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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Hurtmold - Cozido


Experimental | Instrumental | Post - Rock (?) | Math Rock (?)

1 - Kampala
2 - Fontanka
3 - Bulawayo
4 - Desisto
5 - Credenciais
6 - Mike Tyson
7 - Dois Pés e Ingrato
8 - Filas Longas Taxas Altas
9 - Chepa
10 - Mais uma vez desanimou
11 - Ciesta


     Olá meus jovens. Tranquilidade? Desculpem o atraso nas postagens, mas meu tempo livre fez bem, já que  todos os álbuns já resenhados na Taverna estão upados e nessa semana atualizarei tudo. Essa semana também estava rolando um evento que acontece todo ano promovido, principalmente, pelo Constantina (banda que está aqui no acervo da Taverna) que chama Pequenas Sessões. Entre várias atrações interessantes como dosh e ThisQuietArmy, tive a oportunidade incrível de ver os paulistas do Hurtmold ao vivo e, como vocês podem estar vendo, foi tão bom ao ponto de querer mostrar mais um pouco do som desses caras. 

     Hurtmold, que já tem 15 anos de estrada, nasceu em São Paulo depois do fim de uma banda chamada Pudding Lane. Os caras acabaram conhecendo Mário Cappi e Maurício Takara (que é outro destaque pra mais tarde) e começaram a fazer um som. Conseguiram uma notoriedade em SP circulando duas fitas cassetes durante 98 e o ano seguinte. Em 2000 sai o primeiro disco deles, Et Cetera, que é, também, uma paulera sonora. O disco tem traços fortes da influência de bandas como Sonic Youth e Fugazi, banda com a qual o baterista, Takara, já teve participações. Mas não espere baixar esse disco e ouvir dissonâncias e experimentalismos extremistas ao estilo de Thurston Moore e Kim Gordon, porque o Hurtmold é uma das bandas que tiveram um dos maiores amadurecimentos musicais que ja vi.



      Se você ouvir a timeline dos discos do Hurtmold você vai parar e falar: "porra, heim? Que parada doida isso ai, cara!" - Et Cetera, Cozido, Hurtmold & The Eternals, Mestro, Hurtmold e Mils Crianças. 2000, 2002, 2003, 2004, 2008 e 2012, respectivamente. Os caras transitaram de uma sonoridade post-hardcore, punk, para uma composição sonora arranjada, como se Igor Stravinsky injetasse heroína e montasse uma banda de jazz com dois guitarristas. No show que presenciei nesta semana, eles tocaram praticamente toda a composição do disco lançado no ano passado e, meu irmão, os caras faziam umas quebras de tempo, uns arranjos dissonantes, mas ainda assim harmônicos, incríveis! Eu e o Tito (que voltará resenhando um puta disco nesta semana) ficamos pasmos com a complexidade dos arranjos, o sustain dos rifs repetidos, o feeling que todos os músicos exalavam em forma de música. Realmente sublime. E foi impossível perder tal oportunidade pois, pelo que eu saiba, Hurtmold tinha passado aqui em Belo Horizonte apenas na mini-turnê que fez com o The Eternals, para a divulgação do split que eles fizeram em 2003 e, nesse ano, meus jovens, eu nem lembro de sequer ter ouvido falar neles.

     Cozido é um dos trabalhos do Hurtmold que eu mais ouço. Ele é o marco do nascimento do som característico do grupo paulista, com uma levada menos punk e com experimentações que vibram pro lado de bandas como Tortoise, com toques da instrumentação de bandas do recém nascido post-rock, mas sem abdicar do tom brazuca que existe no som dos caras. É realmente um álbum de transição, passando de pauleras como "Mais Uma Vez Desanimou" para grooves controladíssimos como em "Kampala", que abre o disco. Apesar d'eu ter falado que Hurtmold se trata de uma banda instrumental, algumas músicas, neste e no primeiro disco (e algumas exceções espalhadas por outros álbuns) contem voz. Nesse disco, tudo é cantado em português, mas em outros Guilherme Granado também canta em inglês.




     Já deixei ai em cima o disco inteiro, pra os medrosos quem quiser conferir o som antes de baixar o disco. Mas já falo: Hurtmold é quebradeira. Acho que nunca vi um músico que diz que não gosta, de verdade, dessa banda, porque músico que é músico admira qualidade do trabalho dos outros e, qualidade no Hurtmold, é o que não falta. O disco abre com 3 músicas que são, na verdade, uma. Sempre que uma acaba já entra no ritmo da outra, naquele melhor estilo do Dark Side Of The Moon e Cia. As faixas cantadas são "Desisto", "Dois Pés e Ingrato" e "Mais uma vez desanimou" que, na minha opinião, são incríveis remanescências da produção do primeiro disco, não sendo piores que as outras mas, muito pelo contrário, são umas das minhas faixas preferidas do disco. Atenção pros arranjos da guitarra e do baixo em "Ciesta", aonde o groove vai te levando e, quando você percebe, está ouvindo os caras da banda discutindo entre suco de tangerina e laranja (sério).

     Interessante também citar, para quem se interessa, que Hurtmold está sendo, desde o disco Nós/Sou, a banda que toca, arranja, produz e se apresenta junto com o Marcelo Camelo. Não é atoa que esse disco tem um arranjo lindíssimo e muito bem feito. Se você se dedicar um pouco a ouvir Hurtmold e dar uma olhadinha no trabalho solo do Camelo, você vai acabar se surpreendendo. É realmente reconhecível os timbres do Hurtmold. Além do Marcelo Camelo, alguns integrantes da banda tem uns projetos interessantes também. Maurício Takara, o baterista, tem álbuns de estúdio de um som eletrônico/experimental ao nome de M. Takara e m. takara. 3, além de participar do São Paulo Underground. É uma característica intrigante dos membros do grupo participar de projetos paralelos. Entre os projetos estão MDM, Chankas, Bodes & Elefantes, Againe, Van Damien, Polara e Instituto.


     Hurtmold foi, e sempre será, minha banda preferida pra ouvir no centro de BH. Numa entrevista que eles deram, disseram que o som deles é muito influenciado pelo ritmo urbano e imparável de São Paulo. Claro que Belo Horizonte não se compara nesse quesito com São Paulo, mas mesmo assim é um sentimento caótico e cômodo ouvir Hurtmold na multidão, quase um anonimato urbano. Eu tinha o costume de parar no canteiro central de uma das avenidas mais movimentadas do centro da cidade, colocar Hurtmold nos fones de ouvido e olhar para o outro lado do cruzamento, assistir por dez minutos a ópera caótica que é o meio urbano de uma cidade grande ao som desse disco (Filas Longas Taxas Altas é a melhor para este ritual) . É uma experiência e tanto, quem sabe algum de vocês faz isso e gosta? Haha!

Então segurem esse som aí e aproveitem!

Download

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Constantina - Haveno

Instrumental | Alternative | Experimental | Post Rock (?) | AWESOME!

1 - Monte Roraima
2 - Imobilidade Tônica
3 - Bagagem Extra
4 - Azul Marinho
5 - Pequenas Embarcações
6 - Juan, El Marinero
7 -Benjamin Guimarães


Como podem bem ver, estou empolgadíssimo com a volta do blog. Sempre que dá estou conferindo a quantidade de visitantes que estão vindo e a taxa de downloads que estão acontecendo aqui. E toda vez que entro na Taverna, fico chateado pelo fato de Guachass e GY!BE terem sidos postados em março do ano passado, que quero mudar essa página daqui logo e colocar coisas novas para vocês conferirem. Aproveitando que estou de férias, vou abusar desse site e sempre postar algo novo, sem, é claro, acabar com o estoque de sons inéditos para vocês.

Falando em inédito, acho que este disco que estou a resenhar aqui nem é novidade para tantas pessoas, pois Constantina está ganhando grande relevância no âmbito da música independente brasileira, principalmente no quesito instrumental. Além do mais, esse não é o primeiro disco deles que posto aqui, pois dois anos atrás estive num show deles juntamente com a banda ruído/mm e fui obrigado a resenhar o álbum de estreia deles (pode acessar clicando aqui). Além do mais, a banda é de Belo Horizonte, cidade aonde moro. Sendo assim, chato pra caramba como sou, espalhei o som dos caras pra todos meus amigos e conhecidos.


Cinco meses atrás eu participei de um dos shows mais incríveis da minha vida, numa colaboração entre Constantina e Labirinto, banda de post-rock instrumental de São Paulo. O show ocorreu no festival Pequenas Sessões, que é organizado por iniciativa própria do Constantina. Neste show, os músicos tocaram, na íntegra, o disco novo deles: Haveno. Desde então, fiquei com um fascínio que crescia a cada dia em relação ao entorto do disco. Até que então, algumas semanas atrás, fiquei sabendo que a banda irá tocar no festival do Verão de Arte Contemporânea, no dia 24, aqui em Belo Horizonte. A notícia me empolgou muito e, com a volta do blog, fiquei na dúvida entre resenhar este disco antes ou depois do show. Depois de pensar um pouco, fui pelo impulso e resolvi escrever aqui agora, antes do show, pois talvez eu consiga convencer alguém de largar a bunda da cadeira do computador e ir curtir uma boa música.

