Mostrando postagens com marcador Tom Waits. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tom Waits. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Tom Waits - Small Changes (e um monólogo de desculpas)

Piano | Jazz Experimental | Blues (?) | DEUS

1 - Tom Traubert's Blues (Four Sheets to the Wind in Cophenhagen)
2 - Step Right Up
3 - Jitterbug Boy
4 - I Wish I Was in New Orleans (In the Ninth Ward)
5 - The Piano Has Been Drinking (Not Me)
6 - Invitation to the Blues
7 - Pasties and a G-String (At the Two O'clock Club)
8 - Bad Liver and a Broken Heart (In Lowell)
9 - The One That Got Away
10 - Small Change (Got Rained on with His Own)
11 - I Can't Wait to Get Off Work (And See My Baby on Montgomery Avenue)


AE AE QUE EMOÇÃO. A TAVERNA ESTÁ DE VOLTA! (tava na hora, porra)

Caramba, que nostalgia é postar aqui. Dois meses me deixaram desacostumado com o blog e quando resolvo postar sinto uma felicidade tão grande que é meio difícil de explicar. Sério. Cheguei a receber email de gente perguntando se o blog não voltaria ou se eu/tito morremos ou se simplesmente fui morar numa caverna. Mas não! Oe Oe, a Taverna está de volta com força total agora! Explicarei em poucas linhas (aham!) as diversas razões para o afastamento deste sucinto local.

Tendo praticamente dois meses da última postagem, Dark Side Of The Moon, do Tito, um período de incríveis coisas intermediou-se até aqui. Tivemos as provas vestibulares e, por incrível que pareça, este ser boçal foi aprovado pro curso de Design Gráfico na UEMG (digamos que nasci com a bunda virada pra lua). Isso tem mais ou menos umas duas ou três semanas. Daí decidi que, mesmo com a possibilidade de passar na UFMG, optarei pelo design por diversos motivos como, por exemplo, o horário extremamente cômodo para mim. Parei e pensei: poxa, agora não vou ter que fazer mais NADA até fevereiro, voltarei a postar na Taverna! Acontece que me empolguei demais em baixar filmes e ler, esquecendo totalmente da empoeirada Taverna.

Culpe Tarkovsky pela minha ausência.

Foda-se. Estamos de volta. Agora é só felicidade! Falando nisso, o disco que posto aqui é praticamente o oposto disso. Tom Waits, acho que como todos que liam aqui sabem, é um dos sujeitos que mais admiro, independente se for na música ou no cinema, o cara é incrível. Até nos shows ele sabe atuar. Eis que este disco me cativou nos últimos tempos (tanto é que se você fuçar no meu last.fm vai ver que esse maldito ultrapassou, em muito, os barbudos) por uma das singularidades que Waits apresenta em cada um dos seus discos. Foi subindo no meu conceito e agora o vejo como o maior exemplar do jazz de todos os seus discos, exceto, é claro, o One From The Heart, trilha sonora pra um dos filmes do Coppola.

Temos que levar em conta que Tom Waits gravava na Asylum, uma gravadora que na época trabalhava com força com pessoas que mixavam o jazz nas composições. Em 1976 Waits soltou esse disco e, de certa forma, chocou quem esperava algo como o Closing Time, disco dele de 1973, também da Asylum, porque este, meu caro, é jazz sim, mas um jazz diferente. Experimental. Pra você entender o choque que esse disco criou, você tem que conhecer o Closing Time, um disco de apenas três anos antes do lançamento deste. Quem ouvir o Small Changes de cara, vai dizer que é, provavelmente, um disco da década de 90 ou até mesmo dos 00's, porque vai ficar com memoráveis faixas como Step Right Up e Pasties and a G-String, que são composições extremamente experimentais e com conteúdo crítico, coisa que Waits ainda não tinha colocado em nenhuma obra sua (lembre-se das músicas melosas do primeiro disco).


