quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Perdeu a Língua - Mamparra

Experimental | Post Rock | Brasilsilsil | Instrumental Of Doom

1 - Visão Periférica
2 - Queda Livre
3 - Mamparra
4 - Zen
5 - Nasce, Cresce, Reproduz e Morre
6 - Alto Relevo
7 - Sinal Vermelho
8 - Controle Remoto
9 - Homem Bomba
10 - Numa Tranquila, Numa Relax, Numa Boa
11 - Algodão Doce


      Desde o final de semana eu venho com essa cisma das bandas nacionais e ela está crescendo cada vez mais. Eis que antes de ontem eu, unindo essa fissura cin o TOC que possúo por organização musical, fui reorganizar as tags de gênero no meu itunes. Separei, em suma, somente as bandas nacionais em três divisões: Experimentais, Instrumentais e Alternativas. Aí já imagina a confusão que ficou, né? A que me deu maior problema em separar foi essa aqui, Perdeu A Língua.

      Apesar de não gostar de classificar os tipos de som, como disse em alguma postagem anterior, a bagunça estava tão grande que mereceu uma varrida geral. Desenterrei essa banda aqui que, não lembro como, já estava na minha biblioteca fazia eras e tinha ouvido pouquíssimas vezes. Então prometi ouvir novamente, com cautela e muito amor. Saí todo serelepe ouvindo pelas ruas (com um fone que fazia com que eu parecesse um atendente de call-center) e me surpreendi pra caramba. Veio novamente aquele sentimento: COMO NÃO OUVI ISSO ANTES? O pior foi que eu ouvi e não dei a devida atenção ao som dos caras.


      A banda foi formada em 2006 a partir das cinzas da extinta Triste Fim de Rosilene, que acabou no mesmo ano. Antes composta por cinco pessoas e um vocal feminino, os caras saíram de lá sem a menina e montaram Perdeu a Língua, que lançou este disco no ano passado, sendo seu primeiro trabalho em estúdio. Do extremo nordeste, o som do grupo saiu de Aracaju, Sergipe, e atingiu (e com força) um nível de qualidade musical que quase nunca vi. Um som milimétricamente bem cuidado, que consegue se "deixar deixando" sem que você nem perceba que é uma banda brasileira, porque este disco, meu caro, é uma beleza.

      Duas guitarras, baixo e bateria. Criatividade de sobra e vontade de fazer algo que realmente preste. Acabou, isso é o suficiente para sair um trabalho de qualidade e que, enquanto espero o ônibus, me faça ficar chocado de tão bom que é. Você abre a pasta, bota "Visão Periférica" pra tocar e, aos 1:20, quando o ritmo começa e o solo sái, você nem percebe mas já está balançando a cabeça pra frente a para trás. Incrível! Não subindo nota, mas eles tem um swing extremamente bem trabalhado. Uma harmonia entre bateria e baixo que é difícil de se encontrar. As duas guitarras em arranjos totalmente diferentes, ditonando notas que são reproduzidas com uma fieldade quase lírica pelos fones/amplificadores. Essa junção dos instrumentos fica perfeitamente vista em "Zen", que combina percussão e contra-baixo de um modo bem singular e agradável. Mudando completamente do zen pro agitado, fica "Sinal Vermelho", sétima faixa bem agitada e metronometrada nos instrumentos. Um trabalho profissional em questão de tempo e arranjo, sendo, ao mesmo tempo, complexo e agradável, fica evidente em "Numa Tranquila, Numa Relax, Numa Boa" que faz jus ao seu nome: tranquila, relax, na boa. O baixo leva nos slaps e depois se deixa guiado pelos incríveis arranjos das guitarras. Agora, de que adianta falar? Só ouvindo mesmo, rs!

Ainda fazendo barzinho, hein.

      Não tenho mais como saber como estão andando os downloads porque estou usando links de fora para não receber reclamações da APCM ou da DMCA, que deletaram algumas postagens devido a hospedagem dos links em uma conta no mediafire, então estou com fé que vocês estejam baixando bastante, haha! Perdeu A Língua também faz parte da web-label sinewave, possuindo apenas 323 ouvintes no Last.fm. Agora é hora de sair ouvindo por aí e parar de enrolação! Bom proveito!