Antes de falar do disco, vem a banda... E nada melhor do que a própria banda falando dela mesma, não é? No site oficial deles, vem o seguinte:


"Constantina nasceu em 2003, de um desejo de fazer uma música que pudesse tocar as pessoas.
Somos uma banda instrumental interessada em criar músicas sem nos preocuparmos com rótulos. Nossa música é sincera e minimalista; as guitarras são usadas de forma inteligente, e costumam vir acompanhadas de delicadas interferências eletrônicas. Com influências que vão do pão de queijo aos caboclos de lança, o Constantina gosta dos regionalismos brasileiros e acha que música e imagens dão um bom casamento. Esse diálogo músico-visual sempre transparece na produção de todos os nossos trabalhos.

"



Com quatro álbuns lançados e uma gravação ao vivo com os caras do COLORIR, a sonoridade de Constantina transita distintamente entre um disco e outro, marcando fatores fundamentais para a compreensão do som da banda. As performances ao vivo são aliadas com imagens e vídeos que dialogam com a musicalidade dos integrantes. Além de tudo, várias curiosidades se tornam atrativas ao conhecer a banda, como o fato de que os instrumentos se alternam entre os integrantes e que o improviso é uma carta na manga sempre presente no leque de sons de Constantina.


Postais que vem juntos com o disco, com imagens e frases. Um pra cada música.


Haveno é um nome retirado do Esperanto, significando porto, abrigo. É um trabalho completo, desde a composição musical, a parte visual do trabalho físico e até mesmo na divulgação da obra. A banda criou um site com toda a temática do disco, com composições gráficas e desenhos intrinsecamente relacionados com o que Haveno trás. Na época da composição das músicas, estas eram upadas para o site oficial da banda após a gravação definitiva da faixa. Além do CD e do encarte com acabamento impecável, foram lançadas também camisas, posteres, e cartões-postais. Recentemente, Constantina enviou adesivos gratuitamente para todos os fans, agradecendo o suporte e retribuindo, de forma especial e singela, todo o favor que fizeram nesses nove anos de caminhada.

Este álbum é, ouso dizer, uma das maiores obras primas da música nacional nestes últimos anos. Posso facilmente dizer que é um dos discos nacionais mais bem trabalhados da década e, talvez, o mais completo do ano de 2011. Com sete faixas, Haveno representa o que ele é: um porto, um abrigo. É uma estaca fixa na música, é harmônico e contínuo. Ele segue uma ideia, ele é um som apenas. Tráz diversos ritmos e culturas em forma de poesia cantada, trás saudade e nostalgia. No todo, é uma composição única, seguindo um tema bem claro sem, ao mesmo tempo, deixar de ser tocante. É cru e transparente, não omite nada e não se finge de outra coisa. Barulhista me perdoe, mas este disco aqui também quer ser um abraço, rs.




Um trompete preguiçoso e distante dá início ao disco, em Monte Roraima. A primeira vez que ouvi essa música, foi num show que houve na Praça do Papa, onde Constantina tocou com Wado. Naquela versão, Wado incluiu letras na música, o que me distraiu um pouco e me deixou meio alheio à parte instrumental, mas mantendo o âmago da canção intocado. Com um ritmo bem característico e uma melodia instigante, Monta Roraima segue em seus sete minutos com apito, trompete e vibrafone, guiados pela bateria de Daniel Nunes. Seguindo o curso, Imobilidade Tônica começa na bateria e termina no trompete, passando por inusitadas mudanças de ritmo, um baixo marcante e, não menos importantes, as palmas no momento em que as duas guitarras dividem o mesmo espaço, criando um ambiente totalmente único, especial.

Bagagem Extra foi a música que me fez apaixonar por Constantina. Eu fico sem palavras pra descrever o quão incrível ela é. Ao meu ver, ela passa por cinco momentos: O início harmônico, habitado por uma bateria eletrônica dividindo espaço com vibrafone, guitarras e baixo. O segundo momento é a desconstrução total, aonde a bateria se liberta juntamente com o bongô e dá espaço para o baixo destruir tudo. Após isso, o instrumental se consolida ao terceiro momento, mostrando uma textura carinhosa, dócil, aonde a harmonia dos instrumentos se divide sabiamente entre notas no vibrafone alternadas com uma guitarra. Após metade da música, há um momento de fôlego criado por apenas uma guitarra, para assim termos ouvidos para digerir o fim da composição. O último momento é um crescendo que poderá te lembrar de melodias antigas, nostálgicas e infantis, mas que vai engordando ao longo dos segundos e, por mim, explode em uma harmonia épica, repleta de vivacidade, para terminar em uma desconstrução de trompetes caóticos, alertas. Ao vivo, a banda transpõe as formalidades de estúdio e convida a todos para cantarolar essa música, dando vida a outra percepção.


Azul Marinho é calma como o mar, daqueles sem ondas por causa dos recifes distantes. Costurado por uma guitarra mergulhada no trêmolo, divide espaço com a melodia marcante do vibrafone e dos trompetes. Pequenas Embarcações é única que possui um violão, mantendo-o por toda a música, sendo intercalado por delicadas interferências eletrônicas, ganha título de uma das músicas mais calmas que já ouvi. A sexta faixa é a que possui a maior textura eletrônica de todo o disco, mas não deixa de exprimir um som orgânico e único. Por fim, fechando com chave de ouro, encontramos Benjamin Guimarães. É uma de minhas preferidas. Começa suave, na calma de uma guitarra um pouco saturada, dando espaço a minutos de harmonia perfeita entre bateria, guitarras, vibrafone e bateria. Mas apesar de tanta letra aqui em cima, a experiência se resume a ouvir o disco.

Para quem quiser saber mais sobre a banda, pode conferir no fim da postagem o link para o site oficial, aonde você pode ouvir as músicas separadas e baixa-las gratuitamente. No site oficial é possível, também, adquirir os posteres, postais e comprar o disco físico que, digo, vale muito a pena! Espero que gostem e que tenham paciência com Haveno, pois é algo que começa pequeno e que, como o próprio nome diz, se torna um abrigo para nossos ouvidos. E como diria Daniel Nunes: SARAVÁ!




domingo, 20 de março de 2011

Godspeed You! Black Emperor - F♯A♯∞

Post Rock | Experimental/Clássic | Ambient | Instrumental

1 - The Dead Flag Blues
2 - East Hastings
3 - Providence


      Antes de mais nada, deixe-me listar certas aptidões necessárias para que você, desconhecedor desta banda, consiga apreciar as únicas três músicas contidas neste grande disco:
1º: você tem que gostar (bastante) de post rock;
2º: você tem que ser paciente pra caralho.

      Foi difícil acostumar com o som de Godspeed You! Black Emperor (inteligentemente simplificado em GY!BE) por fatores de fácil entendimento: há uns dois anos comecei a conhecer o tal do post rock. Fui atrás das bandas mais famosas como Mogwai, Explosions In The Sky e Sigur Rós. Acontece que meu amigo Last.FM foi me mostrando toneladas de bandas que seguiam os mesmos padrões sonoros dos grandes nomes do post rock. Apesar de tudo, não é ainda um gênero muito divulgado pelas mídias, então era meio difícil eu conseguir ouvir tudo o que eu queria. Acontece que, sem eu querer, acabei ouvindo GY!BE.


      Acho que o maior fator que contribuiu com o fato d'eu não gostar de GY!BE era que eu não ouvia música clássica. Cheguei a ouvir bastante de Chopin, Brahms, Bach, Beethoven e Mozart quando tocavam umas sessões alemãs numa rádio daqui de Belo Horizonte, exatamente ao meio dia. Isso deve ter uns 4 anos. No meio tempo em que não ouvi nada disso, me desacostumei com músicas de longa duração, típicas da música clássica. Acontece que a maioria das músicas do Godspeed You! tem, em média, vinte minutos. No encarte dos discos vinha, dividido por nome e duração, os "movimentos" de cada faixa. Só pra constar, neste disco são:

1 - "The Dead Flag Blues" — 16:27
      1 - "The Dead Flag Blues (Intro)" — 6:37
      2 - "Slow Moving Trains" — 3:33
      3 - "The Cowboy..." — 4:17
      4 - "The Dead Flag Blues (Outro)" — 2:00

2 - "East Hastings" — 17:58
      1 - "...Nothing's Alrite in Our Life..."/"The Dead Flag Blues" (Reprise) — 1:35
      2 - "The Sad Mafioso…" — 10:44
      3 - "Drugs in Tokyo" — 3:43
      4 - "Black Helicopter" — 1:56

3 - "Providence" — 29:02
      1 - "Divorce & Fever…" — 2:44
      2 - "Dead Metheny…" — 8:07
      3 - "Kicking Horse on Brokenhill" — 5:53
      4 - "String Loop Manufactured During Downpour..." — 4:36
      5 - (unlisted segment of silence) — 3:32
      6 - "J.L.H. Outro" — 4:08

      Antes de falar do disco, falemos da banda. Foi montada em Montreal, em 94. É praticamente uma orquestra, apesar de quando formada possuir apenas três membros, GY!BE já passou por formações que incluíam 20 pessoas tocando, mas desde 1998 foi oficializada com 9 integrantes. Apesar d'eu caracterizar o som como post rock, GY!BE se diferencia, principalmente, pela experimentação. Trechos de diálogos, sons feitos usando instrumentos atípicos e mash-ups são presentes em praticamente todas suas composições. Essa experimentação fez com que influencias que vem desde a música clássica até o progressivo infiltrassem em suas músicas e definissem o som de Godspeed You! Black Emperor, como uma coisa única... especial.


