segunda-feira, 10 de junho de 2013

Hurtmold - Cozido


Experimental | Instrumental | Post - Rock (?) | Math Rock (?)

1 - Kampala
2 - Fontanka
3 - Bulawayo
4 - Desisto
5 - Credenciais
6 - Mike Tyson
7 - Dois Pés e Ingrato
8 - Filas Longas Taxas Altas
9 - Chepa
10 - Mais uma vez desanimou
11 - Ciesta


     Olá meus jovens. Tranquilidade? Desculpem o atraso nas postagens, mas meu tempo livre fez bem, já que  todos os álbuns já resenhados na Taverna estão upados e nessa semana atualizarei tudo. Essa semana também estava rolando um evento que acontece todo ano promovido, principalmente, pelo Constantina (banda que está aqui no acervo da Taverna) que chama Pequenas Sessões. Entre várias atrações interessantes como dosh e ThisQuietArmy, tive a oportunidade incrível de ver os paulistas do Hurtmold ao vivo e, como vocês podem estar vendo, foi tão bom ao ponto de querer mostrar mais um pouco do som desses caras. 

     Hurtmold, que já tem 15 anos de estrada, nasceu em São Paulo depois do fim de uma banda chamada Pudding Lane. Os caras acabaram conhecendo Mário Cappi e Maurício Takara (que é outro destaque pra mais tarde) e começaram a fazer um som. Conseguiram uma notoriedade em SP circulando duas fitas cassetes durante 98 e o ano seguinte. Em 2000 sai o primeiro disco deles, Et Cetera, que é, também, uma paulera sonora. O disco tem traços fortes da influência de bandas como Sonic Youth e Fugazi, banda com a qual o baterista, Takara, já teve participações. Mas não espere baixar esse disco e ouvir dissonâncias e experimentalismos extremistas ao estilo de Thurston Moore e Kim Gordon, porque o Hurtmold é uma das bandas que tiveram um dos maiores amadurecimentos musicais que ja vi.



      Se você ouvir a timeline dos discos do Hurtmold você vai parar e falar: "porra, heim? Que parada doida isso ai, cara!" - Et Cetera, Cozido, Hurtmold & The Eternals, Mestro, Hurtmold e Mils Crianças. 2000, 2002, 2003, 2004, 2008 e 2012, respectivamente. Os caras transitaram de uma sonoridade post-hardcore, punk, para uma composição sonora arranjada, como se Igor Stravinsky injetasse heroína e montasse uma banda de jazz com dois guitarristas. No show que presenciei nesta semana, eles tocaram praticamente toda a composição do disco lançado no ano passado e, meu irmão, os caras faziam umas quebras de tempo, uns arranjos dissonantes, mas ainda assim harmônicos, incríveis! Eu e o Tito (que voltará resenhando um puta disco nesta semana) ficamos pasmos com a complexidade dos arranjos, o sustain dos rifs repetidos, o feeling que todos os músicos exalavam em forma de música. Realmente sublime. E foi impossível perder tal oportunidade pois, pelo que eu saiba, Hurtmold tinha passado aqui em Belo Horizonte apenas na mini-turnê que fez com o The Eternals, para a divulgação do split que eles fizeram em 2003 e, nesse ano, meus jovens, eu nem lembro de sequer ter ouvido falar neles.

     Cozido é um dos trabalhos do Hurtmold que eu mais ouço. Ele é o marco do nascimento do som característico do grupo paulista, com uma levada menos punk e com experimentações que vibram pro lado de bandas como Tortoise, com toques da instrumentação de bandas do recém nascido post-rock, mas sem abdicar do tom brazuca que existe no som dos caras. É realmente um álbum de transição, passando de pauleras como "Mais Uma Vez Desanimou" para grooves controladíssimos como em "Kampala", que abre o disco. Apesar d'eu ter falado que Hurtmold se trata de uma banda instrumental, algumas músicas, neste e no primeiro disco (e algumas exceções espalhadas por outros álbuns) contem voz. Nesse disco, tudo é cantado em português, mas em outros Guilherme Granado também canta em inglês.