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My Space - Perdeu A Língua

Este Silêncio - Ouroboros

Post Rock | Ambiente | Experimental | Brasileiro

1 - Genesis
2 - People Who Fall In Love With Each Other Rarely Stay Together
3 - Vida Futura, Nós Te Criaremos...
4 - Milagre
5 - Ouroboros
6 - Different Pain of Men
7 - Distance
8 - In the Image of God He Created Him
9 - Gather Ye Rosebuds While Ye May
10 - The Cross and the Silence
11 - Let No Handle Made From You Enter Into Anything Made From Me, and I Shall Be Powerless to Injure You


      Para esclarecer: Essa não é a capa do disco. "Daniel, mas por que você colocou outra imagem senão a capa do disco?". Simplesmente porque não achei a capa em um tamanho mínimo pra colocar aqui. É tão desconhecido que nem o google achou a porra de uma imagem. Então coloquei a imagem de trás do disco mais pela coisa estética mesmo, assim como farei com o encarte e etc, porque o trabalho gráfico dos dois compactos são bem parecidos.

      Mas, bora lá! Curtiram o Bardella? Lindo, não? Simples e belíssimo como deveria ser. Como se diz: se melhorar estraga. Eis que venho aqui com mais um inestimável trabalho musical chamado Este Silêncio. O projeto é totalmente pessoal de um sujeito chamado André "Anti" Ross, que é o baixista das bandas Gray Strawberries e S.O.M.A., fazendo parte e atuando no meio musical com mais uma dezena de caras que buscam essa dita renovação musical que (rezemos, oh deus!) virá. Estou postando esse disco, por basicamente duas coisas: a criatividade e, em suma, por uma música.

encarte


      Quando ainda estava procurando por bandas interessantes para conhecer, me deparei com o nome do André Anti várias vezes e fiquei meio intrigado. Então descobri que ele é o principal compositor e arranjador do Gray Strawberries, que é uma banda relativamente conhecida no meio da música independente (principalmente sob a influência do post rock) devido que, quando seu primeiro disco saiu foi extremamente bem recebido pela crítica, apesar da precocidade do grupo: o integrante mais velho possuía 22 anos e o mais novo, 17. Este projeto, com forte influência do shoegaze, teve a saída de Anti em 2008 devido a prioridade que deu a suas outras aspirações: S.O.M.A. e Este Silêncio.

      S.O.M.A. foi fundada no final de 2007 por um grupo de amigos e foi seguindo. Com fortes influências de God Is An Astrounaut, Explosions in the Sky, Mogwai e GYBE. Porém isso é papo pra outra hora, rs. O importante mesmo fica aqui: Este Silêncio teve seu primeiro disco em 2008, com um álbum homônimo que me surpreendeu bastante por ser algo feito por apenas um homem. No ano passado foi lançado Ouroboros. Um disco que, como o primeiro, mescla de uma forma única a música erudita com o moderno, uma junção que não poderia dar errado. Inegavelmente, eu me apaixonei pelo disco. Ou melhor, me apaixonei por uma música.


      Você dá play, começa "Gênesis". Vozes saem e você se imagina numa igreja. É apenas um apêndice para o que está vindo. Com um dos mais belos nomes possíveis, a segunda faixa, "People Who Fall In Love With Each Other Rarely Stay Together", dá seu piano, bateria, guitarra, violinos e violoncelos, varrendo o chão, preparando o terreno e abrindo as cortinas para uma das músicas mais incríveis, tocantes e belas que ouvi em toda minha vida. Rapaz, quando ouvi isso me veio aquele sentimento de: COMO NUNCA ESCUTEI ISSO ANTES?? Fiquei quase revoltado por não ter conhecido anteriormente, porém vamos aprendendo a buscar as coisas com o tempo, nos acostumamos e, depois de pensar, conseguimos até entender que se tivéssemos ouvido tal melodia antes, poderíamos não ter entendido o sentido. Então, não venha me questionar se eu apertei o botão de "overrated", porque o que é bom para você pode não ser para mim, mas tudo bem, nós aprendemos.

