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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Erasmo Carlos - Carlos, Erasmo... (1971)


MPB | Groove | Rock | Dificil de definir | Tiozão

1 - De Noite, Na Cama
2 - Gloriosa
3 - Masculino, Feminino
4 - É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo
5 - Dois Animais Na Selva Suja da Rua
6 - Gente Aberta
7 - Agora, Ninguém Chora Mais
8 - Sodoma E Gomorra
9 - Mundo Deserto
10 - Saudosismo
11 - Não Te Quero Santa
12 - Ciça, Cecília (Tema De Ciça)
13 - Em Busca das Canções Perdidas Nº2
14 - 26 Anos De Vida Normal
15 - Maria Joana
16 - A Semana Inteira
17 - Coqueiro Verde


Ouça isso:



     Não foi o suficiente pra te convencer a baixar esse álbum? Puts... Quando eu ouvi essa música pela primeira vez a única coisa que passou pela minha cabeça foi "COMO QUE EU NUNCA TINHA OUVIDO ISSO NA MINHA VIDA, MEU AMIGO?". E até hoje a maioria das pessoas pra quem eu mostro essa música (ou até mesmo o álbum inteiro) também pensa do mesmo jeito que eu. Como que tal qualidade musical feita aqui, no nosso país tupiniquim, não chega ao ouvido do público comum? É algo que sempre me intriga... Mas já que a mídia não mostra esse tipo de música, a Taverna existe. E estou aqui hoje pra resenhar um dos melhores discos que já ouvi na minha vida.

      "Erasmo Carlos? Quem é ele? É parente do Roberto Carlos?"

     Coincidentemente acabei conhecendo Erasmo pelo seu companheiro Roberto Carlos. A uns anos atrás eu escavava o excelente blog sacundinbenblog e descobri uma seleção feita pelo dono do blog sobre composições de ALTÍSSIMA qualidade gravadas na década de 70 pelo próprio Roberto Carlos. Eu me espantei por quebrar a cara em relação a um artista que eu tinha uma noção completamente diferente. Roberto é FUNK, é GROOVE. O que a gente conhece dele é, infelizmente, o pior do trabalho do Rei. Fiquei muito feliz de fazer tal descoberta e mais feliz ainda quando, vendo que Erasmo Carlos compunha junto com Roberto, tive a curiosidade de procurar sobre essa figura e me espantar mais uma vez, para a minha felicidade.



     Já não basta a surpresa de ouvir um som novo, quando a gente vai a fundo acaba descobrindo mais surpresas aonde achava impossível ter mais alguma. Erasmo era amigo de infância de Tim Maia, que chegou a ensinar Erasmo a tocar violão. Em 57, Tim Maia montou uma banda chamada The Sputniks, sendo que um dos integrantes da banda seria um dos maiores parceiros na carreira de Erasmo como arranjador e compositor: Roberto Carlos. Houve uma briga de proporções épicas entre Tim e Roberto e banda se desfez. Após o fim dos Sputniks, Erasmo formou, com mais alguns integrantes, o The Snakes, que acompanha tanto Tim Maia quanto Roberto Carlos, ambos em suas respectivas carreiras solo.

    Erasmo Esteves adotou o nome artístico de Erasmo Carlos em homenagem ao amigo Roberto e o seu produtor Carlos Imperial. Conheceu Jorge Ben, Wilson Simonal e João Gilberto. Quando a Bossa Nova nasceu, Erasmo foi fortemente influenciado por ela ao mesmo tempo em que mantinha seus pés fixos no rock 'n roll e ao blues. Tais influências começaram a se mesclar quando, em 70, ele assina com a Polydor e, com a presença musical de Tim Maia e Cassiano, ambos trazendo o Soul para a MPB, Erasmo começa a gravar seus melhores trabalhos, trazendo uma mescla de MPB, Bossa Nova, Soul, Rock 'N Roll e Blues. E, como eu já falei em algumas outras resenhas aqui na Taverna, o ano de 1971 foi o ano mais fodelância da música brasileira, com lançamentos de discos INSANOS como o melhor disco do Gilberto Gil, o do Novos Bahianos e Baby Consuelo, Tim Maia, Chico Buarque, o melhor disco de Gal Costa, Caetano, Elis Regina e outros cantores.


Erasmo Carlos aprova este post.

     O disco já abre com uma canção de Caetano Veloso que foi composta especialmente pra Erasmo: "De Noite, Na Cama", que trás uma fortíssima apologia à maconha. Outro fator que poucos podem negar é que Erasmo gostava, até demais, da santa erva, tanto é que "Maria Joana" é uma declaração explicita do amor que Erasmo tinha em relação à maconha. "Masculino, Feminino" é uma belíssima canção na qual Marisa Fossa acompanha Erasmo no vocal, bem suavemente, quase como uma declaração de amor um para o outro, como um dueto. Não preciso nem falar sobre "É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo", não é? O groove dessa música é pesado demais, quase insuportável quando acompanhado pela letra melancólica. E quando você acha que a música não pode melhor, tem um solo de guitarra E um solo de sax. Pesadíssimo.