     Já deixei ai em cima o disco inteiro, pra os medrosos quem quiser conferir o som antes de baixar o disco. Mas já falo: Hurtmold é quebradeira. Acho que nunca vi um músico que diz que não gosta, de verdade, dessa banda, porque músico que é músico admira qualidade do trabalho dos outros e, qualidade no Hurtmold, é o que não falta. O disco abre com 3 músicas que são, na verdade, uma. Sempre que uma acaba já entra no ritmo da outra, naquele melhor estilo do Dark Side Of The Moon e Cia. As faixas cantadas são "Desisto", "Dois Pés e Ingrato" e "Mais uma vez desanimou" que, na minha opinião, são incríveis remanescências da produção do primeiro disco, não sendo piores que as outras mas, muito pelo contrário, são umas das minhas faixas preferidas do disco. Atenção pros arranjos da guitarra e do baixo em "Ciesta", aonde o groove vai te levando e, quando você percebe, está ouvindo os caras da banda discutindo entre suco de tangerina e laranja (sério).

     Interessante também citar, para quem se interessa, que Hurtmold está sendo, desde o disco Nós/Sou, a banda que toca, arranja, produz e se apresenta junto com o Marcelo Camelo. Não é atoa que esse disco tem um arranjo lindíssimo e muito bem feito. Se você se dedicar um pouco a ouvir Hurtmold e dar uma olhadinha no trabalho solo do Camelo, você vai acabar se surpreendendo. É realmente reconhecível os timbres do Hurtmold. Além do Marcelo Camelo, alguns integrantes da banda tem uns projetos interessantes também. Maurício Takara, o baterista, tem álbuns de estúdio de um som eletrônico/experimental ao nome de M. Takara e m. takara. 3, além de participar do São Paulo Underground. É uma característica intrigante dos membros do grupo participar de projetos paralelos. Entre os projetos estão MDM, Chankas, Bodes & Elefantes, Againe, Van Damien, Polara e Instituto.


     Hurtmold foi, e sempre será, minha banda preferida pra ouvir no centro de BH. Numa entrevista que eles deram, disseram que o som deles é muito influenciado pelo ritmo urbano e imparável de São Paulo. Claro que Belo Horizonte não se compara nesse quesito com São Paulo, mas mesmo assim é um sentimento caótico e cômodo ouvir Hurtmold na multidão, quase um anonimato urbano. Eu tinha o costume de parar no canteiro central de uma das avenidas mais movimentadas do centro da cidade, colocar Hurtmold nos fones de ouvido e olhar para o outro lado do cruzamento, assistir por dez minutos a ópera caótica que é o meio urbano de uma cidade grande ao som desse disco (Filas Longas Taxas Altas é a melhor para este ritual) . É uma experiência e tanto, quem sabe algum de vocês faz isso e gosta? Haha!

Então segurem esse som aí e aproveitem!

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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Cream - Wheels of Fire


Blues Rock | Psicodélico | Clássico | Clapton é Deus

Disco 1:
1 - White Room
2 - Sitting on Top of the World
3 - Passing the Time
4 - As You Said
5 - Pressed Rat and Warthog
6 - Politician
7 - Those Were the Days
8 - Born Under a Bad Sign
9 - Deserted Cities of the Heart

Disco 2:
1 - Crossroads
2 - Spoonful
3 - Traintime
4 - Toad


     Olá taverneiros! Eis aqui nos encontrando novamente. Como vão vocês? Tô na correria daquela deliciosa semana de provas na faculdade, centenas de textos pra ler, etc. Arranjei um tempinho e vim deixar vocês por dentro do que está rolando. Estou upando TODOS os álbuns já resenhados aqui na Taverna lá no MEGA (antigo megaupload). O servidor parece muito bom e cabe 50GB pra membros gratuitos, então vai conseguir suportar por muito tempo a Taverna. O processo é lento, mas já estou acabando e acho que até semana que vem todos os links vão estar positivos, operantes e estáveis. Darei notícias! Além disso, comprarei meu baixo semana que vem e vou migrar um pouco da guitarra para ele pelo amor ao Funk, hehe.  Qualquer produção que a gente fizer na banda de funk que comentei com vocês, postarei aqui para críticas dos leitores mais criteriosos deste blog.

     De um, dois mêses pra cá, mais ou menos, eu e o Tito (que voltará a postar aqui também!) entramos numa onda de Cream indescritível. A gente se encontrava e colocava o LP desse disco pra tocar na vitrola da Budweiser que ele tem lá na república. Só conseguimos ouvir isso desde então, o que é muito engraçado porque eu não conhecia NADA do Cream, realmente NADICA. O conhecimento que eu tinha sobre Eric Clapton foi daquelas coisas que ele fez a partir dos anos 80 que, na minha opinião, é lixo sonoro. Pouquíssimas seleções da produção dele nessa época são boas. Esse pré-conceito que tive dele me fez não detestar, mas simplesmente não ter vontade de conhecer e escutar com cuidado. Nunca fiquei tão feliz de estar errado.