      O que acontece quando coloca uma melodia incrível, habitada por violinos, cellos e piano, num ritmo calmo, suave, e uma voz cansada sussurando um poema de Carlos Drummond de Andrade? "Vida Futura, Nós Te Criaremos..." é uma experiência única. Pode ter sido apenas comigo, mas é uma criação próxima da perfeição musical. Bem próxima. Não dá nem pra falar nisso. Talvez tenha sido aquela coisa que só vem pra nós em uma época certa da vida e ilumina algo que precisava de uma luz de razão no momento de maior desespero. Paro por aqui. Não obstante, continuo colocando medalha para "Milagre", que, se não fosse dividida pelo nome e pela duração, mesclaria de uma forma sublime com a faixa anterior. De beleza descomunal e única, toca o fundo do poço e preenche o vazio entre os vazios.

André Anti, primeiro da esquerda pra direita.


      
Esta temática da poesia de Drummond é explorada em todos os trabalhos dele, sendo a obra Mundo Grande, tem um trecho no primeiro disco, é bem definida neste e é comentada no terceiro. Mas fiquemos com esta. Bem, o download fica aí embaixo para vocês e, digo: é poesia em música, então ouça o som, ouça a letra e sinta a coisa, senão tudo perde sentido e isso vai acabar indo pro esquecimento na sua pasta, rs. Bom proveito!


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Myspace - Este Silêncio

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Bardella - Passagem

Instrumental | Post Rock | Experimental | Para ouvir em dias chuvosos

1 - Liza
2 - Lujin
3 - O Jardim
4 - Deixai Entrar A Morte
5 - 21 de Agosto
6 - Precipitação, Tempestade


      Eu não devo ter o mínimo senso de direção. Ontem postei bossa nova. Hoje posto algo totalmente diferente. Não tô com um sentido em mente nem uma progressão de coisas pra escrever aqui. Primeiramente porque não faz sentido seguir a mesma linha e, em segundo lugar, porque meu humor musical varia tanto quanto eu troco de roupa. E, antes de escrever qualquer coisa sobre essa banda, vou abrir espaço para um questionamento aqui: Existe música de QUALIDADE no nosso país?

      Você, caro ignóbil, que respondeu um não à pergunta, merece estudar mais um pouco sobre isso. Tudo que é divulgado, que fica famoso e que toca no "Jovem Pan" não passa, afirmo, de lixo comercial. Ninguém ali quer música. Querem dinheiro. Isso mesmo, meu jovem, você está ouvindo DINHEIRO. Cada mente lavada, cada gota de cultura escorrendo desse pano frágil que a mídia torce todo dia, cada novo agregado do exército de mentes vazias que nasce, é mais peso nos bolsos e mais algarismos nas contas correntes dos grandes magnatas da mídia. Fico indignado porque nunca vi um ser humano com um daqueles sons de carro tocando algo que preste. O dia que eu der de cara com um sujeito desses, vou apertar sua mão e nomeá-lo como herói nacional. É incrível como a maioria da sociedade é manipulada de um modo tão sutil e suave (em certos âmbitos) que continuam a viver suas vidas sem que nada tenha acontecido enquanto suas mentes são drenadas para um único objetivo: pagarem impostos e consumir o desnecessário. Inclusive música.

  Me pergunto todo dia: que merda é essa?

      Acho que todo mundo já está careca de saber das modinhas e etc e designações e etc e de classificações e etc. Disso até minha mãe sabe. Porém ainda tem gente que reclama do nosso país no âmbito musical. Meu caro colega, se você soubesse da absurda quantidade de bandas independentes, originais e que estão aí querendo mudar esse cenário que dá dinheiro, você ficaria com vergonha de afirmar que Amarante foi o maior compositor que já nasceu aqui e que as bandas que prestam já acabaram. O maior problema é que ninguem pouquíssimas pessoas se importam na divulgação de música de qualidade, original e com sentido. É muito mais fácil vender dinheiro do que vender cultura, então "vamos deixar de lado os projetos independentes e vamos vender as coisas digeríveis e de baixo calão". Sim! É simples demais, não? Tudo tem seu lado bom e ruim. Me entristeço ao ver essa absurda realidade musical que é divulgada, porém agradeço todo santo dia pela capacidade que tive de reogarnizar as coisas e fugir desses padrões que saem da TV, rádio e celular de favelado no ônibus. Então, pensei: Já que obtive essa capacidade, por quê não passá-la para frente?