     Ouçam também "Gente Aberta", um sambinha com um groove tropical, uma belíssima letra e uns metais deliciosos que aparecem no fim da música, quando o rock 'n roll quebra e o baixo começa a fazer as linhas mais inusitadas. Pena que dura pouco mais de dois minutos de música... "Sodoma E Gomorra" é quase como uma canção religiosa, acompanhada numa harmonia medieval e uma letra arrastadíssima na voz de Erasmo. "Não Te Quero Santa" é uma daquelas canções da MPB que todos nós já ouvimos, que não sai da cabeça e, ainda por cima, é uma delícia de música! Finalizando a seleção fica "Coqueiro Verde", um puta samba arranjado no violão, no bongô e na cuíca, que é a última música do álbum só pra mostrar que Erasmo também conhece o samba.




Quem não tem nada com isso
Vê a vida e não o amor
Gente certa, gente aberta
Se o amor chamar, eu vou
Eu vou, eu vou, eu vou...

Ouçam essa delícia musical vinda diretamente do nosso Brasil da década 70 e me digam se só gostaram ou se estão apaixonados por esse álbum igual eu, HAHA. Espero que gostem! Até o próximo álbum!

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sábado, 12 de março de 2011

Gilberto Gil - Gilberto Gil

Tropicália | Bossa Nova | MPB | Puta disco lindo do caralho

1 - Nega (Photograph Blues)
2 - Can't Find my Way Home
3 - The Three Mushrooms
4 - Babylon
5 - Volkswagen Blues
6 - Mamma
7 - One O'Clock Last Morning, 20th April 1970
8 - Crazy Pop Rock
9 - Can't Find my Way Home (live)
10 - Up From the Skies (live)
11 - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (live)


      Estamos de volta! Afinal, todo carnaval tem seu fim. E falando em carnaval, provavelmente a minoria dos leitores da Taverna deve ter tido a oportunidade de conhecer esta clássica festividade em sua época de ascenção, cerca de 50 a 40 anos atrás. O que vemos hoje como a "Velha Guarda" das escolas de samba era a ponta do iceberg de várias mudanças sociais que estavam acontecendo aqui em nossa nação. Não vou dar uma de professor de história e roubar minutos de sua leitura explicando isto, então resumirei a década de 60 em três momentos importantíssimos: A Ditadura Militar, a Invasão Britânica e a Tropicália.

      Do regime militar vocês estão cansados de estudar sobre isso e já sabem que durante tal época, ninguém podia abrir a boca senão acabaria embaixo de sete palmos de terra. Para os leigos, a Invasão Britânica não foi um grupo de barcos ingleses invadindo o Brasil com chás e canhões. A música se resumia ao blues e ao jazz em toda a mídia que divulgava música. Então os Beatles, Stones e aquela cambada toda que seu pai insiste para você ouvir (ouça) revolucionaram o cenário musical de todo o mundo, inclusive aqui na Terra do Pau-Brasil. No final da década de 50 o samba e a bossa nova dominavam os rádios. Porém estes mesmos rádios começaram, a partir de 1963, a tocar Twist And Shout e Route 66. O povo pirou. Os artistas e intelectuais piraram mais ainda, percebendo que a música tomava novos rumos e que o Brasil estava ficando sem identidade musical. Então o bicho pegou.

Um alfajor pra quem acertar o nome de todos.


      A quantidade de experimentações que começaram a ser feitas a partir de tal época foi incrível. Coincidentemente, a Ditadura Militar começou. A putaria que estava sendo feita com o povo fez com que manifestações de todo tipo começassem a ser feitas. A música foi um pivô crucial para a disseminação de protestos contra o governo. Porém em 1968 sái o AI-5. A repressão foi brutal. Os artistas que citei alí em cima, que protestavam em suas músicas contra o governo, tinham 3 rumos a tomar: se exilar, ser preso, ou trair o movimento (como o Roberto Carlos fez, rs). Chico Buarque e Caetano são os exemplos de exilados que todo mundo conhece, porém poucos sabem que nosso atual ex-ministro da cultura também esteve uns anos fora de nosso Brasil, se protegendo contra o regime militar e aprendendo durante sua convivência de três anos na Inglaterra.