     Do Cream só conhecia mesmo o primeiro disco, Fresh Cream, que não é lá um dos melhores álbuns dos anos 60, mas é divertido, tem um ritmo gostoso, mas parava por ai para mim. Eis que então eu ouço o segundo disco do Wheels Of Fire, que é todo gravado ao vivo, aonde Crossroads tem uma das quebradeiras mais insanas e calculadas que eu já ouvi em toda a minha vida. Minha mente literalmente explodiu. Foi uma revelação deliciosa e com poucos precedentes. Foi como deixar algo passar em branco por toda a vida e descobrir, quase que por querer, anos depois, só pra alegrar sua semana. Depois disso, fui atrás de uma escavação completa sobre o Cream, suas raízes e precedentes históricos de cada integrante desse super-trio que inaugurou a cena do rock da década de 60 de uma maneira cremosa e, claro, inteiramente improvisada.


     Eric Clapton entrou nos Yardbirds em 63. Ficou lá até 65, quando a banda tava mudando a direção do seu som mais para o pop, o que desagradou Clapton, que era muito fiel às suas raízes do blues. Posteriormente, Jeff Beck e Jimmy Page foram tocar nos Yardbirds. Após sair da banda, Clapton entrou para a John Mayall & The Bluesbreakers, aonde pôde desembolar seu estilo único, agressivo e travadão. Ficou famoso por toda a Inglaterra por sua guitarra, ganhando a alcunha de melhor guitarrista de blues do país, levando até um fã a criar a clássica pixação "Clapton is God" na parede de uma estação de metrô, cuja qual logo se espalhou por toda a cidade. Ele largou a John Mayall em 66, querendo montar um grupo com mais liberdade para sua virtuosidade e para a experimentação.



     Clapton encontrou Ginger Baker, que na época tocava na Graham Bond Organization, que também tinha Jack Bruce no baixo. Baker se sentia muito sufocado tocando na GBO, também com a ideia de montar um novo grupo. Então Baker foi ver Clapton tocar em um show da John Mayall. Depois do show Baker deu uma carona pra ele e os dois foram trocando a ideia sobre a criação de uma banda, já que os dois estavam impressionados com a habilidade um do outro. Clapton convidou Baker  pra se juntar na banda nova que ele estava pensando em montar. Ele aceitou na hora, só que com a condição de que Jack Bruce fosse o baixista . Reza a lenda que Baker quase bateu o carro ao ouvir o pedido. O que Clapton não sabia era que Bruce e Baker tinham um histórico de desentendimentos bem grande, quase caindo na porrada, incluindo sabotagem dos instrumentos um do outro, brigas no palco, etc. Porém eles resolveram colocar as brigas de lado para que o projeto novo de Baker, Bruce e Clapton saísse do mundo das ideias e finalmente fosse posto em prática.

      Cream foi o nome escolhido, porque o trio já era considerado o  "creme da cobertura" dos músicos de jazz e blues da Inglaterra. Bruce, além de ser um notório baixista de jazz, tinha um vocal agressivo e pesado, perfeito para os blues que o trio tinha em mente, além de ser um dos baixistas mais virtuosos que já pisaram nesse planeta. Além disso, Jack Bruce também DESTRÓI na gaita e tem um conhecimento mais do que notável no violoncelo, violino e piano. Clapton também canta em algumas músicas e faz back-vocals, só que ele é tímido demais e fica mais travado ainda ao vivo por causa da quantidade de drogas que ele tomava para os shows. A participação dele no show é de um espectro divino, imóvel e em sua viagem psicodélica própria, deslizando os dedos pela guitarra e fazendo a mágica acontecer.


Clapton: tão chapado que não consegue controlar sua mandíbula nem acompanhar o playback.