      Não menosprezando você, caro leitor, pois sei que a maioria das pessoas que acessam o blog tem uma vasta noção e conhecimento sobre música, porém escrevo aqui para os que não tem isto. Não digo que entendo de música. Perguntei pra minha namorada ontem qual era a definição pra "indie" porque eu realmente não sabia. Não gosto de classificar, nomear e criticar, mas tudo tem seu limite e abusar da paciência de quem quer mudar algo é como dar tiro no pé de anão. Não sou crítico e nem pretendo ser, porém a música continua sendo a minha maior fonte de prazer e pretendo até viver disso no futuro. Apenas amo a música. Então, a partir de hoje, postarei aqui uma quantidade pesada de artistas brazucas, quase desconhecidos, mas que possuem um som tão belo que deveriam ser reconhecido por todo o mundo.

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      Então, findo este protesto, vou dedicar as próximas linhas a este belíssima disco que coloco aqui. Baderlla é um projeto formado em 2008, em Cabo Frio, pela dupla Gabriel Novaes, na escaleta, e Guilherme Mello, guitarra. Exatamente isto, meu colega: Guitarra e escaleta. Mais nada. Minimalismo puro. Achei-os através de uma profunda busca nos confins do post rock nacional, indo a partir de caras como Blanched e Pequeno Céu (postado por mim aqui), e me surpreendi bastante. Composições singelas, simples, belíssimas e melódicas. A banda tem pouco mais de dois anos de carreira e, até agora, possuem apenas 388 ouvintes no Last.fm.


      Achei muito pouco sobre o projeto dos caras, nada mais de que o disco fora gravado em 2009 através da web-label sinewave (que, por acaso, é um site realmente incrível!) e faz parte de um conjunto de bandas independentes que, através do experimentalismo, buscam uma renovação musical pela divulgação na internet, tanto é que todos os trabalhos feitos através do sinewave são disponibilizados para downloads gratuitos. Realmente incrível, não?

      Ao disco, não posso falar muita coisa. Só faltava o barulho de chuva, um café quente e alguém para ser lembrado, que a melancolia desce e faz com que Passagem seja muito mais do que um disco, mas, sim, uma experiência. Seis faixas absurdamente singelas, simples e lindas. Tentarei falar um pouco de cada uma. "Liza" são dois minutos de amor, os acordes na guitarra reverberam aos poucos, dando um ritmo um tanto suave enquanto a melódica escaleta vai, aos sopros, levantando um poeira no fundo de cada um. Nostálgico, diria eu. "Lujin" é mais instrospectiva, densa, a guitarra leva mais a melodia e, com sobreposições, enche o ambiente com formações profundas ao mesmo tempo que o característico timbre do 'tecladinho' vai guiando a melodia. A terceira faixa, "O Jardim", fica como preferida. Suave e única. Apenas isto. O troféu de densidade vai para "Deixai Entrar A Morte", que mais parece um hino de tristeza do que uma música. De tão nostálgica, "21 de Agosto" te dará saudades desse dia (apesar de você nem conseguir lembrar o que almoçou ontem, rs.) Fechando o disco com "Precipitação, Tempestade", Bardella mostra, em quase sete minutos, uma das composições mais mínimas que já ouvi. Fica assim.


      Um disco belíssimo, resumo. Com apenas 24mb você confere um áudio impecável e composições altamente originais dessa dupla. Ao ouvir você vai entender o por quê do "Para ouvir em dias chuvosos", haha! Como o disco é bem levinho, colocarei apenas o myspace para futuras consultas. Deixei o link oficial do sinewave para baixar porque é de graça, fácil e os caras ainda descolam uns centavos com cada download (também deve ser o único link que existe, porque vai ser desconhecido lá na). É só clicar alí embaixo no link do sinewave e em "download", do lado da capa do disco que vai aparecer! Aproveite! Lembrando que nosso maldito querido Tito está se fodendo se divertindo no SWU lá em São Paulo, logo quem vai encher as páginas disso aqui nessa semana serei eu.