      Com nove membros, a questão instrumental é quase um mistério. Cada um toca um pouco de tudo, possuindo incrível flexibilidade musical. Além disso, as apresentações contam com efeitos artísticos criados por eles mesmo, chegando até mesmo a chocar o público devido suas tendências pessoais e artísticas refletidas nos shows. Suas letras, presentes em algumas músicas através de diálogos, gravações antigas ou até mesmo trechos de rádio, possúem uma certa inclinação política, já que vários integrantes se definem como anarquistas. A exemplo disto, a primeira faixa desde disco, logo no começo, já mostra o forte sentimento político presente nas composições do grupo. Godspeed You! Black Emperor entrou em hiato no final de 2002 devido a vários motivos, como a existência de projetos paralelos de integrantes do grupo, como "A Silver Mt. Zion", "Fly Pan Am", "Hrsta", e "Set Fire to Flames".

      GY!BE levou a alcunha de uma banda anti-social, pois no começo da carreira evitava entrevistas, mostrando uma certa ignorância com a mídia musical. Com o passar dos anos, adaptaram-se e mostraram-se mais vezes através do guitarrista e tecladista Efrim Menuck, que respondia às entrevistas. Porém, com essa aparição de um único integrante, acabou sendo levado como líder da banda, coisa que ele desmente e explica que todo o trabalho do GY!BE era feito em conjunto. Mas voltando ao som do grupo, possuem violino, cello, cravo e, às vezes, um trompete ou um metalofone. É essa variedade musical que diferencia GY!BE do típico post rock que existe por aí.


      F♯A♯∞ é o disco de estreia do GY!BE. Lançado em 1998, pirou a cabeça de todo mundo. É um disco denso. Pesado. Apocalíptico. Anuncia o fim do mundo e as desgraças provenientes de tal acontecimento. Cidades em ruínas. Sociedades destruídas e tudo do pior possível é descrito nas suaves linhas musicais de todo o disco. Não tão suaves, porém... Pois se trata de GY!BE. Sendo assim, o inesperado é a única coisa que você pode esperar deste disco. Como eu disse, possúi um aspecto negativo, apocalíptico, porém pode te surpreender a qualquer momento e te colocar numa situação, digamos... diferente.

      "The Dead Flag Blues" começa sob uma névoa de desconfiança. Então uma voz te leva até uma pequena viagem ao fim do mundo, onde, se você fechar os olhos e seguir a narração, poderá facilmente imaginar-se do lado do homem que narra a história. Depois de um tempo, o ambiente muda e você pode quase imaginar-se em uma praia. A surpresa mesmo fica para os dois minutos finais, que são, no mínimo, bem dançantes. "East Hastings" inicia com uma voz também, mas é uma voz de verdade. É possível ouvir os carros, as buzinas e até a fumaça que sai do ônibus e do cigarro do transeunte. A voz saí de um homem anunciando o fim dos tempos. É meio chocante e dá até uns calafrios. Mais calafrios vem quando a música encontra a voz e tudo se mescla em uma coisa apenas. "Providence" é tocante, divina. Te transpõe e te faz imaginar um lugar totalmente diferente desse seu quarto em que você está lendo isso agora.





      Coloco aqui a primeira música do disco, o começo e o fim, só pra vocês pereceberem que aquele meu papo de "inesperado" não era enrolaçao. Tente acompanhar a letra, que é bem simples e resumida. Ah, vou deixar de enrolação e deixo aqui o link pra download. Já digo: é bem provável que você não goste de cara, mas seja paciente e veja que no fim das contas você vai ouvir tudo e, quando acabar, vai dar play de novo. Um bom proveito!

Download - 87MB

domingo, 31 de outubro de 2010

Pata de Elefante - Na Cidade

Instrumental | Brasil | Power Trio Of Doom

1 - Diga Me Com Quem Andas E Te Direi Se Vou Junto
2 - Squirt Surf
3 - Grandona
4 - Um Pouco Antes De Dormir
5 - Pesadelo No Bambus
6 - Sai Da Frente
7 - De Volta Pela Manha
8 - Psicopata
9 - Vazio Na Cerveja
10 - Arthur
11 - A Luz De Velas
12 - Reforma No Banheiro
13 - Grande Noite


Mas olhe que vergonha: 10 postagens no mês. Puta merda... Acontece, meus caros, que essa semana foi realmente foda. Não somente nesta, mas também na passada, estive bem ocupado com um milhão de coisas, além de voltar meus estudos com os ditos modos gregos pra guitarra e, também, treinar até perder o ar na escaleta, peguei alguns livros para ler, como Werther, os dois volumes de Musashi (1808 págs) com nosso amigo Tito e um exemplar em letras bem pequenas de Os Irmãos Karamázov, de nosso colega Dostoiévski. Tudo isso uniu-se ao curto prazo de pouco mais de duas semanas para o tão filho da puta esperado ENEM. Logo, não tive tempo nenhum para a nossa tão estimada página virtual. Desde quarta eu estava querendo postar alguma coisa digna, porém nada vinha na minha cabeça e eu já estava ficando entediado em ter que achar bandas nacionais para resenhar. A questão é que eu já tinha todas aqui, só estava procurando de forma vaga e, como sempre, ignorando as coisas já conhecidas.

Eu fico numa cisma de postar os desconhecidos a fim de dar uma maior notoriedade para o som dos caras e acabo esquecendo o pessoal que já alcançou um nível relativo de reconhecimento. Assim como ocorreu no caso com o Andrei Machado, pior ainda foi com Pata de Elefante: enquanto procurava gente ainda escondida, o bom som estava batendo na minha cara com uma placa de "RESENHE-ME" estendida na porta da minha casa. Ouço a banda praticamente toda semana (nem que sejam cinco músicas) e por simples falta de atenção, acabo deixando passar a oportunidade de mostrar o excelente trabalho desse trio de Porto Alegre.


Tocando junto desde o começo da década, Pata de Elefante lançou o primeiro disco, homônimo, em 2004 e outro em 2006: Um Olho No Fósforo, Outro Na Fagulha. É formada por Daniel Mossmann, Gabriel Guedes e Gustavo Telles. Interessante lembrar que, sendo Telles baterista fixo, a responsabilidade do baixo e da guitarra fica entre os outros dois membros que intercalam entre si a posse dos instrumentos, dando uma estética realmente interessante nas apresentações ao vivo. E, falando nessas, ouvi dizer que os shows desses caras são uma coisa do outro mundo. Suas músicas passam variando do relaxante ao contagiante e deixando traços de inúmeras influências como Hendrix e Cream, que deram a eles a verdade concreta de que é possível fazer um puta som somente com três pessoas num palco.

Acho a sonoridade um tanto singular. Conheço a banda tem bastante tempo e, de cara, percebi que não poderia encher de estereótipos em relação ao âmbito musical em que eles atuam, tanto é que deixei as tags sinalizando que se trata de uma banda brasileira de música instrumental. Porém tomo a liberdade e classifico como um rock "bem humorado, leve e simples". O baixo bem limpo e a guitarra trabalhada em efeitos leves como drive, wah-wah e, às vezes, um delay. Porém a essência da música fica atada somente à interação entre os poucos três membros dessa incrível banda.


Na Cidade foi lançado nesse ano, recebendo excelentes críticas, saindo de sua popularidade restrita ao sul do país e atingindo uma quantidade bem maior de admiradores de boa música. Com treze suaves faixas (em sua maioria, aviso), Pata de Elefante cria um ambiente que mistura o clássico com a bossa nova e o surf com o bom e velho rock 'n roll. Como já tinha dito lá em cima sobre a transparência dos instrumentos, eu realmente gosto do timbre da guitarra deles, que consegue usar a quantidade certa de efeito para dar a imagem de um som limpo e de qualidade. Não somente a guitarra, mas também violão e teclado em algumas faixas, tocado por Daniel Mossmann e Gabriel Guedes, dão uma certa característica que, quando eu coloco o pra tocar músicas aleatórias aqui, ao ouvir dez segundos de música consigo afirmar que esse é o som de Pata de Elefante.

Abrindo o disco (e sendo, também, minha preferida), "Diga Me Com Quem Andas E Te Direi Se Vou Junto" é empolgante, animada, swingada e, por que não, bem humorada? Talvez seja apenas uma impressão que tive ao tentar caracterizar esse disco, rs. Mudando totalmente, "Squirt Surf" faz vir, em minha cabeça, alguma situação onde pessoas estão surfando e fazendo aquela clássica pose em cima da prancha (sabe-se lá por quê!). Separo também a excelente "Grandona" que, assim como a primeira música, tem um ritmo único e é empolgante em sua simplicidade. Tente, nessa faixa, perceber o belíssimo timbre da guitarra que fica na médica do excelente. Por último destaco a quinta "Pesadelo No Bambus": Misteriosa, animada e que, quando chega nos dois terços de sua duração, aparenta que alguém puxa o cabo da guitarra e liga em um Fender Bassman '59, porque vai ter um timbre tão foda assim lá na...


(Para constar, no disco existem guitarras e teclados sobrepostos, logo o som é BEM mais cheio em relação à apresentação ao vivo)

Então deixo aqui essa excelente banda com vocês e que aproveitem esse disco sem moderação. Vou deixar aqui o link para baixar no site do Álbum Virtual, porém, como disse em alguma postagem anterior, tem que fazer um cadastro. Então, se estiver com tempo de sobra aí, cadastre e faça o download de Na Cidade e, claro, os outros excelentes álbuns disponibilizados lá! Porém deixo também links de fácil acesso pros preguiçosos, mas sugiro que vá no site do Álbum Virtual e aproveite enquanto é de graça, rs! Bom proveito!