Apesar desse experimentalismo inovador, Waits mantêm seu clássico piano na maioria das músicas, dando uma certa nostalgia ao tocar com suas letras depressivas e existenciais depois de uma turbulência de Step Right Up. De certa forma, Tom não larga suas origens nem no ápice do experimental como nos discos Rain Dogs e Bone Machine. O diferencial em Small Changes é exatamente esse hibridismo na obra, contrastando ora uma música composta apenas por um tambor, ora com saxofones, pianos e contra-baixos. Sem mais enrolação, falemos agora das músicas.

Waits consegue abrir o disco de uma forma meio, hmm... diferente. Intertextualiza (com força) com Waltzing Matilda, uma canção folclória australiana, colocando uma forca na tradição e transformando-a em uma depressiva canção de bêbado de rua. Step Right Up, seguindo, DESTRÓI a imagem do disco que você tinha. Um baixo constante, bateria rápida e um saxofone gritando no estéreo esquerdo. Além disso, uma letra incrívelmente crítica e, de certa forma, cômica, pois aborta o consumismo e o imediatismo humano dos últimos tempos ironicamente, como em: "Você precisa de perfume? Nós temos o perfume! Que tal um anel de noivado?" Então pulamos para a terceira faixa, uma de minhas preferidas.


Memórias e desejos saem de Jitterbug Boy. É linda. Piano e Tom Waits não dá pra sair algo ruim. Além da melodia, uma letra incrivel, tocante e absurda também... Ou será possível que a Marilyn Monroe tomou um salutar café da manhã no olho de um furacão? Seguindo a linha da memória, I Wish I Was in New Orleans é uma canção de saudade e desejo, já que Tom é fã de Louis Armstrong (que também, em Jitterbug Boy, se droga com o próprio Waits!) e lá onde foi que o bluesman viveu parte de sua vida. The Piano Has Been Drinking é um confissão de solidão. Waits joga toda sua culpa e tristeza em cima do coitado objeto de teclas brancas e negras. Evito comentar mais dessa música pois sugiro a incrível interpretação da letra pelos caras do Tom Waits Traduções Ltda. (clique pra acessar, derp).

Ainda na linha do piano, Tom nos convida para dar um passeio pelo seu blues em, claro, Invitation to the Blues. A sétima faixa nos pega de surpresa após o blues desta citada há pouco, pois só tem um tambor. Só. Haha, mas não deixa de possuir uma beleza indescritível da inocência desse (na época) jovem. Separo, por último mas não menos importante, a imponente The One That Got Away, que começa com um contra-baixo destruidor na companhia de simples estalares de dedos. Após isso vem o grave Tom de Waits e, claro, um saxofone. A partir daí é só prestar atenção no protesto sussurado e entrar no balanço do blues.

Um homem de megafone no deserto.


Bem, já falei demais. Agora vá baixar e ouvir esse deus gravado e entre no swing que emana de cada segundo deste disco.
Bom proveito!

Download - Small Changes

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Tom Waits - Alice

Experimental | Folk | GÊNIO | CANDIDATO A DEUS

1 - Alice
2 - Everything You Can Think
3 - Flower's Grave
4 - No One Knows I'm Gone
5 - Kommienezuspadt
6 - Poor Edward
7 - Table Top Joe
8 - Lost In The Harbour
9 - We're All Mad Here
10 - Watch Her Disappear
11 - Reeperbahn
12 - I'm Still Here
13 - Fish & Bird
14 - Barcarolle
15 - Fawn


      Waits é meu artista predileto. Sua influência é gigantesca, possuindo mais de 50 participações diretas como ator, inúmeras em construções de trilhas sonoras e milhões de indicações e prêmios, incluindo dois Grammys. Ele, em minha humilde opinião, tem a melhor voz da história da música. Seu tom grave, rouco e sinistro é algo único, ainda mais quando é unido às suas belíssimas (e intrigantes) composições, mostrando ser um dos artistas mais pesados em categoria.

      Sua imensa genialidade abrange inúmeras áreas, não apenas a música, mas sua atuação no palco é algo único, as roupas no melhor estilo "doende irlandês bêbado", o cigarro sempre aceso e os ambientes sombrios... Tudo para dar a imagem que, para mim, não consegue acompanhar sua capacidade musical. As músicas extremamente criativas e inovadoras são apenas um reflexo de um homem que também é ator, literário e compositor.