Download - sinewave

Myspace - Bardella

domingo, 10 de outubro de 2010

Frank Sinatra & Tom Jobim - Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim

Bossa Nova | Jazz | Clássico

1 - The Girl From Ipanema
2 - Dindi
3 - Change Partners
4 - Quiet Nights Of Quiet Stars
5 - Meditation
6 - If You Never Come To Me
7 - How Insensitive
8 - I Concentrate On You
9 - Baubles, Bangles And Beads
10 - Once I Loved


      Para falar desse disco é preciso falar de cada um por vez. Quem aqui nunca escutou a voz de Sinatra? Até os leigos já ouviram falar no nome dessa lenda. Sua voz característica, cadenciada e suave o tornou um fenômeno na década de quarenta, cinquenta e sessenta, colocando-o a par de grandes artistas como Elvis, por sua incrível influência no meio musical. Sem nenhum treinamento formal, desenvolveu um estilo altamente sofisticado para sua voz. Sua habilidade em criar uma longa e fluente linha musical sem pausas para respiração e sua manipulação de frases o fez chegar bem mais longe que o usual dos cantores populares da época. Seu sotaque sensual e melodias com forte influência do jazz o consagrou, chegando a gravar com gigantes como Louis Armstrong, Count Basie, Duke Ellington e os lendários duetos com Ella Fitzgerald. Além da música, Sinatra atuou em mais de cinquenta filmes de 1941 até 1990. Possuiu seu próprio programa de TV e continuou sua carreira musical até 1995, contabilizando cinco décadas de trabalho artístico. Morreu em 98, aos 82 anos, possuindo duas marcações na Calçada da Fama, uma pela música e outra pela televisão. Resumindo: Um mito.



      O que falar sobre Antônio Carlos Jobim? Compositor, maestro, pianista, cantor, arranjador e violonista. Um dos maiores expoentes da música brasileira e é, em termos práticos, o criador da Bossa Nova. Unanimidade crítica em qualidade, composição, harmonia e sofisticação musical. Letrista incrível, fez ponte, utilizando fundamentos eruditos de caras como Radamés Gnattali e Villa-Lobos na década de setenta como discos épicos como Matita Perê e Urubu, ápices da sua união de compositor e letrista. Gravou com Elis Regina, Edu Lobo, Miúcha, Chico Buarque, João Gilberto, Sinatra e Vinicius de Moraes, com quem teve uma amizade fortíssima. Junto com Moraes gravou composições clássicas como "Garota de Ipanema", "Só Danço Samba" e "Ela é Carioca". Absorveu da grande poética de Vinicius um estilo singular que foi o estandarte para a consolidação da bossa nova como estilo único brasileiro. É até engraçado que, neste disco, a voz de Jobim lembra, em muito, a de Vinicius.

Os dois juntos. Em Ipanema, é claro


      A história desse disco começa do lado brazuca. Jobim estava famosão, extrapolando as linhas nacionais e influenciando (e muito) uma galera dos EUA e da Europa que ainda queriam voltar aos bons e velhos tempos das décadas de 40 e 50. Queriam o jazz e o swing de volta, porém reformulado. Então esticaram os ouvidos para o Brasil e encontraram alguns caras como Caetano, Rogério Duprat, Tom Zé e outros tropicalistas, porém grudaram mesmo ao som de Tom Jobim. A sofisticação de suas composições e harmonias chamaram a atenção e este recebeu um convite para gravar com Sinatra. As gravações duraram cerca de um mês (apesar de todas as músicas irem para uma versão em inglês) e saíram impecáveis. No mesmo período houveram inúmeras apresentações televisivas dos dois juntos com Claus Ogerman, autor de arranjos do disco. Em 1967 foi lançado o passo inicial de uma série de discos consagrados de Jobim, que foi seguido por Wave, no final da década de sessenta.

      Bem, vou parar de enrolar com essa aula de história. O disco é incrível, só isso. Arranjos em flauta, violão, piano e, claro, os clássicos violinos e cellos das músicas de Frank. Tudo incrível, uma mistura perfeita entre bossa nova e o jazz de Sinatra. Destaque para algumas faixas como "The Girl From Ipanema", abrindo o disco com mais do que chave de ouro, cantada também por Jobim (ou seria Vinicius? rs) e, em inglês, por Frank. Também "How Insensitive" é belíssima, em toda sua beleza e tristeza ela se faz uma faixa swingada, suave e sensual. Coloco aqui um trecho de uma apresentação ao vivo dos dois, também em 1969, começando pela incrível "Quiet Nights Of Quiet Stars", com umas partes faladas de Sinatra. A qualidade não tá muito boa mas é só uma amostra, rs.