     Wheels Of Fire veio em 1968, é o terceiro álbum de estúdio deles e posterior ao Disraeli Gears, de 67, que deslanchou Cream com grande sucesso. Wheels Of Fire foi lançado como Vinil duplo, sendo o segundo disco apenas apresentações ao vivo do Cream. É um disco com altos e baixos, com a guitarra de Clapton cortando todo o espaço em que não há a voz de Bruce cantando em seu timbre agressivo. O álbum abre com White Room, que é uma paulera de groove, com um meio que dueto entre a voz de Jack e a guitarra de Clapton. Seguindo com uma versão do famoso e antigo blues, Sitting on Top of the World, com a pitada dos gritos sonoros da Les Paul de Clapton. Separo também Pressed Rat and Warthog, que é cantada, ou digo, quase que falada, por Ginger Baker, tendo uma levada tranquila, com uns trompetes e flautas, até o fim da música, aonde a guitarra EXPLODE do nada junto com a bateria e o baixo.

     Politician não tem uma das harmonias preferidas minhas, mas tem, com certeza, um dos melhores solos do disco. Um solo duplo, na verdade, com as guitarras sobrepostas uma em cima da outra, levando a um clímax sonoro indescritível, sublime da maestria de Clapton. Born Under a Bad Sign é, sem sombra de dúvida, a música mais badass do disco, mas tem uma levada tranquila e constante, um groove delicioso pra se ouvir viajando. Pra finalizar, separo a última música do disco, Deserted Cities of the Heart, que abriga o solo mais destruidor de todo o disco. Um solo cheio, recheado de tremolos e uma agressividade que nunca vi em outro guitarrista. Só ouvindo mesmo.




     O Disco 2 não vou escrever sobre ele não... Quero só que ouçam Crossroads e deliciem-se com a poderosidade do improviso do trio inteiro. Quem tiver interessado, deem uma olhada no DVD que existe do Farewell Concert, que eles tocaram no Albert Hall em  novembro de 1968, que tem em qualidade excelente no youtube e mostra com perfeição a atuação do Cream ao vivo, com as improvisações de dez minutos que viajam de influências do jazz até o blues mais puro que existe. Aqui, Sunshine Of Yout Love nesse show: http://www.youtube.com/watch?v=pwDo0JUeKqM

     Espero que aproveitem e não deixem de ouvir o disco com cuidado e com o volume bem alto. Deixem a guitarra de Clapton entrar cremosamente pelos tímpanos, sendo guiada pelo baixo de Jack Bruce ao ritmo da bateria paulateira de Baker. Até mais!

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terça-feira, 14 de maio de 2013

Sobre os links quebrados...

Opa gente, tranquilidade?
Nesse fim de semana vou upar todos os álbuns para uma conta que vou fazer no Mega e repostar os links aqui pra geral, inclusive dos posts novos. Farei isso para que eu fique sabendo rapidamente quando os links ficarem fora do ar. Uparei os álbuns sem os nomes das bandas para evitar que rastreiem o arquivo e deletem ele sem minha permissão, tudo bem?

No mais, bom som a todos!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Sleepy Sun - Fever


Psicodélico | Experimental | Post Rock | Folk | Jefferson Airplane + Led + Ácido


1 - Marina
2 - Rigamaroo
3 - Wild Machines
4 - Ooh Boy
5 - Acid Love
6 - Desert God
7 - Open Eyes
8 - Freedom Line
9 -Sandstorm Woman


      Olá taverneiros! Quanto tempo, não? Foi um puta ano, sem sombra de dúvidas. O ano que mais cresci musicalmente, sem sombra de dúvidas. Peço desculpas pela ausência por tantos e tantos meses, mas a experiência da vida foi intensa e, digamos, exageradamente agradável. Eis um resumo: saí da casa da minha mãe em julho do ano passado e fui morar em uma república com vários amigos meus. Morei la por uns seis, sete meses, criei dois gatos, descobri bandas incríveis e consegui um puta repertório para apresentar nessa volta ao blog. Agradeço a uma moça (se estiver lendo, Gabi, obrigado!) por me reanimar a voltar com a taverna. Eis aqui então, vamos la?