      Gilberto gravou este disco em 1971. Como eu disse em alguma postagem bem antiga, 1971 foi um puta ano incrível da musica brasileira. Apesar de Gil estar na Inglaterra em tal ano (e cantar todo o disco em inglês), este álbum contribui significantemente para o acervo incrível de obras gravadas em tal ano. Eu até coloco uma tag nos álbuns de tal ano e pretendo ainda postar muitos outros, como o de Erasmo Carlos, Tim Maia, Elis Regina, Tom Zé e toda a trupe tropicalista que tocava o terror nos rádios e na TV. No fundo, este é um disco trabalhado em foco na voz e no violão de Gilberto, contendo, é claro, bateria, contra-baixo e uma guitarra bem nervosa às vezes, rs. Mas antes de ler qualquer coisa, tente tirar esta imagem de Gilberto da sua cabeça:


      Este é o Gilberto de 2009. O cara de que estou falando viveu há exatos quarenta anos atrás. Não tinha tererê no cabelo e não usava terno nem parecia com o Djavan. Este era nosso Gil que importa:



      Ok. Sabendo disso. Vamos ao disco, hehe! Baixei este disco ha muito tempo pelo excelente sacundibenblog (que sugiro que vocês acessem clicando aqui) e fiquei apaixonado de cara. Não só pela toda grandiosidade musical da obra, mas também pelas três faixas inclusas de um show que Gilberto fez no Brasil logo depois de voltar de seu exílio. Na verdade, "Gilberto Gil" tem oito faixas, mas as outras três são tão incríveis que vou mantê-las pra vocês ouvirem. Pra quem imaginava nosso Gilberto como ministro, de terno e sério, vai acabar conhecendo outro totalmente diferente, que toca Hendrix, Traffic e uma versão de Sgt. Peppers onde os saxs foram substituídos pela própria boca de nosso Gil, haha.

      "Nega (Photograph Blues)", resumida em violão, baixo, guitarra e a impecável voz de Gilberto, abre o disco dignamente, mostrando pra quem nunca ouviu o álbum que a qualidade do disco é mais do que alta. A versão gravada de "Can't Find my Way Home" é maravilhosa, apenas ouvindo pra poder tirar suas conclusões. Separo também a deliciosa "Babylon", onde Gil varia tanto o tom da voz que você se pergunta estar ouvindo ao mesmo cantor. Detalhe: você tem que ouvir tudo em um estéreo, senão vai perder a sensação de ouvir o violão em seu ouvido direito e um quase beat-box de Gilberto no outro ouvido. Também separo a bem humorada "Volkswagen Blues", contando a história de um fusquinha que quebrou o galho de Gilberto várias vezes e que, segundo ele, levou-o até a lua.


      Depois da longa aula de história, deixo-os livres para baixarem e curtirem esse álbum magnífico de um cara certamente mal interpretado musicalmente em nossa sociedade atual. Verei se consigo postar mais vezes na Taverna, mas a faculdade está comendo totalmente meu tempo, porém conseguirei vir aqui e mostrar algo bom pra vocês pelo menos uma vez por semana, rs. E não deixem de conferir o blog que citei, pra quem quer conhecer mais da música brasileira, é um pecado não conhecê-lo. Agora baixe, tire a bunda dessa cadeira e saia por aí assobiando Gilberto Gil por aí!


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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Novos Bahianos - Baby Consuelo + Novos Bahianos No Final Do Juizo

Brazilian | Psicodélico | Tropicália | 71

1 - Dê Um Rolê
2 - Você Me Dá Um Disco?
3 - Caminho De Pedro
4 - Risque

       Esse foi o primeiro album dos Novos Baianos que ouvi e foi, de cara, o que me fez apaixonar por eles. Na verdade nem foi lançado como album, mas sim em 1971 como compacto duplo, ano que, pessoalmente, foi o ano mais motherfucker em relação à música aqui no Brasil, competindo com Gilberto Gil, Jards Macalé, Jorge Ben, Luiz Melodia, Tom Zé e outros titãs nacionais.

       Diferentemente do que era lançado na época, quando o tropicalismo estava em alta, os Novos Bahianos, ainda com o "H", lançaram esse compacto desviando totalmente do movimento em que o Brasil estava trilhando e só voltaram à ele em 72 com o lançamento do épico Acabou Chorare que virou marco na década de setenta.

       Com apenas quatro faixas, o trabalho quase que perfeito de Baby Consuelo (Que depois, infelizmente já vendida, conhecemos como Baby do Brasil e, comicamente, agora de Baby de Jesus, rsrs) e Moraes Moreira, é totalmente absolvido no disco com as letras psicodélicas e os rifs de guitarra de Pepeu Gomes, se tornou algo totalmente inovador para o nosso conhecido tropicalismo que era totalmente predominante aqui.

      Bem, chega de chorare, vamos às músicas! Disparada, "Dê um Rolê", com Moraes na voz, num ritmo de blues rock, guitarra totalmente arranjada em pentatônica e com um swing que nem Chimbinha conseguiria acompanhar, rs. Excelente e viciante. Já "Você Me dá Um Disco?", com Baby Consuelo na voz, com um ritmo de marchinha e cantada em um portunhol bem mal arranjado junto com um português, é excepcional. As outras duas, "Caminho de Pedro" é cantada por Moraes enquanto "Risque" é cantada por ambos.

       Bem, resumindo: Apesar de ter apenas quatro músicas, é um album de excelente qualidade, já que Moraes foi influenciado por amigos como Tom Zé e Luiz Galvão. Mas esse é só o começo, depois postarei aqui o Acabou Chorare, eleito como melhor album brasileiro da história pela Rolling Stone. Bom proveito!

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