      Eis um disco único, belo e suave. Algo para ouvir na enquanto balança na rede e vê o pôr-do-sol, rs. Postarei aqui outras coisas de Jobim e seu companheiro Vinicius e, te garanto, que dupla incrível os dois são, haha! Bom proveito!

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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Janis Joplin - The Very Best Of (Coletânea)

Blues Rock | Blues | 60's | Deusa do mundo | Peace and Love Bro

  1. Me And Bobby McGee
  2. Cry Baby
  3. Kozmic Blues
  4. Move Over
  5. Piece Of My Heart
  6. Mercedes Benz
  7. Try
  8. Get It While You Can
  9. Down On Me
  10. Ball And Chain
  11. Summertime
  12. Mary Jane
Eu odeio coletâneas. De verdade. Acho que os Artistas perdem seu tempo pensando na ordem em que vão colocar as músicas em um CD, até preparam uma idéia em relação à continuidade delas. Coletâneas simplesmente estragam isso. Também sou contra ouvir uma música sozinha. TEM QUE OUVIR O CD TODO. Mas nesse caso é diferente. Primeiro, o CD ficou ótimo, e segundo eu ouço esse disco desde molequinho. Janis Joplin foi minha iniciação musical, foi por causa dessa mulher que eu descobri em mim a música.

Janis Lyn Joplin nasceu em Port Arthur, Texas. E cresceu cantando no coral da igreja e ouvindo belos blues. A garota descobriu a geração Hippie e se entregou totalmente, mudou se pra São Franscisco e lá foi entregue as droga e as BIBIDA. Essa mulher é simbolo da geração, ela é o que nois conhecemos de hippie, é o que nos esperamos de um hippie. Suas influências no Blues foram essencias para o crescimento musical da geração. As letras falavam sobre dor, sofrimento, repressão e guerra, que são fatos totalmente marcantes para a época dela. E por um infortúnio, há exatamente 40 anos atrás, Janis Joplin se entregou a heroína mais do que o normal, morreu de overdose, no dia 4 de outubro de 1970 em Los Angeles.


Essa Coletânea contem as melhores músicas da moça (ao meu ver), estas: "Me And Bobby McGee", "Piece OF My Heart" e "Move Over". Tem também um belo discurso no meio do cd, por isso ouçam com atenção até o fim do cd pra você ver como a mulé sabia repassar as idéias dela. Coisa Linda de DEUS. Minhas condolências pela morte dela, ela foi uma grande artista e esse post é uma homenagem à ela. Melhor. Acho que ouvir o que ela tinha pra passar é a melhor homenagem que se pode fazer. Então repassar o Cd, era o mínimo que eu posso fazer.

Ouçam com delicadeza e atenção.


domingo, 3 de outubro de 2010

Leonard Cohen - Songs of Leonard Cohen

Folk | Depressão | Compositor of doom

1 - Suzanne
2 - Master Song
3 - Winter Lady
4 - The Stranger Song
5 - Sisters of Mercy
6 - So Long, Marianne
7 - Hey, That's No Way to Say Goodbye
8 - Stories of the Street
9 - Teachers
10 - One of Us Cannot Be Wrong


      Aproveitando a linha do folk deixada aqui atrás por Cash, venho através deste apresentar-lhes Leonard Cohen (lê-se Bob Dylan + Dustin Hoffman). Na realidade, Cohen é um compositor incrivelmente conhecido pelas suas belíssimas letras, melodias suaves e pelo fato de estar há cinco décadas no meio musical. Estranhamente, passou a se dedicar à música somente após os 30 anos de idade, quando já era consagrado como autor de romances e livros de poesia. Hoje, com 76 anos, Leonard ainda faz concertos e é reconhecido mundialmente por, principalmente, seu primeiro disco: Songs of Leonard Cohen.