      A uns meses eu e mais dois amigos tivemos a intensa ideia de montar uma banda de funk (depois contarei mais sobre isso, hehe) e um deles me apresentou um cara aqui de Belo Horizonte que iria cantar com a gente. Além de todas as viagens musicais que tivemos e as ideias incríveis que conversamos, esse cara, Paco é o nome dele, me mandou o link de um show dessa banda ai, Sleepy Sun. Curiosamente eu vi tudo de uma vez. 41 minutos de show que me deixaram surpreso de uma maneira que pouquíssimas bandas me deixaram. Um jogo de luzes incrível, um repertório alucinante, a guitarra com aqueles delays absurdos que me lembram um solo do Gilmour, sem contar a voz indescritível da vocalista, que tem um alcance muito, muito grande. Se tiverem paciência, este é o show:




      O show foi em Amsterdã, pra surpresa geral, haha. As palas da vocalista já valem a banda inteira, além da voz dela. As músicas tem uma carregada lenta que disparam em uns vocais rasgados em conjunto com uma guitarra embebida de fuzz, quebrando junto com a bateria pesada. Nesse show não tocaram nenhuma das músicas acústicas que tem em Fever, que não são piores que essas quebradeiras ao vivo, porém, sim, tem uma pegada característica de Fleet Foxes e Jefferson Airplane.  O mais incrível são as jams e improvisações que rolam no meio do palco, no meio do show, naquele melhor estilo do Cream (que também é conteúdo pros próximos posts) de improvisar: acabando o refrão e aí só para o improviso quando cansar mesmo.

      Sleepy Sun é uma banda de San Francisco, na Califórnia. Nasceu em 2008 e lançou o primeiro álbum deles, Embrace, no ano seguinte. Um puta disco também, mas foi em 2010 que a produção deles floresceu nesse disco aqui, Fever. Os vocais são divididos entre Brat Constantino, o vocalista com bigodinho hipster, e Rachel Fannan, que tem um timbre muito interessante (parece com a vocalista de Jennifer Lo-Fi, banda paulista) e um alcance vocal absurdo, uns líricos bem altos. Infelizmente ela saiu da banda depois da gravação desse álbum, em 2010, por desentendimentos com os outros integrantes da banda.



      Duas guitarras, uma mais base e a outra recheada de delays e fuzzes e tremolos, que viaja nas linhas sólidas pelo baixo, segurando todo o ritmo e melodia pro resto do grupo. O vocalista bigodudo também tem as manhãs na gaita, muito presente no disco de 2010. Além disso, lançaram no ano passado Spine Hits, disco já sem a participação da Rachel Fannan, cujo o qual nem escutei ainda porque, na moral mesmo, a vocalista é que era a imagem da banda. Me limitei a assistir uns shows deles a partir da saída da moça e meu julgamento foi bem correto: faltou um pedaço no palco sem Fannan nos vocais. Contudo, Rachel partiu para alguns projetos solos que são até bem interessantes, quem quiser dar uma olhada no tumblr, tem várias atualizações de composições e gravações dela (http://rachelfannan.tumblr.com/).


      Fever é um disco completo. Tem do blues ao post rock e do folk ao improviso total. É uma bela mistura de gaitas, um baixo com uma linha sólida, constante, propensa à viagem instrumental da guitarra e das vozes. Comentei várias vezes com uns amigos sobre como que as músicas desse disco são fritações constantes em notas repetidas. Pode parecer estranho, mas quando a música retoma seu caminho ao fim da repetição, é uma sensação prazerosa. Dou atenção pra Marina, primeira faixa do disco, que começa com uma guitarra bezuntada em fuzz, que leva pra um groove tranquilo, calmo, montanhoso igual Fleet Foxes. O vocal feminino acalma tudo enquanto a guitarra pesada volta e bagunça tudo. E quando você pensa que não, entra uma gaita.




      Dou atenção também às quatro últimas faixas do álbum, que ouvi com muito cuidado dezenas de vezes e viajei, literalmente, em todas as vezes. Desert God é impossível. Começa com uma carregada tranquila e grave, guiada pela guitarra bem limpa e tambores tocados suavemente. Ouça até 2:42 e juro que é impossível deixar de ouvir o resto, sério. Open Eyes e a última música, Sandstorm Woman, possuem um riff bem parecido, porém um mais rápido e o outro mais lento, sendo que a música que fecha o disco tem quase dez minutos e é recheada de improvisos de gaita e guitarra. 

      Espero que gostem desse retorno, vou ver se consigo postar mais aqui na Taverna, realmente estava com saudades daqui. Não estou estudando mais design, mas larguei o curso e estudo filosofia na UFMG, então devo arranjar um tempo livre pra conseguir manter vocês atualizados e com bandas para conhecer, hehe. O e-mail da taverna foi desativado por falta de uso, então qualquer coisa podem enviar um e-mail para Dolivetro@gmail.com que respondo assim que possível. Em relação aos links pra download e os posts antigos, vou ver se consigo atualizar tudo, mas acho complicado, então devo fazer de pouco em pouco a atualização de links quebrados, fotos deletadas, etc. Aproveitem essa delícia sonora!