Pata de Elefante - Site Oficial
Pata de Elefante - MySpace

Download - Álbum Virtual

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domingo, 24 de outubro de 2010

Macaco Bong - Artista Igual Pedreiro

Instrumental | Post Rock | Brasil | Power Trio Of Doom

1 - Amendoin
2 - Fuck You Lady
3 - Noise James
4 - Shift
5 - Black´s Fuck
6 - Rancho
7 - Bananas For You All
8 - Belezza
9 - Compasso em Ferrovia
10 - vamodahmaisuma


      Poxa, mais de sete dias sem postar nada aqui. Essa semana ficou complicada de visitar e resenhar algo com dignidade para vocês e acabou coincidindo com a necessidade que tive de fazer uns estudos sobre algumas técnicas de guitarra que deixei de aprender quatro anos atrás (veja a cagada) para aprender somente hoje. Fiquei envolvido demais e, além disso tudo, comprei o que tanto queria: a escaleta.

      Sim, meu caro, a melódica escaleta. Eu já gostava desse instrumento havia bastante tempo, então fui no show do ruído/mm e Constantina e, uma certa hora da apresentação, o tecladista do ruído tirou aquele pianinho e tocou de um modo tão belo que fiquei mais chocado ainda. A mesma coisa aconteceu quando Constantina se apresentava. A única diferença foi que fora o guitarrista que tocou a escaleta. Então pensei: Eu tento toco guitarra, por que não tento? Tudo isso coincidiu com o fato de'u ter conhecido Bardella, que é um som baseado em apenas dois instrumentos: Guitarra e a bendita da escaleta. No final das contas comprei a bichinha a preço de banana e fiquei me deliciando com o som dela e acabei esquecendo de escrever por aqui. Então vamos embora pro próximo disco!

      Ainda seguindo a ideia de postar coisas nacionais, acabei relembrando de uns caras que tinha conhecido faz um tempo e deixei criando teias de aranha de tanto tempo que não ouvia. Pata De Elefante, Eu Serei A Hiena, Guizado e, entre eles, Macaco Bong. Relembrei mesmo por causa de um amigo que foi num show do Black Drawing Chalks, no dia mundial do rock, e esta banda aqui ter feito uma apresentação (e, porra, isso tem três meses já). Eu não pude ir. A cagada tinha sido feita. Dizem que foi um puta show o do Macaco Bong. Então estou aqui postando esse incrível disco justamente para vocês conhecerem e falar pra mim: que burro, dá zero pra ele.


      Macaco Bong foi formado em 2004, em Cuiabá, tendo quatro integrantes como formação inicial, porém no ano seguinte a banda acabou se estabelecendo como um power trio, ainda mantendo a essência da música instrumental com conteúdo musical. Seu som é baseado na desconstrução dos diversos gêneros musicais que existem, passando do jazz ao fusion, pelo pop ao heavy metal, indo post ao avant-garde. Destruindo rótulos e reconstruindo somente uma coisa: música. A criatividade dos caras é inimaginável, transmitindo, através de guitarra, baixo e bateria, um fluxo (aparentemente) inesgotável de sons diferentes, tanto na melodia, na harmonia ou apenas no silêncio.

      Eu classifico a musica como "bem dançante, realmente empolgante e incrivelmente inusitada". Rapaz, são incontáveis as mudanças de tons e ritmos que acontecem ao longo das músicas, quebrando sua expectativa e dando uma nova atmosfera ao som que você ouve. Além disso, os arranjos elaborados, a quantidade de efeitos na guitarra e a composição, em si, são muito bem trabalhadas e fazem de Macaco Bong um dos peso-pesados em questão de rock instrumental aqui no Brasil, ficando lado a lado com Hurtmold. Dou parte do crédito ao guitarrista Bruno Kayapy, que tem técnicas incríveis reproduzidas ao longo do disco, alterando a estética da música inúmeras vezes juntamente com o baixo de Ney Hugo e Ynaiã Benthroldo na bateria.


      Foram notóriamente reconhecidos com este primeiro disco. A complexidade do som é notória e, em questões técnicas, ao meu ver, são músicos de alto nível e entrosamento. Melhor dizer ainda deles ao vivo. Shows incríveis e desmontados: quebra de ritmos, arranjos estranhos e um som, como eu disse, "bem dançante". Eles tocaram no SWU e colo aqui um trecho do Estadão sobre a apresentação:

"O show do trio de Cuiabá Macaco Bong começou na hora marcada, 16h51. E foi, de fato, a primeira a apresentação que levantou o público no SWU. Assim como no Planeta Terra, no ano passado, os três músicos despejaram sua muralha sonora na plateia, com inventivos temas próprios. Sem querer reinventar a roda do rock, o Macaco Bong parece estar muito à frente de seu tempo. São tantas mudanças de andamentos e ritmos que o público, desavisado, empolga-se, mas custa a entender tamanha genialidade em forma de porrada. Com encerramento às 17h35, até o momento, entre as atrações brasileiras, é uma das fortes candidatas à melhor apresentação do festival."

      Violento, caras. Violento.

      O disco é foda. Tipo, fodão. Dez faixas doentias, desandadas e com mudanças tão repentinas que chegam a te deixar desesperado. Começa com a pesada "Amendoin" que, ao longo dos segundos, vai diminuindo e dá espaço pra dançante "Fuck You Lady", que possui (e como) incríveis arranjos de guitarras sobrepostas uma após a outra. Gostaria de separar apenas algumas músicas, como a mais do que fodona "Bananas For You All", que fica no meu top 10 de músicas nacionais com os seus 8 minutos e 20 segundos de pura criatividade plugada num amplificador. Fica também a complexa "Belezza", oitava faixa do álbum, que deve ter umas quatro mil alterações em seu andamento ao longo de seus quase exatos sete minutos, mostrando o lado sombrio, depois o empolgante e, enfim, o dançante, rs. Por último deixo a desconcertada "vamosdahmaisuma" que é a única que possúi trecho com voz e uma harmonia indecente entre os instrumentos. Também lembra muito, em seu começo, alguma música do Hurtmold que não recordo agora. Deixo aqui "Bananas For You All" para vocês curtirem.




      O disco dos caras foi lançado apenas pela internet, sem nenhuma cópia física a venda. O download pode ser feito através do Álbum Virtual (e também pelo Trama Virtual) e eles ainda ganham uma grana, porém existe uma burocracia de cadastro para poder baixar o disco inteiro, então deixarei um link para o site do Álbum Virtual e do Trama (que, para quem se interessar, ambos têm excelentes discos para download gratuito) e outro link de acesso mais fácil, mas sugiro que confiram o site também. Então fiquei aí com o incrível som de mais uma excelente banda brazuca e, com toda licença, vou-me embora tirar um som na escaleta, haha! Bom proveito!


Download

Macaco Bong - My Space

Macaco Bong - Álbum Virtual

Macaco Bong - Trama Virtual

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Andrei Machado - Lacuna

Ambiente | Instrumental | Minimalismo | Piano | Para dias chuvosos

1 - Uma Breve História do Tempo
2 - La Mi Realidad
3 - Campo de Centeio
4 - Después de Muertos
5 - Sou, das Verdades, a Maior Farsa
6 - Eu Sei que Sou Fraco
7 - O Mundo em Meus Dedos
8 - Relapso


      Uma amiga me disse que se apaixonou por Bardella e que desejava um som parecido, porque apenas as seis faixas de Passagem não eram suficientes para encher um dia chuvoso por completo. Continuei minha busca por músicas minimalistas, calmas, que poderiam ser parecidas com o tal projeto. Também queria algo mais, diferente, não exatamente igual mas bem próximo. Então procurei bem a fundo e consegui encontrar alguns discos que poderiam até ser estagiários para o serviço, mas nenhum tão bom quanto Lacuna. Certamente este não seria estagiário.

      É divertido encontrar artistas desconhecidos e ficar surpreendido a cada nova faixa e se perguntar sobre a razão de tais pessoas não serem reconhecidas pela sua criatividade e criação. Às vezes fico tão fissurado pelos desconhecidos que acabo ignorando o pessoal que já está acima. Foi o que aconteceu desta vez. Andrei Machado não é famoso, mas também não é desconhecido. Eu, realmente, não tinha a mínima ideia de quem era, porém me surpreendi quando pesquisei sobre o cara e fiquei sabendo que ele já estava a algum tempo no meio musical e, não obstante, é bastante conhecido por sua música característica: simples e singela.



      De brasília, Andrei sái da capital brasileira e atinge todo o contigente de pessoas realmente apaixonadas por música. Posso tentar definir o tipo de som com algumas palavras, fica difícil, mas sairia algo como beleza, suavidade, simplicidade, calmaria, vento, chuva, sono, felicidade, amor e piano. Tristeza também, mas só pra quem a deseja. Sua música mistura o clássico ao novo, fazendo uso da tecnologia em suas belíssimas composições em piano. Há também o uso de instrumentos de sopro como a flauta e a escaleta (um dos motivos para estar postando).

      Não achei muita coisa sobre o cara. Em seu perfil no Last.fm, está a frase: "Andrei Machado é um compositor nascido em Brasília, Distrito Federal." e mais nada. Pouquíssimas fontes de referência sobre ele, porém possúi 13 mil ouvintes no site, tornando-o significantemente mais conhecido do que as bandas que postei nessa semana. Reconhecimento muitas vezes é a pior forma de se analisar alguém, mas Andrei está até bem na fita para um artista que faz uma música deste tipo e, além disso, disponibiliza seus discos para download gratuito. Este tipo de situação é algo que me agrada e me deixa satisfeito por saber que, apesar de não necessário, o reconhecimento é sempre um grande prêmio por um trabalho bem feito.