      Com quinze trabalhos de estúdio (alguns gravados ao vivo), suas músicas foram interpretadas ao longo dessas cinco décadas por uma pá de gente como Dylan, Jeff Buckley, Joan Baez, Nick Cave, U2, Ian McCulloch e até mesmo por Nina Simone. Em 2006, é lançado o aclamado documentário Leonard Cohen: I'm Your Man onde é interpretado pelo trilhista Rufus Wainwright e o líder dos Bad Seeds, Nick Cave. Em 1967, mesmo ano de lançamento deste disco aqui, ele participou do Newport Folk Festival, chamando a atenção de John Hammond que foi quem descobriu, entre outros, Bob Dylan e Billie Holiday. Este primeiro disco foi lançado no final do ano e, apesar do pouco reconhecimento musical que possuia, foi recebido com excelentes críticas. E com toda a razão de receber, pois é um puta disco.


      Em suma, a música de Cohen é uma coisa singela ao extremo. Sua carreira literária, que conta com mais de quinze obras, o influenciou bastante em suas composições. Não apenas como autor de romances, mas também como poeta, lançou seis livros (e inúmeras folhas avulsas de poesia) antes do lançamento de Songs of Leonard Cohen. Essa experiência com as palavras, unida à sua voz suave e à sua criatividade musical, Leonard compunha músicas não apenas harmônicas e ritmadas, mas também com um conteúdo poético incrivelmente denso e profissional, consagrando-se, assim, como letrista, compositor, cantor e instrumentista.

      Durante toda a sua carreira manteve-se ligado ao folk e nunca abandonou a estética acústica em suas apresentações (apesar da tecnologia mudar bastante em cinquenta anos). Essa permanência em suas raízes musicais também mostrou algo a favor em relação ao seu reconhecimento, pois mesmo após tantos anos, seu trabalho continua confiável como o visto neste disco aqui, em 1967. Apesar disso tudo, seu verdadeiro reconhecimento no espaço musical só veio na década de oitenta, com o lançamento de "Hallelujah" no disco Various Positions, em 1984, que foi regravada por dezenas de nomes consagrados, ficando realmente conhecida na voz de Jeff Buckley.


      Este é um dos discos mais lindos e melancólicos que já ouvi. Singelo, belo, suave e tocante. Com letras incrivelmente instrospectivas e emocionais, Cohen toca cada um através de coros de vozes, um dedilhado rítmico em seu violão e sua voz cadenciada que vai ditando suas incríveis palavras sem esforço no ouvido de cada um. Fazendo o uso de uma quantidade pequena de recursos, Songs of Leonard Cohen é marcado pela onipresença do violão e da voz de Cohen. Atrás disto, as vozes em coros, os instrumentos de corda, de sopro, metais e, às vezes, uma guitarra elétrica, contribuem para o minimalismo desta obra, dando o toque certo na hora certa e a medida correta do que se deve acrescentar à música para ela sair com uma beleza única.

      Todas as faixas são lindas em sua singularidade. Todas são belas e fazem deste disco um trabalho completo, sem aquelas faixas que diferem da imagem dele e fogem totalmente da proposta mostrada. De certa forma é único, porém tem suas músicas que merecem o devido destaque como, por exemplo, abrindo o disco, "Suzanne" mostra o que você ouvirá durante os próximos 41 minutos: Harmonia, vozes suaves e uma letra que eu vejo como "linda de matar". "Master Song" são seis minutos de pura beleza, uma melodia com violão, contra-baixo, guitarra, teclado e piano. Fica também "Hey, That's No Way to Say Goodbye", que lembra bastante a primeira faixa, mas sua composição é diferente (e com razão) e, pra quem entende inglês, vai se emocionar com a delicadeza desta música. Por último, destaco "One of Us Cannot Be Wrong", fechando o com chave de ouro. Só ouvindo mesmo pra entender do que falo.




      Agora, neste domingo, se está afim de fazer nada mais além de ouvir isto aqui, é só baixar e sair por aí com a suave voz de Leonard Cohen em cada um de seus ouvidos. Cuidado pra não ficar depressivo e suicida (se bem que é meio difícil) ao ouvir este disco e lembrar que amanhã terá que trabalhar novamente, haha! Bom proveito!


Leonard Cohen - Site Oficial
Leonard Cohen - Poesias e poemas traduzidos em português


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