Last.fm Sleepy Sun 
Site Oficial 
MySpace

Download | Sleepy Sun - Fever
Link Alternativo - Download

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Junior Kimbrough - Sad Days, Lonely Nights

Junior Kimbrough | Blues | Blues Rock | Feeling | Tiozão | Parece meu vizinho

  1. Sad Days Lonely Nights
  2. Lonesome In My Home
  3. Lord, Have Mercy On Me
  4. Crawling King Snake
  5. My Mind Is Rambling
  6. Leaving In The Morning
  7. Old Black Mattie
  8. I'm In Love
  9. Pull Your Clothes Off
  10. I'm Gonna Have to Leave here
  11. Sad Days Lonely Nights

A Taverna voltou! E eu também! Não foi só o Daniel. Passamos por momentos apertados, que nos fizeram abrir mão do blog por um tempo, MAS, agora, que estamos em momentos MAIS APERTANDOS AINDA resolvemos voltar! Sim, eu trabalho e estudo e ele também. Mas vamos dar um jeito de encaixar pelo menos uma postagem por semana pra poder disseminar nosso gosto musical via web. NESSES TEMPOS difíceis, onde SOPA, não é de comer e PIPA não é de empinar, temos que tomar cuidado com os links que postamos e com links defeituosos então qualquer problema que der, não se preocupe que a gente dá um jeito (ou não). O importante é que tamo aê e vamo postar CDs legais pra ouvir.

Eu vou começar com esse do Junior Kimbrough, que me é de muito agrado, e vai ser de bom agrado pra quem é fã de um bom blues. Vou contar sobre o cara: David "Junior" Kimbrough nasceu em Hudsonville, Mississipi em 1930, e viveu sua vida toda no norte do estado. Gravou com o selo Fat Possum, que era conhecido por ser o mesmo do R.L. Burnside, que é mais famosinho que ele. Eles até gravaram algumas coisas juntas. Ele gravou algumas coisas em 1966 mas num deu muito certo, então ele deixou pra lá. Viu que num era pra ele. MAS AI em 1992, a Fat Possum puxou ele pra perto e gravou cerca de 6 discos com ele, até 1998, quando ele morreu de ataque cardíaco aos 67 anos.

Junior, em 92, junto com os discos, ele abriu um bar de blues na cidade de Chulahome, Mississipi e tocava lá sempre, o que atraía gente do mundo inteiro. Keith Richards, Iggy Pop, ie os caras do U2 são alguns que foram até o bar pra conferir o Junior tocar. Depois da morte dele, os filhos dele até continuaram a manter o bar, mas em 2000, o bar pegou um fogo violento e deixou de existir.

Mas agora, pra descrever o som do cara é assim: São músicas, de pegadas blues repetitivas, que sempre seguem riffs marcantes de guitarra e muito feeling na voz de um blueseiro velho. Lembrando que nesse disco ele tinha 63 anos. Mas é LINDO. O som é bem hipnótico, e os riffs que usam batidas curtas e sincopações entre notas graves e agudas, fazem o som dele único.

Cê vê esse cara na rua, nem acredita que é um blues man. Parece meu vizinho.

O disco que eu escolhi foi o Sad Days, Lonely Nights, por quê tem minha música preferida dele: "Lord, Have Mercy On Me", que é um massacrante blues de 9 minutos de existência implorável por misericórdia. Nesse CD tem duas versões da música "Sad Days Lonely Nights" pra ressaltar que os dias são tristes e as noites são solitárias. O que vai muito bem com as músicas dele. Agora imagina ir no "Junior's Place" e ver o cara destrinchar aquela guitarra velha, tirando o som impossível do possível, fazendo o suor descer mais rápido que a batida da caixa, enquanto os urros de dor e misericórdia, passam diante do bar escuro, e você vê só ele naquela luz de palco.
Dá vontade de dançar. Dá vontade de gritar. Dá vontade de tocar. Isso é Junior Kimbrough.


Uma banda que tá em alta hoje em dia, se declara os maiores fãs de Junior. Este são THE BLACK KEYS. Banda que eu particularmente amo. Eles são tão fãs do cara, que eles gravaram um EP em homenagem ao Junior, só com músicas dele, em versão garage blues rock. QUE É LINDO TBM. Até a viúva do Junior gostou do EP do Black Keys. Ela fala que eles dois são os únicos que conseguem tocar com emoção igual a que o Junior tocava. Coisa linda de deus.