      É complicado falar sobre música, eu devia ter pensado nisso antes de fazer o blog, rs... Realmente complicado. É como tentar ler as mãos de alguém, tudo pode variar e mudar drasticamente por causa de um risco a mais ou a menos. O parecido acontece na música. Uma nota vã a mais pode mudar o ritmo da melodia e te levar para um ambiente totalmente diferente do que você estava cinco segundos atrás. Isso acontece com mais força ainda quando se trata de música minimalista, onde cada nota é tratada de modo importantíssimo, contribuindo para a construção de uma harmonia habitada por poucos instrumentos que, unindo-se uns aos outros, formam um som singularmente único.

      Este disco conseguiu se tornar algo extremamente difícil de disertar. Estou aqui tem mais ou menos uma hora e agora que consegui medir as palavras certas para descrevê-lo. Sabe aquela sequência correta de músicas que te preenche? Lacuna canta sobre os espaços vazios que a vida vai deixando e esquece de preencher. Ele realça toda a periferia de sentimentos que cai no esquecimento, como a própria saudade, e conversa com o ouvinte sobre isso. É um trabalho a ser escutado com cuidado e calma, para que você não o vejo como um disco auto-destrutivo, mas sim como um diálogo, uma experiência. Uma luz.

      O título das faixas são belíssimos. A música, então, fala por si própria. Só posso destacar a belíssima "Campo de Centeio", que é, de longe, uma das mais belas músicas que já ouvi por essas bandas brasileiras. Seu dedilhado preciso nas teclas do piano, o violino saindo devagar no fundo e a melodia que nasce aos cinquenta segundos são quase como uma luz, preenchendo o vazio entre o vazio. Também separo "Después de Muertos", uma composição incrível, extremamente simples e tocante. As calmas notas do piano unidas ao timbre singular da escaleta conseguem destruir qualquer muro pessoal e entrar (com o pé na porta) nos sentimentos de cada um. E por último mas não menos importante, fica "Eu Sei que Sou Fraco", uma música auto-explicativa que faz uso de uma flauta-mais-do-que-doce.





      O download é disponibilizado gratuitamente pelo sinewave (bendito seja!), deixarei também os links do myspace e trama virtual para quem quiser conferir. Então termino por aqui esta postagem e espero que todos vocês curtam o disco! É uma ótima dica para quem gosta de Yann Tiersen ou, simplesmente, um piano bem agradável, rs. Bom proveito!

Download - Link Direto

Andrei Machado - Myspace

Andrei Machado - Trama Virtual

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Perdeu a Língua - Mamparra

Experimental | Post Rock | Brasilsilsil | Instrumental Of Doom

1 - Visão Periférica
2 - Queda Livre
3 - Mamparra
4 - Zen
5 - Nasce, Cresce, Reproduz e Morre
6 - Alto Relevo
7 - Sinal Vermelho
8 - Controle Remoto
9 - Homem Bomba
10 - Numa Tranquila, Numa Relax, Numa Boa
11 - Algodão Doce


      Desde o final de semana eu venho com essa cisma das bandas nacionais e ela está crescendo cada vez mais. Eis que antes de ontem eu, unindo essa fissura cin o TOC que possúo por organização musical, fui reorganizar as tags de gênero no meu itunes. Separei, em suma, somente as bandas nacionais em três divisões: Experimentais, Instrumentais e Alternativas. Aí já imagina a confusão que ficou, né? A que me deu maior problema em separar foi essa aqui, Perdeu A Língua.

      Apesar de não gostar de classificar os tipos de som, como disse em alguma postagem anterior, a bagunça estava tão grande que mereceu uma varrida geral. Desenterrei essa banda aqui que, não lembro como, já estava na minha biblioteca fazia eras e tinha ouvido pouquíssimas vezes. Então prometi ouvir novamente, com cautela e muito amor. Saí todo serelepe ouvindo pelas ruas (com um fone que fazia com que eu parecesse um atendente de call-center) e me surpreendi pra caramba. Veio novamente aquele sentimento: COMO NÃO OUVI ISSO ANTES? O pior foi que eu ouvi e não dei a devida atenção ao som dos caras.


      A banda foi formada em 2006 a partir das cinzas da extinta Triste Fim de Rosilene, que acabou no mesmo ano. Antes composta por cinco pessoas e um vocal feminino, os caras saíram de lá sem a menina e montaram Perdeu a Língua, que lançou este disco no ano passado, sendo seu primeiro trabalho em estúdio. Do extremo nordeste, o som do grupo saiu de Aracaju, Sergipe, e atingiu (e com força) um nível de qualidade musical que quase nunca vi. Um som milimétricamente bem cuidado, que consegue se "deixar deixando" sem que você nem perceba que é uma banda brasileira, porque este disco, meu caro, é uma beleza.

      Duas guitarras, baixo e bateria. Criatividade de sobra e vontade de fazer algo que realmente preste. Acabou, isso é o suficiente para sair um trabalho de qualidade e que, enquanto espero o ônibus, me faça ficar chocado de tão bom que é. Você abre a pasta, bota "Visão Periférica" pra tocar e, aos 1:20, quando o ritmo começa e o solo sái, você nem percebe mas já está balançando a cabeça pra frente a para trás. Incrível! Não subindo nota, mas eles tem um swing extremamente bem trabalhado. Uma harmonia entre bateria e baixo que é difícil de se encontrar. As duas guitarras em arranjos totalmente diferentes, ditonando notas que são reproduzidas com uma fieldade quase lírica pelos fones/amplificadores. Essa junção dos instrumentos fica perfeitamente vista em "Zen", que combina percussão e contra-baixo de um modo bem singular e agradável. Mudando completamente do zen pro agitado, fica "Sinal Vermelho", sétima faixa bem agitada e metronometrada nos instrumentos. Um trabalho profissional em questão de tempo e arranjo, sendo, ao mesmo tempo, complexo e agradável, fica evidente em "Numa Tranquila, Numa Relax, Numa Boa" que faz jus ao seu nome: tranquila, relax, na boa. O baixo leva nos slaps e depois se deixa guiado pelos incríveis arranjos das guitarras. Agora, de que adianta falar? Só ouvindo mesmo, rs!

Ainda fazendo barzinho, hein.

      Não tenho mais como saber como estão andando os downloads porque estou usando links de fora para não receber reclamações da APCM ou da DMCA, que deletaram algumas postagens devido a hospedagem dos links em uma conta no mediafire, então estou com fé que vocês estejam baixando bastante, haha! Perdeu A Língua também faz parte da web-label sinewave, possuindo apenas 323 ouvintes no Last.fm. Agora é hora de sair ouvindo por aí e parar de enrolação! Bom proveito!


Download - Link Direto

Download - MEGA

My Space - Perdeu A Língua

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Bardella - Passagem

Instrumental | Post Rock | Experimental | Para ouvir em dias chuvosos

1 - Liza
2 - Lujin
3 - O Jardim
4 - Deixai Entrar A Morte
5 - 21 de Agosto
6 - Precipitação, Tempestade


      Eu não devo ter o mínimo senso de direção. Ontem postei bossa nova. Hoje posto algo totalmente diferente. Não tô com um sentido em mente nem uma progressão de coisas pra escrever aqui. Primeiramente porque não faz sentido seguir a mesma linha e, em segundo lugar, porque meu humor musical varia tanto quanto eu troco de roupa. E, antes de escrever qualquer coisa sobre essa banda, vou abrir espaço para um questionamento aqui: Existe música de QUALIDADE no nosso país?

      Você, caro ignóbil, que respondeu um não à pergunta, merece estudar mais um pouco sobre isso. Tudo que é divulgado, que fica famoso e que toca no "Jovem Pan" não passa, afirmo, de lixo comercial. Ninguém ali quer música. Querem dinheiro. Isso mesmo, meu jovem, você está ouvindo DINHEIRO. Cada mente lavada, cada gota de cultura escorrendo desse pano frágil que a mídia torce todo dia, cada novo agregado do exército de mentes vazias que nasce, é mais peso nos bolsos e mais algarismos nas contas correntes dos grandes magnatas da mídia. Fico indignado porque nunca vi um ser humano com um daqueles sons de carro tocando algo que preste. O dia que eu der de cara com um sujeito desses, vou apertar sua mão e nomeá-lo como herói nacional. É incrível como a maioria da sociedade é manipulada de um modo tão sutil e suave (em certos âmbitos) que continuam a viver suas vidas sem que nada tenha acontecido enquanto suas mentes são drenadas para um único objetivo: pagarem impostos e consumir o desnecessário. Inclusive música.

  Me pergunto todo dia: que merda é essa?

      Acho que todo mundo já está careca de saber das modinhas e etc e designações e etc e de classificações e etc. Disso até minha mãe sabe. Porém ainda tem gente que reclama do nosso país no âmbito musical. Meu caro colega, se você soubesse da absurda quantidade de bandas independentes, originais e que estão aí querendo mudar esse cenário que dá dinheiro, você ficaria com vergonha de afirmar que Amarante foi o maior compositor que já nasceu aqui e que as bandas que prestam já acabaram. O maior problema é que ninguem pouquíssimas pessoas se importam na divulgação de música de qualidade, original e com sentido. É muito mais fácil vender dinheiro do que vender cultura, então "vamos deixar de lado os projetos independentes e vamos vender as coisas digeríveis e de baixo calão". Sim! É simples demais, não? Tudo tem seu lado bom e ruim. Me entristeço ao ver essa absurda realidade musical que é divulgada, porém agradeço todo santo dia pela capacidade que tive de reogarnizar as coisas e fugir desses padrões que saem da TV, rádio e celular de favelado no ônibus. Então, pensei: Já que obtive essa capacidade, por quê não passá-la para frente?