      Foi o Matheus que me apresentou este gênio pelo Rain Dogs e, após gostar um pouco, conheci o Mule Variations. Bem, após muito tempo curtindo a fase experimental de Tom, parti para seus primeiros discos, que ficam bascaimente no jazz, focado no piano tocado por ele mesmo. Interessante e belo da mesma maneira, mas possúi diferenças peculiares. Waits pode ser dividido em três fases, uma de "Jazz" que foi de 1973 até 1980, gravando apenas pela Asylum e possuindo uma estética mais focada no som de seu piano. De 1982, já na gravadora Island, com o lançamento de Swordfishtrombones, Tom se fixa em uma fase estritamente experimental até seu primeiro ano após a saída do estúdio e migrar para a ANTI- Records, passando para uma fase mista, relembrando fases de seu piano e de suas tomadas experimentais.

      Um dos melhores exemplos dessa última fase é este disco. Lançado em 2002, Alice possúi os arranjos em orquetra vistos no final de seu trabalho na Asylum e composições mais calmas vistas no começo de sua carreira, como no disco Closing Time: basicamente em piano e voz. Por outro lado, Alice também é incluida de tomadas musicais vistas em Bone Machine, Rain Dogs e, principalmente, Mule Variations, porém é um trabalho desvirtuado de suas fases estritamente experimentais e ligadas ao jazz.


      Com uma das trilhas mais geniais que já vi, o disco, em sua maioria, foi feito para a peça Alice, baseada no amor proibido entre Lewis Carroll e Alice Liddel. Apesar disso, as composições fogem bastante da ideologia da peça e, esta, até contribuindo com o fator estético do cd, já que Waits também é ator e participou com trabalhos junto de Robert Wilson (que dirigiu a adaptação de Alice). O disco foi co-liberado junto com Blood Money, do mesmo ano, também de uma adaptação do diretor de teatro.

      Indo direto ao ponto: Alice é uma mistura de duas ótimas épocas de Tom Waits e não deixa nada a perder. Pelo contrário, para quem tem preguiça de conhecer artistas a fundo (o que é uma pena, tratando de Tom Waits) Alice é um disco bem completo, possuindo suavidade de seu jazz em faixas como "Poor Edward", com uma letra incrível e impecável, a belíssima "I'm Still Here", com menos de dois minutos e uma melodia tão sincera quanto a letra. Sua fase experimental é clara em "Kommienezuspadt", a mais insana do disco, com sons de britadeira saindo pelo estéreo. Também na cômica "Table Top Joe", Waits mostra que seu tom rouco também é algo a ser tocado em um local onde ébrios são muito bem vindos.




      Bem, já é a terceira postagem de Waits aqui e ainda acho que não é suficiente. Seu vasto legado de cerca de trinta discos é gigantesco perto deste mínimo aqui, mas é um grande começo para quem deseja conhecer o gênio que é Tom, que devia ser candidato à presidência, haha. Se mais rodeios, fica aí esse excelente álbum que te mostrará que um artista não precisa se focar em um só âmbito, mas também migrar do jazz para o experimental e voltar aos dois ao mesmo tempo em um só disco (apesar de'u classificar seu som como inclassificável, mas tudo isso é apenas uma referência para que você não fique perdido na mente desse insano). Alice é dos melhores exemplos da competência musical deste grande nome.

Bom proveito!


My Space - Tom Waits

Tom Waits Site Oficial

Download - Megaupload

Download - Megaupload II

Download - Mediafire


Download - Megaupload [FLAC]

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Tom Waits - Mule Variations

Folk | Experimental | Alternative | Tom Waits | DEUS


01. Big In Japan
02. Lowside of the Road
03. Hold On
04. Get Behind The Mule
05. House Where Nobody Lives
06. Cold Water
07. Pony
08. What's He Building?
09. Black Market Baby
10. Eyeball Kid
11. Picture in a Frame
12. Chocolate Jesus
13. Georgia Lee
14. Filipino Box Spring Hog
15. Take it with Me
16. Come On Up to the House




A genialidade, a voz e a extrema beleza desse álbum fazem com que tudo faça mais sentido, Tom Waits é ao meu ver um dos maiores cantores do mundo, e esse álbum mostra bem o porque disso.