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Constantina - Haveno

Instrumental | Alternative | Experimental | Post Rock (?) | AWESOME!

1 - Monte Roraima
2 - Imobilidade Tônica
3 - Bagagem Extra
4 - Azul Marinho
5 - Pequenas Embarcações
6 - Juan, El Marinero
7 -Benjamin Guimarães


Como podem bem ver, estou empolgadíssimo com a volta do blog. Sempre que dá estou conferindo a quantidade de visitantes que estão vindo e a taxa de downloads que estão acontecendo aqui. E toda vez que entro na Taverna, fico chateado pelo fato de Guachass e GY!BE terem sidos postados em março do ano passado, que quero mudar essa página daqui logo e colocar coisas novas para vocês conferirem. Aproveitando que estou de férias, vou abusar desse site e sempre postar algo novo, sem, é claro, acabar com o estoque de sons inéditos para vocês.

Falando em inédito, acho que este disco que estou a resenhar aqui nem é novidade para tantas pessoas, pois Constantina está ganhando grande relevância no âmbito da música independente brasileira, principalmente no quesito instrumental. Além do mais, esse não é o primeiro disco deles que posto aqui, pois dois anos atrás estive num show deles juntamente com a banda ruído/mm e fui obrigado a resenhar o álbum de estreia deles (pode acessar clicando aqui). Além do mais, a banda é de Belo Horizonte, cidade aonde moro. Sendo assim, chato pra caramba como sou, espalhei o som dos caras pra todos meus amigos e conhecidos.


Cinco meses atrás eu participei de um dos shows mais incríveis da minha vida, numa colaboração entre Constantina e Labirinto, banda de post-rock instrumental de São Paulo. O show ocorreu no festival Pequenas Sessões, que é organizado por iniciativa própria do Constantina. Neste show, os músicos tocaram, na íntegra, o disco novo deles: Haveno. Desde então, fiquei com um fascínio que crescia a cada dia em relação ao entorto do disco. Até que então, algumas semanas atrás, fiquei sabendo que a banda irá tocar no festival do Verão de Arte Contemporânea, no dia 24, aqui em Belo Horizonte. A notícia me empolgou muito e, com a volta do blog, fiquei na dúvida entre resenhar este disco antes ou depois do show. Depois de pensar um pouco, fui pelo impulso e resolvi escrever aqui agora, antes do show, pois talvez eu consiga convencer alguém de largar a bunda da cadeira do computador e ir curtir uma boa música.

Antes de falar do disco, vem a banda... E nada melhor do que a própria banda falando dela mesma, não é? No site oficial deles, vem o seguinte:


"Constantina nasceu em 2003, de um desejo de fazer uma música que pudesse tocar as pessoas.
Somos uma banda instrumental interessada em criar músicas sem nos preocuparmos com rótulos. Nossa música é sincera e minimalista; as guitarras são usadas de forma inteligente, e costumam vir acompanhadas de delicadas interferências eletrônicas. Com influências que vão do pão de queijo aos caboclos de lança, o Constantina gosta dos regionalismos brasileiros e acha que música e imagens dão um bom casamento. Esse diálogo músico-visual sempre transparece na produção de todos os nossos trabalhos.

"



Com quatro álbuns lançados e uma gravação ao vivo com os caras do COLORIR, a sonoridade de Constantina transita distintamente entre um disco e outro, marcando fatores fundamentais para a compreensão do som da banda. As performances ao vivo são aliadas com imagens e vídeos que dialogam com a musicalidade dos integrantes. Além de tudo, várias curiosidades se tornam atrativas ao conhecer a banda, como o fato de que os instrumentos se alternam entre os integrantes e que o improviso é uma carta na manga sempre presente no leque de sons de Constantina.


Postais que vem juntos com o disco, com imagens e frases. Um pra cada música.


Haveno é um nome retirado do Esperanto, significando porto, abrigo. É um trabalho completo, desde a composição musical, a parte visual do trabalho físico e até mesmo na divulgação da obra. A banda criou um site com toda a temática do disco, com composições gráficas e desenhos intrinsecamente relacionados com o que Haveno trás. Na época da composição das músicas, estas eram upadas para o site oficial da banda após a gravação definitiva da faixa. Além do CD e do encarte com acabamento impecável, foram lançadas também camisas, posteres, e cartões-postais. Recentemente, Constantina enviou adesivos gratuitamente para todos os fans, agradecendo o suporte e retribuindo, de forma especial e singela, todo o favor que fizeram nesses nove anos de caminhada.