      Não menosprezando você, caro leitor, pois sei que a maioria das pessoas que acessam o blog tem uma vasta noção e conhecimento sobre música, porém escrevo aqui para os que não tem isto. Não digo que entendo de música. Perguntei pra minha namorada ontem qual era a definição pra "indie" porque eu realmente não sabia. Não gosto de classificar, nomear e criticar, mas tudo tem seu limite e abusar da paciência de quem quer mudar algo é como dar tiro no pé de anão. Não sou crítico e nem pretendo ser, porém a música continua sendo a minha maior fonte de prazer e pretendo até viver disso no futuro. Apenas amo a música. Então, a partir de hoje, postarei aqui uma quantidade pesada de artistas brazucas, quase desconhecidos, mas que possuem um som tão belo que deveriam ser reconhecido por todo o mundo.

-

      Então, findo este protesto, vou dedicar as próximas linhas a este belíssima disco que coloco aqui. Baderlla é um projeto formado em 2008, em Cabo Frio, pela dupla Gabriel Novaes, na escaleta, e Guilherme Mello, guitarra. Exatamente isto, meu colega: Guitarra e escaleta. Mais nada. Minimalismo puro. Achei-os através de uma profunda busca nos confins do post rock nacional, indo a partir de caras como Blanched e Pequeno Céu (postado por mim aqui), e me surpreendi bastante. Composições singelas, simples, belíssimas e melódicas. A banda tem pouco mais de dois anos de carreira e, até agora, possuem apenas 388 ouvintes no Last.fm.


      Achei muito pouco sobre o projeto dos caras, nada mais de que o disco fora gravado em 2009 através da web-label sinewave (que, por acaso, é um site realmente incrível!) e faz parte de um conjunto de bandas independentes que, através do experimentalismo, buscam uma renovação musical pela divulgação na internet, tanto é que todos os trabalhos feitos através do sinewave são disponibilizados para downloads gratuitos. Realmente incrível, não?

      Ao disco, não posso falar muita coisa. Só faltava o barulho de chuva, um café quente e alguém para ser lembrado, que a melancolia desce e faz com que Passagem seja muito mais do que um disco, mas, sim, uma experiência. Seis faixas absurdamente singelas, simples e lindas. Tentarei falar um pouco de cada uma. "Liza" são dois minutos de amor, os acordes na guitarra reverberam aos poucos, dando um ritmo um tanto suave enquanto a melódica escaleta vai, aos sopros, levantando um poeira no fundo de cada um. Nostálgico, diria eu. "Lujin" é mais instrospectiva, densa, a guitarra leva mais a melodia e, com sobreposições, enche o ambiente com formações profundas ao mesmo tempo que o característico timbre do 'tecladinho' vai guiando a melodia. A terceira faixa, "O Jardim", fica como preferida. Suave e única. Apenas isto. O troféu de densidade vai para "Deixai Entrar A Morte", que mais parece um hino de tristeza do que uma música. De tão nostálgica, "21 de Agosto" te dará saudades desse dia (apesar de você nem conseguir lembrar o que almoçou ontem, rs.) Fechando o disco com "Precipitação, Tempestade", Bardella mostra, em quase sete minutos, uma das composições mais mínimas que já ouvi. Fica assim.


      Um disco belíssimo, resumo. Com apenas 24mb você confere um áudio impecável e composições altamente originais dessa dupla. Ao ouvir você vai entender o por quê do "Para ouvir em dias chuvosos", haha! Como o disco é bem levinho, colocarei apenas o myspace para futuras consultas. Deixei o link oficial do sinewave para baixar porque é de graça, fácil e os caras ainda descolam uns centavos com cada download (também deve ser o único link que existe, porque vai ser desconhecido lá na). É só clicar alí embaixo no link do sinewave e em "download", do lado da capa do disco que vai aparecer! Aproveite! Lembrando que nosso maldito querido Tito está se fodendo se divertindo no SWU lá em São Paulo, logo quem vai encher as páginas disso aqui nessa semana serei eu.

Download - sinewave

Myspace - Bardella

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

sgt. - Stylus Fantasticus


Post Rock | Instrumental | Experimental | Outros japas fdps

1 - すばらしき光
2 - 囚人達のジレンマゲーム
3 - 白夜
4 - 声を出して考える方法
5 - 再生と密室
6 - 記憶の島の月
7 - 銀河を壊して発電所を創れ
8 - ムノユラギ


Acho que não adiantou muito colocar a setlist, não é? Bem, deixa pra lá. Vamos ao som! Comentei sobre sgt. no último post sobre a (também japonesa) banda 3nd. Comentei também sobre seu incrível violino. Então aqui vai um discozinho com uma pequena grande amostra com o incrível trabalho desse quarteto. Todos os membros da banda são multi-instrumentistas, fazendo com que suas atuações no palco sejam totalmente inusitadas ao trocarem de instrumentos quase toda hora e, é claro, possuírem a presença feminina na liderança da banda.

sgt. é uma das veteranas no "underground" do post rock japonês. Em 2005 lançaram seu primeiro disco, Perception Of Casualty, com o auxílio de integrantes da instrumental Toe. Abriram dezenas de shows, incluindo a germânica CAN em seu tour pelo Japão. Com inúmeros splits envolvendo bandas mais recentes de Tokyo como 3nd, good music, OVUM, Boredoms, ROVO e ONJI, sgt. é uma das maiores referências da música instrumental mundial, inovando com sua mistura do clássico ao jazz e com a inserção de um belíssimo violino em suas composições.


O grupo possui uma quase onipresença no Japão, principalmente na capital. Tocando por quase uma década com a formação original, detonam críticas a cada lançamento, seja de compactos ou singles. Em 2005 deslocaram todo o foco para si ao lançarem seu primeiro disco e, em 2008, com o lançamento de Stylus Fantasticus, alcançou supremacia musical ao ser classificado pela Hear Japan como melhor disco do ano, superando For Long Tomorrow, do Toe.

Todos os trabalhos da banda possuem foco no violino, mas também um excelente trabalho, principalmente, na guitarra. Bateria monstruosa e baixo bem executado também. Porém sua singularidade é dada simplesmente pela presença de arranjos do violino que conseguem mesclar o clássico, o jazz e o post rock em uma só mistura. Stylus Fantasticus se consagrou muito, tornando um álbum com uma produção impecável e algo que, teoricamente, é impossível de ser tocado por apenas quatro pessoas. A única resposta possível para esta situação é que eles, simplesmente, são japoneses, rs.


O disco, em si, é belíssimo. Varia de faixa para faixa e não segue, exatamente, aquela progressão típica do post rock. Possui arranjos eletrônicos, samples de outras músicas e a inserção de outros instrumentos como trompete, vibrafone e outros. Algumas músicas possuem efeitos pesados enquanto outras seguem apenas guiadas pelo violino, dando, assim, uma variabilidade imensa à obra do compacto, levando o ouvinte a inúmeras atmosferas diferentes. Particularmente, não gosto da segunda faixa, onde o efeito pesado demais dá um contraste imenso com o resto do disco e não tem nada a ver com a estética do trabalho, no geral. Mas opinião é sempre um saco e aí vem aquela célebre frase de The Big Lebowski: Yeah, well, you know, that's just, like, your opinion, man.

Sem querer desmerecer, mas o crédito de todo o disco ficou com a sétima faixa, 銀河を壊して発電所を創れ (adiantou bastante, né?), que é simplesmente uma das melhores experiências musicais já feitas e que eu ouvi. É simplesmente linda. Mais do que linda, uma obra de arte de tamanho épico. Com quase dezessete minutos de música, ela vai progredindo ao som de um violino impecavelmente executado em cima de uma melodia digna de merecer um lugar no meu pódio das cinquenta melhores músicas que já ouvi. Mas gosto é algo indiscutivel e, enquanto eu estou viajando horrores nessa música enquanto escrevo sobre ela, você pode não gostar por simplesmente ser uma faixa um pouco longa (quero ver quanto postar Godspeed You! Black Emperror com suas músicas de meia hora). Bem, você só vai concluir se gosta ou não quando ouvir, mas é uma das melhores dicas pra quem gosta de música instrumental e post rock com uma pitada de um clássico violino.




Coloquei a primeira parte da música pra vocês conferirem, para ouvir o resto pode ir lá no nosso amigo youtube e ouvir, ou então simplesmente baixar no link que vou colocar aqui em baixo. Acho que essa invasão musical do Japão que estou tendo vai passar logo e daqui a pouco vou voltar a postar coisas mais convencionais (not). Bom proveito!

Myspace - sgt.

Hear Japan - sgt.

Download 81MB

domingo, 26 de setembro de 2010

3nd - View From Here

Instrumental | Post Rock | Math Rock | Japoneses fdps

1 - Clockworker
2 - Augustline
3 - Season
4 - Haruoto
5 - Walk in brown
6 - Into the water ~ water

      Quando eu comecei a ouvir Toe, deixei por aquilo mesmo. Uma banda daquela conseguia suprir minhas necessidades naquela época. Até que num belo dia fui fuçar os artistas relacionados a Toe através no nosso amigo Last.fm. Acabei conhecendo vários grupos insanos, como por exemplo Mouse On The Keys, que possúi um extraordinário piano, Mudy On The 昨晩, com suas incríveis três guitarras, a belíssima sgt. que possúi violino e, é claro, 3nd com um baixista simplesmente insano. Houveram outras, mas essas se destacaram por possuir singularidades. Então lá fui eu, todo serelepe, ouvir essa banda aqui. No começo da primeira faixa eu já fiquei assombrado com o baixo, pior ainda no final da música. Uma banda que tem um baixista que não usa pedais e consegue levar o som pra frente acima das duas guitarras cheias de efeitos não é nada mole. É realmente incrível o arranjo feito entre o baixo e as duas guitarras, algo singular e totalmente inovador. As guitarras são OK, possuem todo a sua beleza, a bateria também (mas nem se compara a Takashi de Toe) porém o baixo é realmente incrível. Não somente ele, mas a composição em que ele está e a atmosfera que a união dos quatro instrumentos emanam.