Mediafire: Tom Waits - Mules Variations

domingo, 20 de junho de 2010

Tom Waits - Rain Dogs

Tom Waits | GÊNIO | Folk | Experimental | Dorgas, mano

01. Singapore
02. Clap Hands
03. Cemetery Polka
04. Jockey Full of Bourbon
05. Tanto Till They're Sore
06. Big Black Mariah
07. Diamonds & Gold
08. Hang Down Your Head
09. Time
10. Rain Dogs
11. Midtown (Instrumental)
12. 9th & Hennepin
13. Gun Street Girl
14. Union Square
15. Blind Love
16. Walking Spanish
17. Downtown Train
18. Bridge of Rain Dog (Instrumental)
19. Anywhere I Lay My Head

O artista refere este nome para aquelas pessoas, que assim como os cães nas ruas, após a chuva lavar seus rastros, perdem a direção de volta para casa.

"Pessoas que vivem na rua. Você sabe, como depois da chuva você vê todos esses cães que parecem perdidos, andando por aí. A chuva remove todo o odor, toda orientação deles. Então, todas as pessoas no álbum estão entrelaçadas por alguma maneira física de compartilhar essa dor e desconforto."

Waits compôs a maioria do álbum em um período de dois mêses durante o outono de 1984, em um porão na esquina das ruas Washington e Horatio Streets, no distrito de Manhattan, Nova Iorque.

"Uma área meio bruta, sul de Manhattan, entre a rua Canal e a rua 14th, a um quarteirão do rio [...]. Foi um bom lugar para mim trabalhar. Bem tranquilo, exceto pela água escorrendo através dos canos de vez em quando. Quase como estar em um cofre."

Durante a preparação do álbum, Waits gravou sons da rua e outros ruídos ambientes em fita cassete afim de obter o som da cidade que viria a ser o tema do disco. Uma vasta seleção de instrumentos foram utilizados para alcançar a sonoriedade do álbum, incluindo marimba, acordeão, contrabaixo, trombone e banjo, demonstrando o leque de diferentes direções musicais contidas em Rain Dogs. Sendo lançado no meio da década de 1980, época que os sintetizadores e técnicas eletrônicas de produção eram novidade e estavam em alta, a obra é notável pelo seu som orgânico e pela maneira que esse som foi alcançado. Waits, comentando sobre sua insegurança com relação as técnicas de gravação moderna da época:

""Se quero um som, geralmente me sinto melhor perseguindo, matando, removendo a pele e cozinhando o mesmo. A maioria das coisas podem ser feitas com um botão hoje em dia. Então, se eu estivesse tentando achar um som de percussão específico, meu engenheiro de som diria: “Oh, pelo amor de Deus, por que estamos perdendo nosso tempo? Vamos simplesmente apertar esse pequeno botão com um pauzinho aqui, samplear algo (tirar uma batida de outra gravação) e adicioná-la na mixagem. Eu diria: “Não, prefiro ir no banheiro e bater na porta com um pedaço de madeira com força.”

Waits também declarou que “se não conseguíamos o som desejado da bateria convencional, nós juntávamos uma cômoda do banheiro e batíamos nela com muita força com um pedaço de madeira” até “os sons se tornarem seus”.

Rain Dogs também é marcado pela primeira colaboração de Waits com o guitarrista Marc Ribot, que ficou impressionado personalidade incomum do artista no estúdio:

"Rain Dogs foi minha primeira contribuição para uma grande gravadora, e pensei que todos faziam discos como Tom faz. [...] Desde então aprendi que ele tem uma maneira bem original e única de produzí-los. [...] Me lembro de uma instrução verbal sendo, "Toque como se estivesse em um bar mitzvah de um anão."

O disco também marca a primeira vez em que Keith Richards gravou com Waits.


Sim, eu peguei tudo do wikipédia.. Bem, eu tô de ressaca e não com muito saco de resenhar alguma coisa.

Mediafire: Tom Waits - Rain Dogs

Matheus.