Este álbum é, ouso dizer, uma das maiores obras primas da música nacional nestes últimos anos. Posso facilmente dizer que é um dos discos nacionais mais bem trabalhados da década e, talvez, o mais completo do ano de 2011. Com sete faixas, Haveno representa o que ele é: um porto, um abrigo. É uma estaca fixa na música, é harmônico e contínuo. Ele segue uma ideia, ele é um som apenas. Tráz diversos ritmos e culturas em forma de poesia cantada, trás saudade e nostalgia. No todo, é uma composição única, seguindo um tema bem claro sem, ao mesmo tempo, deixar de ser tocante. É cru e transparente, não omite nada e não se finge de outra coisa. Barulhista me perdoe, mas este disco aqui também quer ser um abraço, rs.




Um trompete preguiçoso e distante dá início ao disco, em Monte Roraima. A primeira vez que ouvi essa música, foi num show que houve na Praça do Papa, onde Constantina tocou com Wado. Naquela versão, Wado incluiu letras na música, o que me distraiu um pouco e me deixou meio alheio à parte instrumental, mas mantendo o âmago da canção intocado. Com um ritmo bem característico e uma melodia instigante, Monta Roraima segue em seus sete minutos com apito, trompete e vibrafone, guiados pela bateria de Daniel Nunes. Seguindo o curso, Imobilidade Tônica começa na bateria e termina no trompete, passando por inusitadas mudanças de ritmo, um baixo marcante e, não menos importantes, as palmas no momento em que as duas guitarras dividem o mesmo espaço, criando um ambiente totalmente único, especial.

Bagagem Extra foi a música que me fez apaixonar por Constantina. Eu fico sem palavras pra descrever o quão incrível ela é. Ao meu ver, ela passa por cinco momentos: O início harmônico, habitado por uma bateria eletrônica dividindo espaço com vibrafone, guitarras e baixo. O segundo momento é a desconstrução total, aonde a bateria se liberta juntamente com o bongô e dá espaço para o baixo destruir tudo. Após isso, o instrumental se consolida ao terceiro momento, mostrando uma textura carinhosa, dócil, aonde a harmonia dos instrumentos se divide sabiamente entre notas no vibrafone alternadas com uma guitarra. Após metade da música, há um momento de fôlego criado por apenas uma guitarra, para assim termos ouvidos para digerir o fim da composição. O último momento é um crescendo que poderá te lembrar de melodias antigas, nostálgicas e infantis, mas que vai engordando ao longo dos segundos e, por mim, explode em uma harmonia épica, repleta de vivacidade, para terminar em uma desconstrução de trompetes caóticos, alertas. Ao vivo, a banda transpõe as formalidades de estúdio e convida a todos para cantarolar essa música, dando vida a outra percepção.


Azul Marinho é calma como o mar, daqueles sem ondas por causa dos recifes distantes. Costurado por uma guitarra mergulhada no trêmolo, divide espaço com a melodia marcante do vibrafone e dos trompetes. Pequenas Embarcações é única que possui um violão, mantendo-o por toda a música, sendo intercalado por delicadas interferências eletrônicas, ganha título de uma das músicas mais calmas que já ouvi. A sexta faixa é a que possui a maior textura eletrônica de todo o disco, mas não deixa de exprimir um som orgânico e único. Por fim, fechando com chave de ouro, encontramos Benjamin Guimarães. É uma de minhas preferidas. Começa suave, na calma de uma guitarra um pouco saturada, dando espaço a minutos de harmonia perfeita entre bateria, guitarras, vibrafone e bateria. Mas apesar de tanta letra aqui em cima, a experiência se resume a ouvir o disco.

Para quem quiser saber mais sobre a banda, pode conferir no fim da postagem o link para o site oficial, aonde você pode ouvir as músicas separadas e baixa-las gratuitamente. No site oficial é possível, também, adquirir os posteres, postais e comprar o disco físico que, digo, vale muito a pena! Espero que gostem e que tenham paciência com Haveno, pois é algo que começa pequeno e que, como o próprio nome diz, se torna um abrigo para nossos ouvidos. E como diria Daniel Nunes: SARAVÁ!