      3nd foi formada em 2007 e, até agora, com dois álbuns e alguns singles, slipts e EPs, vem seguindo a linha da nova geração musical do Japão e reforçando o movimento da música instrumental em Tokyo. Mantendo a formação original até hoje, até nos shows ao vivo, os caras fazem um som bem dançante, diferente de outros caras como sgt. e Toe, devido, em grande parte, ao seu baixista, Yamamoto. O nome dá banda dá muitas controvérsias e, em uma entrevista ao site Hear Japan, os caras disseram que a pronúncia certa é "Three N D".

      O som é afinado e sincronizado aos milisegundos, possuindo uma característica muito ligada ao Math Rock, aproximando-os de bandas como LITE, porém suas guitarras possuem efeitos clássicos que lembram o post rock de bandas americanas (tanto é que neste exato momento, eles devem estar tocando em algum lugar dos EUA em turnê). O som deles lembra, em parte, a banda americana And So I Watch You From Afar, de onde eles tiram bastante influência. Bem, é chato ficar dando classificações à música dos caras, mas se tem algo que é, é um instrumental foda pra caralho. E só.


Um salutar desjejum: Café e cigarros.

      Esse foi o disco de estreia deles, lançado em setembro de 2007, ganhando ótimas críticas dentro da capital japonesa devido aos seus excelentes arranjos, composições inusitadas e, claro, à grande complexidade de seu contra-baixo. É realmente um disco dançante, animado, com uma bateria veloz e um ritmo que assusta de tantas mudanças. A primeira faixa já dá um puta susto com a entrada, em slaps, do baixo. Melhor: Ele dobra o tempo no final da musica, inclusive as guitarras! "Augustline" já é uma música bem mais fragmentada, com os intrumentos levados unicamente e um grito de animação, talvez, é dado pelos membros lá pela metade da música. Realmente revigorante, rs.

      Outra linha de baixo ignorante fica em "Haruoto". Simplesmente incrível. Depois desta, "Walk In Brown" é a mais variada do disco (e minha predileta), com belas combinações entre as guitarras e um ritmo que vai do lento para o extremo do dançante. Totalmente empolgante. A última faixa fica marcada pelo delay das guitarras, que dão um echo durante toda a música e terminam o disco de uma modo quase épico.




      Esse foi o único vídeo que achei dos caras, não é desde disco mas sim de um single composto antes da banda ser lançada e que veio a ser gravado no ano passado. Achei o clipe horrível, mas o instrumental é que vale, dando ênfase em TODOS os intrumentos (pire no baixo). Bem, dá pra conferir algo através dele, mas deixarei alguns links para conferirem o som antes de baixarem. Postarei mais algumas bandas instrumentais vindas do Japão, todas com as suas peculiaridades. Bom proveito!

3nd - Hear Japan

3nd - Myspace

Download - 40mb

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Toe - Songs, Ideas We Forgot

Post Rock | Math Rock | Instrumental | DEUS EM UMA BANDA

1 - Leave word
2 - I Dance Alone
3 - 1,2,3,4
4 - Path
5 - Yoru ha akeru


      Já falei que vou postar tudo possível de Toe aqui no blog. Os caras são gênios e nem tem como falar mais deles depois da MONOGRAFIA escrita aqui em baixo. Reforçando apenas a qualidade da obra dos japas, eu tinha postado o áudio ripado do ao vivo RGBDVD porque, particularmente, eu prefiro o som dos caras nos shows, que é algo muito mais natural, fluido e belo. Bem, deixando de lado isso, tem certas músicas que eles não tocam no RGB e que ficam nos EPs e Splits que eles fizeram ao longo desses dez anos na estrada. Uma parte dessas músicas fica nesse discozinho aqui.

      O primeiro trabalho de estúdio dos caras já começa sinistro. Lançado três anos após a estreia da banda, foi dito com o melhor EP de 2003 em todo o Japão e deu inspiração a inúmeros outros caras seguirem adiante com o projeto de música instrumental que estava se instalando na ilha. Não é um disco muito bem trabalhado em questões de qualidade musical, tanto é que você perceberá a diferença quando ouvir e comparar ao RGBDVD, mas mesmo assim continua sendo um cd ÉPICO.


      Acho que a grande maravilha deste disco é ter as duas faixas que seriam as grandes frentes nos próximos trabalhos de Toe, principalmente nos shows, pois "I Dance Alone" é uma das faixas com o instrumental mais bem trabalhado (que fica muito, mas muito melhor ainda ao vivo) e que é tocada no RGB e no CUT_DVD, que citei na última postagem. Além disto, "Path" sempre é a última faixa executada nos shows, terminando ou com um apagão na arena, guitarristas gritando ou uma Fender Telecaster estatelando no chão (consultar CUT_DVD), rs. É uma das músicas mais incríveis dos caras, juntamente com "I Dance Alone", mostrando a maturidade de um disco que precisou ser fermentado durante três anos de ensaios, colocando os membros em um estado de quase telepatia, para sair com grandes músicas como as lançadas nesse disco... O vídeo abaixo é de uma edição em cores de um ao vivo que fizeram, não incluso no RGBDVD (passei muito tempo tentando achar, infelizmente não o encontrei). Veja-o imaginando que é um dos membros da banda, sentindo o som fluir do teu instrumento e sair nos amplificadores. Imaginando a luz, as pessoas escoradas na grade da arena e aí você vai entender o que é que se passa após os dois minutos de vídeo: um estado de total sincronia com a música, o ato de estar fazendo uma das melhores coisas do mundo, estar satisfeito com isso e saber que está fazendo tudo de um jeito único e profissional. Não se assuste com os caras levantando a cabeça e gritando, não é uma corrente elétrica que está passando por eles. É simplesmente música.




      Das outras três faixas minha preferida fica com "1,2,3,4", uma das pouquíssimas faixas bem animadas da banda, com um instrumental realmente empolgante e riffs de guitarra incríveis: rápidos e precisos. A presença de uma saravaida de palmas também contribui para a sonoridade da faixa. "Leave Word", meio puxada para uma bossa nova, abre o disco com a guitarra guiando e continua seguindo até o seu final, mostrando-se extremamente bem trabalhada para o primeiro EP da banda. É tocada também no RGBDVD, contendo, de brinde, um belo grito de Takashi quando este se empolga na bateria.

      Não colocarei os links do site oficial e do myspace porque já estão aí na postagem de baixo, ok? Bem, agora é só baixar e sair ouvindo por aí, sem precisar decorar letras! Bom proveito!


Download - Mediafire

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Toe - RGBDVD

Math Rock | Instrumental | Post Rock | Japoneses fdps | Ao vivo

1 - Interlude 1
2 - Hangyaku Suru Fuukei
3 - Kodoku no Hatsumei
4 - Tremolo+Delay
5 - Interlude 2
6 - C
7 - I Dance Alone
8 - Leave Word
9 - Interlude 3
10 - All I Understand Is That I Don't Understand
11 - I Do Still Wrong
12 - Interlude 4
13 - Mukoukishi ga Shiru Yume
14 - Past and Language
15 - Interlude 5
16 - Metronome


      Essa foi minha terceira postagem na Taverna. O porém é que naquela época eu não dei valor suficiente para a grandeza dessa banda e fiz uma resenha muita xôxa. Então deletei aquele post e estou refazendo uma postagem digna da qualidade do som deles.

      Vou resumir a banda em uma frase: A melhor banda instrumental do planeta. É, isso aí, meu caro... A maior de todas. O incrível é que são apenas quatro seres humanos que fazem parte da divindade musical que sai de cada nota tocada por eles. A música é simplesmente tocante, bela, complexa, bem feita, muito bem feita, profunda e madura. Se eu precisasse dar uma nota para a banda seria 11, se possível, e olhe que eu sou chato pra cacete para considerar bandas realmente incríveis. Ouso coloca-la no mesmo patamar de um gigante como o Radiohead ou até, digo, Pink Floyd.


      Toe foi formado em 2000 e mantém a formação original até hoje, com duas guitarras, baixo e sua incrível (incrível mesmo) bateria. Possuem dois trabalhos de estúdio, dois DVDs ao vivo, dois splits e inúmeras participações com outros artistas, incluindo Pele, Mono e a ex-cantora do Cymbals, Tori Asako. Os caras são uma febre no Japão, fazendo shows a toda hora e são, em grande parte, um dos responsáveis para a mistificação da música japonesa (porque ninguém aguentava mais J-Rock e J-Pop).

      Para falar da banda é preciso falar do baterista. Kashikura Takashi é um OGRO. Realmente, em toda minha vida, nunca tinha visto um baterista tão profissional como este cara. As batidas rápidas, precisas e, em grande parte, inusitadas, são apenas cartas do grande leque de técnicas desse gênio. É de assustar, cara. A bateria permanece em viradas durante toda a música, não existe essa de manter o ritmo simples como 99,9% fazem. Isso é fichinha perto da capacidade musical do sujeito. Apesar disso, Takashi não é o líder da banda, nem um dos outros três são. Simplesmente pelo fato de não possuírem vocalista, a importância do som é feita por todos os quatro membros, que são igualmente competentes e possuem mais do que uma aparente amizade, mas uma possível telepatia para fazerem um som desses.

