. É parte de uma captação, através de um medidor de pulsos, da morte de uma estrela, considerado uma obra de arte feita por Bernard Sumner. Não veio, também, com descrição de lado A ou B, porém foram inicialmente batizados de "Inside"e "Outside", convencionando-se de que o lado que começava com Disorder seria o A. Foi lançado em 1979, repercutindo com violência imediatamente. Com dez faixas insanas, densas, claustofóbicas e com letras altamente depressivas, marcam um dos maiores trabalhos do post punk já feitos. Infelizmente, Ian Curtis suicidou em maio de 1980, dando fim ao Joy Division. Os membros remanescentes formaram o New Order, que toca até hoje.

      Algumas faixas merecem um destaque, como a clássica "Disorder", abrindo o álbum com a bateria quase militar de Stephen Morris, característica do Joy Division. "New Dawn Fades", uma das mais densas e profundas do disco, toma espaço e abre para "She's Lost Control", uma das mais tocadas até hoje do Joy Division, quase falada por Ian Curtis, com uma letra perturbadora e incrivelmente pesada...



      Bem, dar nota pra esse disco é besteira, adiantando que pararei de notificar álbuns, já que tudo que posto aqui é das coisas que estou, relativamente, ouvindo bastante. Logo, vista por um ponto pessoal, nada que estivesse sendo postado aqui merecia nota. E, bem, aos que forem ouvir isso aí, avisando: Se estiver feliz, vai ficar depressivo. Se estiver triste, vai ficar depressivo. Dá na mesma então bom proveito, rs.


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