Satoshi (Baixo), Mino Takaaki (Guitarra), Takashi (Bateria) e Hirokazu (Guitarra)


      Falando sobre o som: Uma da grande diferença de Toe para outras bandas de post ou math rock é devido, em grande parte, à harmonia entre os instrumentos. A falta de efeitos de drive e distorção nas guitarras e o uso (em peso) de outros efeitos como delay, tremolo, reverb e chorus, dão uma sonoridade muito limpa aos instrumentos, dando a impressão de que as guitarras estão ligadas diretamente aos amplificadores. Mas não... Os caras tem milhões de pedais para usar um pouco de cada e deixar o som extremamente suave, limpo e leve. O mesmo com o baixo: Nenhum efeito pesado, apenas a dança dos dedos de Satoshi em seu Fender. Além disso, os caras possuem uma interação incrível. Músicas com o tempo complicadíssimo são executadas facilmente por eles (o que, em grande parte, se deve à grande técnica de Takashi), tudo sem ao menos um sinal verbal. O mesmo funciona com as guitarras: Nada de guitarra base ou guitarra solo, ambas possuem sua devida função em cada música, trabalhando unidas e mesclando todo som em apenas um, dando um efeito ambiente incrível.

      Estou repostando o RGBDVD pois, como disse na primeira vez, era um disco que abordava muitas músicas, inclusive de vários discos. Eu estava errado. Esse ao vivo é uma compilação de, principalmente, músicas de seu primeiro disco, Toe: The Book About My Idle Plot On A Vague Anxiety, onde existe apenas a instrumentação dos quatro membros. A exemplo, o RGBDVD é tocado apenas pelos quatro e foi lançado no segundo semestre de 2006, enquanto no início desse ano Toe lançou o CUT_DVD, onde possúi músicas bem mais elaboradas que contam com a participação de teclado, percussão, voz e até metais. Para resumir, este será o primeiro disco da banda aqui. Um trabalho mais simples, de fácil digestão e gostoso de ouvir.


      Chega de enrolação e vamos ao disco! Como é o áudio de um ao vivo ripado, perdemos muita da estética do show. Feito todo em cores desbotadas com uma leve tendência ao cinza, RGBDVD é um trabalho incrível. Foi gravado numa arena circular de, aproximadamente, menos de dez metros quadrados por pedido da banda, para que todos os membros conseguissem ficar perto um do outro e não precisar de retornos no som. As seis câmeras foram dispostas nas bordas dessa arena (já que não cabia mais merda nenhuma lá dentro) e gravadas por fora. Realmente é uma façanha e tanto. Além da simplicidade do local, o som feito durante os 49 minutos de show foi algo transcendental: milimetricamente organizado, regido pela bateria de Takashi e levado ao sons dos instrumentos de corda.

      O disco possúi cinco interlúdios que, durante o DVD, mostram a banda percorrendo o Japão numa van e se preparando para inúmeros shows em vários lugares. Esses intelúdios são incríveis, quebram a rotina do disco com apenas o som de um violão lento e cansado, fazendo com que você esqueça que está ouvindo uma banda inteira. Quando acabam, volta novamente o ritmo característico de Toe. Incrível mesmo é ouvir os caras da banda gritando por simplesmente estar tocando algo tão único como aquilo. Gritos de empolgação e satisfação. Separarei algumas faixas que merecem seu devido respeito. "Kodoku no Hatsumei" começa como a primeira música do disco e abre com chave de ouro. As guitarras sincronizadas, a batida ritmada e o ambiente musical limpo já dão uma ideia de como será o resto do disco. Logo, se você gostar desta, ficará mais satisfeito ainda com as próximas faixas. "Tremolo+Delay" é simplesmente o nome dos efeitos utilizados por Hirozaku e Takaaki em suas guitarras. Não é só por isso que será uma faixa simples, pelo contrário: a gama de efeitos de eco preenchem o vazio do vazio e te levam a outro lugar, um lugar bem distante mas que parece familiar... Mas, opa, aí vem um interlúdio que destrói o seu pensamento e te leva diretamente à belíssima "C", igualmente bem elaborada como as outras mas com, é claro, sua singularidade. Quase no final fica "Past and Language", uma linda música com guitarras unidas em som e alma, um timbre único, singular e agradável. A linha do baixo vai dando o ritmo junto à bateria. Mas, pessoalmente, a estrela do disco fica com "I Dance Alone". Resumirei nisso: CARALHO, QUE MÚSICA!




      Bem, vou parar por aqui porque empolguei e, provavelmente, pouca gente lerá isso tudo e alguém me ameaçará depois que eu disser que Toe é a melhor banda da década. Lembrando que esse será um dos vários trabalhos deles que postarei aqui (e que só vão melhorando com o tempo). Agora baixe o RGBDVD, sente na tua cadeira, aumente o volume e, simplesmente, feche os olhos e tente sentir o ambiente que essa música nos trás. Afinal, sempre existirão japoneses que fazem coisas incríveis, seja no youtube ou num estúdio. Bom proveito!

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Toe - Myspace

Toe - Site Oficial

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Constantina - Constantina

Instrumental | Experimental | Post Rock | Brasil

1 - Porque Sim
2 - Treinando Para Ser Chuva
3 - Depois da Euforia
4 - Magnólia
5 - O Que o Momento Não Diz?
6 - Santa Rosalia
7 - Tudo Possui um Lugar
8 - Ele já Atravessou Todos os Oceanos do Mundo


      Como conheci isso? Não lembro muito, sinceramente. Meio que, durante aquela época que até comentei aqui, fui procurando as bandas estritamente ligadas ao instrumental nacional e independente (precisamente ao Hurtmold) e achei uns caras como esses. Fiquei realmente surpreso com a qualidade do som dos sujeitos e até cheguei a ir num show deles junto com Ruído/mm (que você pode conferir a resenha aqui) e, velho, que sonzeira os caras fizeram.

      No palco tinham uns sete caras. No final do show eles chamaram os caras do Ruidão pra subir e eram uns doze tocando TUDO, literalmente: Bateria, baixo, guitarras, escaleta, vibrafone, sintetizador, trompete, tarol, percussão, triângulo, conchas, molho de chaves, ralo de pia (é sério). Além da incrível capacidade de improviso dos caras, a qualidade sonora era incrível. A relação dos músicos com a música era quase como amor. Tudo milimetricamente ajustado e afinado. Incrível.


      Os caras são daqui de BH, precisamente de bandas extintas que já rodavam por aqui faz muito tempo: Ana, Retórica, Moan e Filit. Com uma bagagem musical pesada e com iniciativa de sobra, Constantina lança esse álbum homônimo em 2005, sendo o primeiro trabalho em estúdio dos seis juntos. Levando o selo da própria banda, La Petite Chambre, Constantina mostra uma intríseca relação com o post rock, colocando as guitarras como principal arma, mostrando cuidado, também, na linguagem estética da capa do disco e nos títulos das músicas.

      Quando ouvi isso, foi uma surpresa, confesso. O arranjo extremamente simples e belo das guitarras faz com que esse disco seja mais do que fiel ao que promete, mas também uma sugestão de tempo de prazer em apenas escutar música. Não é algo para se ouvir enquanto estiver ocupado, porque ele vai te distrair. Ouça-o na cama, na rua, na Praça da Liberdade (fazendo jus ao nome de uma banda belorizontina) e simplesmente entre na atmosfera que ele transmite.

      O som é uma viagem instrumental. Diversificação no som e nos arranjos, só isso. Uma liberdade musical tão incrível que, durante o show que eu fui, os caras trocavam de instrumento toda hora, mostrando que são ótimos instrumentistas. Além disso, a criatividade é outra coisa assustadora. Pegar chaves e colocar em ralo de pia para usar de percussão não é nada comum, saiba, rs. O disco é quase como uma música, seguindo uma linha e progredindo até uma mensagem final, típica relação no post rock, mas é só ouvindo mesmo pra concluir que, apesar de não vermos por aí direto, essa cidade ainda tem música que salva.

      As belíssimas guitarras em uníssino se unindo com o singular tom da escaleta ficam claros na primeira faixa, "Porque Sim", abrindo o disco com uma atmosfera incrível que continua por todo o resto do álbum. Também presentes em "Treinando Para Ser Chuva", mostrando-se mais harmônica ainda em conjunto com o vibrafone e o som de, é claro, chuva. Mais evidente na ultima faixa, "Ele já Atravessou Todos os Oceanos do Mundo", que além de ter um nome bem sugestivo ela te faz quase sentir o cheiro de sal de mar (e sabe-se lá por que). Minha predileta ainda é "Santa Rosalia", que fica resumida em uma palavra: Infância. O som de crianças correndo e jogando bola e gritando dão um toque mais do que perfeito para a singelidade da música.


[Vídeo do Pequenas Sessões aqui em BH (único que achei)]

      Bem, a coisa fica só escutando mesmo. Fica também a felicidade de se ter sons desses por aqui, dando um pouco de esperança aos que ainda tem lucidez para correr atrás do seu próprio som, mesmo que seja feito em um estúdio caseiro como este aqui. Seja instrumental ou não, Constantina é uma ótima sugestão pra começar nessa segunda feira monótona (como todas as outras). Bom proveito!

Site Oficial Constantina

My Space - Constantina

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